protagonista de Assassino Zen fazendo meditação em cena da temporada 2 da série da Netflix (1)

Segunda temporada de ‘Assassino Zen’ leva a terapia longe demais (e o resultado é hilário)

Foto: Divulgação / Netflix
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A segunda temporada de Assassino Zen (ou Achtsam Morden, no original alemão) chegou recentemente à Netflix e, se você achou que o advogado Björn Diemel já tinha ido longe demais na busca pelo equilíbrio perfeito entre a vida pessoal e os assassinatos, prepare-se.

O thriller de comédia de humor ácido volta ainda mais absurdo e irônico, focando menos na mecânica de esconder crimes e mergulhando de cabeça (e de forma hilária) na psicologia distorcida de seu protagonista.

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Sinopse

A história retoma com Björn (interpretado brilhantemente por Tom Schilling) tentando recriar uma memória preciosa de infância em uma viagem para os Alpes austríacos com sua esposa Katharina (Emily Cox) e a filha Emily (Pamuk Pilavci).

Como é de se esperar, tudo dá errado: comida fria, serviço péssimo e muita frustração familiar. Para não perder a cabeça, ele volta ao consultório do seu terapeuta, Joschka Breitner (Peter Jordan), que lhe dá uma nova lição de atenção plena: é preciso curar e ouvir a sua “criança interior”.

Como sempre, Björn leva o conselho perigosamente ao pé da letra, passando a ver uma versão infantil de si mesmo que o acompanha e o aconselha. Tudo isso acontece enquanto ele tenta manter a farsa de que chefões do crime estão vivos e no controle, lidando com gangues perigosas como os Holgersons, enfrentando a chantagem do vingativo Kurt, e tentando despistar a insistente (embora às vezes incompetente) policial Nicole (Britta Hammelstein).

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Crítica da temporada 2 de Assassino Zen

O charme sombrio da “criança interior”

A grande sacada desta temporada 2 de Assassino Zen é justamente a personificação da criança interior de Björn. O que tinha tudo para ser um truque narrativo bobo ou exaustivo acaba se tornando um reflexo direto dos traumas e da negligência emocional que ele sofreu na juventude.

É bizarro e fascinante ver como ele usa a desculpa de “satisfazer a criança” como um passe livre para tomar atitudes impulsivas, resolvendo desde vizinhos barulhentos no parquinho até a presença de mafiosos indesejados com uma frieza assustadora e zero peso na consciência.

personagens de Assassino Zen em cena da temporada 2 da série da Netflix (1)
Foto: Divulgação / Netflix

Atuações que seguram a loucura

O grande trunfo da série continua sendo Tom Schilling. Ele entrega uma atuação absurdamente contida, e é justamente dessa restrição que nasce a comédia. É genuinamente engraçado ver o personagem aplicando um vocabulário terapêutico, calmo e sereno para lidar com situações de pânico, sequestros e caos mafioso.

Outro destaque maravilhoso é Murathan Muslu como o capanga Sascha. Ele rende cenas ironicamente hilárias ao contrastar sua postura de criminoso intimidador com a delicadeza de brincar no jardim de infância.

Excesso de bagagem?

Nem tudo flui perfeitamente desta vez. A série às vezes parece querer abraçar o mundo, lidando com os dramas familiares, as sessões de terapia, a investigação policial, a guerra da máfia e as alucinações com a criança interior. Esse inchaço no roteiro faz com que algumas soluções para a trama de Björn pareçam mais convenientes do que realmente surpreendentes.

Felizmente, a direção (com nomes como Martina Plura e Max Zähle) e o formato de episódios curtos de trinta e poucos minutos garantem que o ritmo seja acelerado, mantendo a série muito fácil de maratonar mesmo quando a trama fica meio bagunçada.

Sátira inteligente ao mundo do autocuidado

No fundo, debaixo de todas as mortes acidentais e propositais, a série faz um comentário brilhante e satírico sobre a cultura moderna de autoajuda. A jornada de Björn nos obriga a questionar: até que ponto as técnicas de atenção plena e o papo de “curar traumas” são apenas muletas usadas para justificar atitudes monstruosas e fugir das responsabilidades reais?

O clímax da temporada, envolvendo o destino de Boris e Kurt trancados juntos em um porão com um jogo mental sádico, escancara que a bússola moral do protagonista quebrou de vez, ainda que ele se sinta emocionalmente muito bem resolvido.

Conclusão

Se você curtiu a mistura inusitada da primeira temporada, a continuação de Assassino Zen é uma aposta certa. Apesar de dar umas pequenas tropeçadas por tentar incluir tramas demais, a produção continua sendo uma comédia de humor ácido estranhamente cativante, inteligente e com um frescor muito bem-vindo no catálogo da Netflix. É diversão garantida, mas não espere que o conceito de mindfulness saia ileso dessa história.

Onde assistir à série Assassino Zen?

  • Netflix

Trailer da temporada 2 de Assassino Zen

YouTube player

Elenco de Assassino Zen, da Netflix

  • Tom Schilling
  • Emily Cox
  • Peter Jordan
  • Murathan Muslu
  • Sascha Geršak
  • Britta Hammelstein
  • Marc Hosemann
  • Pamuk Pilavci
  • Johannes Allmayer
  • Franz Schmidt
Escrito por
Wilson Spiler

Formado em Design Gráfico, Pós-graduado em Jornalismo e especializado em Jornalismo Cultural, com passagens por grandes redações como TV Globo, Globonews, SRZD e Ultraverso.

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