Confira a crítica do filme "Basma", drama árabe de 2024 de Fatima AlBanawi disponível para assinantes da Netflix.

‘Basma’, quando uma premissa convincente e boas intenções, por si só, não são suficientes

Foto: Netflix / Divulgação
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O filme “Basma” é um drama saudita de 2024, dirigido por Fatima AlBanawi, que também protagoniza o filme no papel de Bassouma. A produção, que estreou na Netflix, tem uma representação honesta das dinâmicas familiares e da saúde mental na Arábia Saudita. Com um elenco talentoso e uma trama comovente, o longa-metragem se destaca como uma obra importante para quem se interessa pela cultura e sociedade saudita.

Sinopse de Basma, da Netflix

A trama segue Bassouma (Fatima AlBanawi), uma jovem que retorna à sua cidade natal, Jeddah, após passar dois anos estudando nos Estados Unidos. Ao chegar, ela descobre que sua família não é mais a mesma: seus pais se divorciaram e a saúde mental de seu pai deteriorou-se significativamente, algo que foi escondido dela.

Decidida a ajudar e a restabelecer os laços familiares, Bassouma se muda para a casa do pai e confronta as duras realidades de sua condição, embarcando em uma jornada de cura e autodescoberta.

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Crítica do filme Basma (2024)

“Basma” aborda um tema crucial e muitas vezes negligenciado no cinema: a saúde mental. O filme oferece um retrato vívido das crenças e reações diversas das pessoas diante dos desafios mentais de um ente querido. A personagem de Bassouma é bem desenvolvida, e sua evolução de uma fé cega no pai para o reconhecimento da necessidade de tratamento é comovente e realista. No entanto, a transição dessa mudança de perspectiva é rápida demais, o que prejudica a profundidade emocional que a narrativa poderia alcançar.

A fotografia do filme captura a essência vibrante de Jeddah, contrastando com a atmosfera sombria das lutas pessoais de Bassouma. No entanto, a conexão entre a narrativa visual e o peso emocional da história às vezes parece desconectada. A edição, com cortes abruptos e transições desiguais, também compromete o envolvimento contínuo do espectador com a história.

Os coadjuvantes, embora interpretados de forma decente, são subutilizados. As relações tensas entre os pais de Bassouma, seus irmãos e a família extensa são mencionadas, mas não exploradas a fundo. Uma abordagem mais detalhada dessas relações teria aprofundado à narrativa, tornando a situação familiar mais relatável e impactante.

Apesar de suas falhas, “Basma” possui momentos de genuína emoção que ressoam. As cenas em que Bassouma enfrenta a doença de seu pai e suas próprias limitações em ajudá-lo são especialmente tocantes. Esses momentos revelam o potencial do filme de ser um comentário poderoso sobre saúde mental e laços familiares. Infelizmente, esses lampejos são ofuscados pela incapacidade da película de manter uma narrativa coerente e envolvente ao longo de sua duração.

Conclusão

“Basma” tem uma premissa trágica e potencial de jogar luz a questões importantes, mas que, em última análise, não alcança todo seu potencial. Sua narrativa fragmentada, personagens subdesenvolvidos e ritmo desigual reduzem o impacto emocional que a obra poderia ter.

Embora a representação das lutas de saúde mental e a jornada pessoal da protagonista sejam louváveis, não são suficientes para elevar o filme além de um drama esquecível, servindo como um lembrete de que uma premissa convincente e boas intenções, por si só, não são suficientes.

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Onde assistir Basma?

O filme está disponível para assinantes da Netflix.

Trailer do filme Basma

YouTube player

Elenco de Basma, da Netflix

  • Fatima AlBanawi
  • Yasir AlSasi
  • Mai Hakeem
  • Terad Sindi
  • Mohammed Fawzi

Ficha técnica de Basma (2024)

  • Título original: Basma
  • Direção: Fatima AlBanawi
  • Roteiro: Fatima AlBanawi
  • Gênero: drama
  • País: Arábia Saudita
  • Duração: 105 minutos
  • Classificação: 12 anos
Escrito por
Giselle Costa Rosa

Navegando nas águas do marketing digital, na gestão de mídias pagas e de conteúdo. Já escrevi críticas de filmes, séries, shows, peças de teatro para o sites Blah Cultural e Ultraverso. Agora, estou aqui em um novo projeto no site Flixlândia.

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