protagonista de Assassino Zen fazendo meditação em cena da temporada 2 da série da Netflix (1)

Segunda temporada de ‘Assassino Zen’ leva a terapia longe demais (e o resultado é hilário)

Foto: Divulgação / Netflix
Compartilhe

A segunda temporada de Assassino Zen (ou Achtsam Morden, no original alemão) chegou recentemente à Netflix e, se você achou que o advogado Björn Diemel já tinha ido longe demais na busca pelo equilíbrio perfeito entre a vida pessoal e os assassinatos, prepare-se.

O thriller de comédia de humor ácido volta ainda mais absurdo e irônico, focando menos na mecânica de esconder crimes e mergulhando de cabeça (e de forma hilária) na psicologia distorcida de seu protagonista.

➡️ Compre na AMAZON com frete grátis e rápido! Confira o festival de ofertas e promoções com até 80% OFF para tudo o que você precisa

Sinopse

A história retoma com Björn (interpretado brilhantemente por Tom Schilling) tentando recriar uma memória preciosa de infância em uma viagem para os Alpes austríacos com sua esposa Katharina (Emily Cox) e a filha Emily (Pamuk Pilavci).

Como é de se esperar, tudo dá errado: comida fria, serviço péssimo e muita frustração familiar. Para não perder a cabeça, ele volta ao consultório do seu terapeuta, Joschka Breitner (Peter Jordan), que lhe dá uma nova lição de atenção plena: é preciso curar e ouvir a sua “criança interior”.

Como sempre, Björn leva o conselho perigosamente ao pé da letra, passando a ver uma versão infantil de si mesmo que o acompanha e o aconselha. Tudo isso acontece enquanto ele tenta manter a farsa de que chefões do crime estão vivos e no controle, lidando com gangues perigosas como os Holgersons, enfrentando a chantagem do vingativo Kurt, e tentando despistar a insistente (embora às vezes incompetente) policial Nicole (Britta Hammelstein).

➡️ Siga o canal FLIXLÂNDIA no WHATSAPP e fique por dentro das novidades de filmes e séries

Crítica da temporada 2 de Assassino Zen

O charme sombrio da “criança interior”

A grande sacada desta temporada 2 de Assassino Zen é justamente a personificação da criança interior de Björn. O que tinha tudo para ser um truque narrativo bobo ou exaustivo acaba se tornando um reflexo direto dos traumas e da negligência emocional que ele sofreu na juventude.

É bizarro e fascinante ver como ele usa a desculpa de “satisfazer a criança” como um passe livre para tomar atitudes impulsivas, resolvendo desde vizinhos barulhentos no parquinho até a presença de mafiosos indesejados com uma frieza assustadora e zero peso na consciência.

personagens de Assassino Zen em cena da temporada 2 da série da Netflix (1)
Foto: Divulgação / Netflix

Atuações que seguram a loucura

O grande trunfo da série continua sendo Tom Schilling. Ele entrega uma atuação absurdamente contida, e é justamente dessa restrição que nasce a comédia. É genuinamente engraçado ver o personagem aplicando um vocabulário terapêutico, calmo e sereno para lidar com situações de pânico, sequestros e caos mafioso.

Outro destaque maravilhoso é Murathan Muslu como o capanga Sascha. Ele rende cenas ironicamente hilárias ao contrastar sua postura de criminoso intimidador com a delicadeza de brincar no jardim de infância.

Excesso de bagagem?

Nem tudo flui perfeitamente desta vez. A série às vezes parece querer abraçar o mundo, lidando com os dramas familiares, as sessões de terapia, a investigação policial, a guerra da máfia e as alucinações com a criança interior. Esse inchaço no roteiro faz com que algumas soluções para a trama de Björn pareçam mais convenientes do que realmente surpreendentes.

Felizmente, a direção (com nomes como Martina Plura e Max Zähle) e o formato de episódios curtos de trinta e poucos minutos garantem que o ritmo seja acelerado, mantendo a série muito fácil de maratonar mesmo quando a trama fica meio bagunçada.

Sátira inteligente ao mundo do autocuidado

No fundo, debaixo de todas as mortes acidentais e propositais, a série faz um comentário brilhante e satírico sobre a cultura moderna de autoajuda. A jornada de Björn nos obriga a questionar: até que ponto as técnicas de atenção plena e o papo de “curar traumas” são apenas muletas usadas para justificar atitudes monstruosas e fugir das responsabilidades reais?

O clímax da temporada, envolvendo o destino de Boris e Kurt trancados juntos em um porão com um jogo mental sádico, escancara que a bússola moral do protagonista quebrou de vez, ainda que ele se sinta emocionalmente muito bem resolvido.

Conclusão

Se você curtiu a mistura inusitada da primeira temporada, a continuação de Assassino Zen é uma aposta certa. Apesar de dar umas pequenas tropeçadas por tentar incluir tramas demais, a produção continua sendo uma comédia de humor ácido estranhamente cativante, inteligente e com um frescor muito bem-vindo no catálogo da Netflix. É diversão garantida, mas não espere que o conceito de mindfulness saia ileso dessa história.

Onde assistir à série Assassino Zen?

  • Netflix

Trailer da temporada 2 de Assassino Zen

YouTube player

Elenco de Assassino Zen, da Netflix

  • Tom Schilling
  • Emily Cox
  • Peter Jordan
  • Murathan Muslu
  • Sascha Geršak
  • Britta Hammelstein
  • Marc Hosemann
  • Pamuk Pilavci
  • Johannes Allmayer
  • Franz Schmidt
Escrito por
Wilson Spiler

Formado em Design Gráfico, Pós-graduado em Jornalismo e especializado em Jornalismo Cultural, com passagens por grandes redações como TV Globo, Globonews, SRZD e Ultraverso.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Procuram-se colaboradores
Procuram-se colaboradores

Últimas

Artigos relacionados
VisionQuest série 2026 Disney+ episódios 1 e 2 (1)
Críticas

‘VisionQuest’ estreia desvendando o maior mistério de WandaVision com reencontro emocionante

A nova série VisionQuest do Disney+ encerra a trilogia do Universo Cinematográfico...

Armadilha série Netflix 2026 crítica final explicado elenco
Críticas

‘Armadilha’: perturbador suspense alemão transforma a memória em veneno

Há feridas que não cicatrizam com o tempo; apenas constroem paredes ao...

Estado de Fúria 2 temporada
Críticas

‘Estado de Fúria’ volta afiada para a 2ª temporada

Quando Estado de Fúria (intitulada originalmente Furia) desembarcou no catálogo da HBO...

100 Dias de Mentiras série dorama 2026 Netflix (1)
Críticas

‘100 Dias de Mentiras’ subverte o drama de época com tiros e identidades falsas

O ano é 1932 e a cidade atende pelo nome de Gyeongseong...

Amor da Minha Vida 2 temporada
Críticas

Segunda temporada de ‘Amor da Minha Vida’ destrói a ilusão do amor perfeito

A ficção romântica tradicional sempre foi cúmplice de uma promessa reconfortante: dois...

Doctor X A Máfia do Jaleco Branco série de 2026 da Netflix
Críticas

O bisturi contra a farsa em ‘Doctor X: A Máfia do Jaleco Branco’

Há uma fronteira tênue e perversa entre a vocação hipocrática e a...

Um Choque de Amor série dorama Netflix 2026
Críticas

‘Um Choque de Amor’ conquista pelo absurdo

Há algo de profundamente comovente na impossibilidade do toque. Em uma época...

Pequenos Profetas série do Apple TV de 2026
Críticas

‘Pequenos Profetas’ transforma dor, esterco e alquimia em pura poesia

Há feridas que não cicatrizam porque o tempo, em sua marcha indiferente,...