Minha Querida Família crítica do filme francês de 2024 - Flixlândia

O peso do passado e a difícil arte de curar a criança interior em ‘Minha Querida Família’

Foto: Fênix Filmes / Divulgação
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Lidar com a família já é, por si só, um esporte radical para muita gente. Quando colocamos todo mundo debaixo do mesmo teto depois de anos de afastamento, a situação tem tudo para virar uma verdadeira panela de pressão. É exatamente nessa premissa caótica que a diretora francesa Isild Le Besco aposta com seu novo filme, Minha Querida Família (título original Ma famille chérie).

Exibido fora de competição no prestigioso Festival de Locarno em 2024, o longa é um drama de reencontro que promete mergulhar fundo nas dinâmicas familiares e curar velhas feridas, chegando aos cinemas brasileiros no dia 5 de março com distribuição da Fênix Filmes.

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Sinopse

A história ganha tração quando Estelle, interpretada pela maravilhosa Élodie Bouchez, decide fugir de Roma e da violência conjugal do marido, Antonio (Stefano Cassetti). Ela pega os filhos e parte antes do previsto para a casa da mãe, Queen (Marisa Berenson), uma ex-diva da ópera um tanto egocêntrica, localizada na bucólica Irlanda.

O pretexto é uma grande reunião familiar que junta figuras para lá de complexas: a controladora Janet (Jeanne Balibar), a artista incompreendida Manon (vivida pela própria diretora), e Jean-Luc (Élie Semoun), que tenta a todo custo provar seu valor no clã.

Como se o clima já não estivesse tenso o suficiente, o irmão afastado Marc (Axel Granberger) surge após 20 anos de sumiço, trazendo um braço protético e, para o desespero geral, as cinzas do pai falecido há décadas, reabrindo a ferida trágica da morte de uma das irmãs.

Crítica do filme Minha Querida Família

Um caldeirão de traumas e neuroses

A proposta de Isild Le Besco é bastante clara e sensível: falar diretamente com a nossa “criança interior” e tentar promover uma cura através da superação de repressões emocionais e lutos mal resolvidos. O filme abraça com força aquela estética de família disfuncional onde todo mundo parece falar uma língua diferente, misturando risos intensos com lágrimas no mesmo minuto.

A atmosfera geral é de um caos tão natural e espontâneo que, por vezes, a obra até flerta com a autoficção ou o estilo de documentário. Há um olhar muito terno para as dores de cada um ali, embalado por paisagens bonitas, uma fotografia segura e um design de som bastante confortável, recheado de melodias de piano e violão que tentam suavizar o clima pesado.

Minha Querida Família crítica do filme francês de 2024 - Flixlândia (3)
Foto: Fênix Filmes / Divulgação

O brilho do elenco

Se o filme consegue se sustentar e prender a nossa atenção, o mérito é quase todo do elenco formidável que a diretora reuniu. Élodie Bouchez é, sem dúvidas, o coração e a alma da produção; sua atuação magnética ao retratar uma mulher que rompe com os abusos para tentar se reencontrar e curar suas dores é o grande ponto alto.

Marisa Berenson também está fantástica e entrega tudo nas cenas da matriarca narcisista, que parece amar mais o próprio ego do que os netos. A presença inconfundível de Jeanne Balibar e o humor sutil de Élie Semoun ajudam a compor esse retrato esquisito, mas cheio de charme, de uma família burguesa meio fora da casinha.

Ambição desmedida e falhas no roteiro

Apesar das ótimas atuações e das boas intenções, Minha Querida Família sofre de um problema grave de superlotação. O roteiro, coescrito pela diretora com Steven Mitz e outros colaboradores, tenta abraçar o mundo inteiro em uma duração de pouco mais de 80 minutos. São muitos irmãos, netos, vizinhos, um marido abusivo, traumas de infância complexos e um pedido póstumo para dar conta em pouquíssimo tempo.

Em vez de focar e se aprofundar no excelente drama de Estelle, a narrativa fica pulando de galho em galho, iniciando arcos interessantes que logo são abandonados ou resolvidos de maneira muito simplista e apressada. Dá a nítida impressão de que Le Besco quis ter o controle de absolutamente tudo — ela atua, dirige, escreve e até compõe músicas —, e essa ambição acabou engolindo a coesão da história, deixando a montagem meio fragmentada e o resultado sufocado pela própria ambição.

Conclusão

No fim das contas, Minha Querida Família é uma obra muito sensível e cheia de amor pelos seus personagens, mas que acaba tropeçando na própria vontade de falar sobre tudo ao mesmo tempo. É um filme que tem o seu charme e se deixa assistir com uma facilidade acolhedora, especialmente para quem gosta daquele clima de sagas familiares do cinema europeu.

A promessa de curar todas as feridas emocionais daquela família pode até não se cumprir de forma tão redonda na tela, mas a jornada afetiva, mesmo que caótica, ainda oferece momentos genuínos sobre como o peso do nosso passado molda quem somos.

Onde assistir ao filme Minha Querida Família?

O filme estreia nesta quinta-feira, 5 de março de 2026, exclusivamente nos cinemas brasileiros.

Trailer de Minha Querida Família (2024)

YouTube player

Elenco do filme Minha Querida Família

  • Jeanne Balibar
  • Marisa Berenson
  • Élodie Bouchez
  • Geoffrey Carey
  • Stefano Cassetti
  • Lili Courtin Dupont
  • Laëtitia Eïdo
  • Axel Granberger
Escrito por
Wilson Spiler

Formado em Design Gráfico, Pós-graduado em Jornalismo e especializado em Jornalismo Cultural, com passagens por grandes redações como TV Globo, Globonews, SRZD e Ultraverso.

  • Atuações péssimas, o filme é muito menos do que essa doce análise do colega que consegue tirar leite de pedra ao ver o lado bom de uma obra que tem muito de ruim. Situações clichês nada convincentes, os atores parecem que aceitaram um trabalhinho fácil para filmar uma bobagem num passeio de final de semana e ganhar um dinheirinho. Viva o capitalismo, isso não é arte, é um produto de prateleira, como um sabonete.

  • Atuações péssimas, o filme é muito menos do que essa doce análise do colega que consegue tirar leite de pedra ao ver o lado bom de uma obra que tem muito de ruim. Situações clichês nada convincentes, os atores parecem que aceitaram um trabalhinho fácil para filmar uma bobagem num passeio de final de semana e ganhar um dinheirinho. Viva o capitalismo, isso não é arte, é um produto de prateleira, como um sabonete.
    Fraco e superficial, pouco crível, os personagens são caricatos, os atores não convencem, está na cara que é tudo fake ali. A atriz que faz a mãe Queen está péssima, assim como os filhos todos estereotipados e clichês em atuações sofríveis. Incrivel como um roteiro tão pobre, desestruturado e nada convincente desses consegue financiamento, suporte de produção e penetra num circuito tão ‘disputado’. Quantos filmes muito melhores não foram deixados de lado para que este pobre entretenimento chegasse as nossas telas. Para completar, um desfecho péssimo, água com açúcar completo, num passeio de veleiro, coisa que toda grande familia consegue fazer pois é barato e acessível, que fracasso de pretensa reflexão.

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