Ao refletirmos sobre os grandes épicos cinematográficos, frequentemente recordamos obras como Gladiador (2000) e Cruzada (2005). Contudo, para o espectador mais atento, o marco desse gênero remonta a 1959, com o lançamento de uma produção que transformou a experiência cinematográfica: Ben-Hur. A obra consolidou um novo patamar de produção em sua época, apresentando um épico de proporções monumentais centrado em temas como amizade, traição, vingança e perdão.
Por muito tempo, o filme deteve o recorde de maior número de Oscars (11 no total), e tornou-se célebre pelas cenas de corrida de bigas, realizadas sem efeitos especiais. Pode ser considerado um dos pioneiros no uso exclusivo de efeitos práticos, o que justifica o elevado orçamento da época.
Em 2016, a narrativa foi readaptada por Hollywood com um elenco de renome e ampla utilização de computação gráfica. Contudo, a abordagem gerou reservas entre os críticos, que apontaram uma representação excessiva da direção e a perda da essência da obra original.
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A origem do livro Ben-Hur
O conto de Ben-Hur é uma criação de Lew Wallace, figura proeminente do século XIX que, após uma investigação sobre o cristianismo, buscou promover uma reflexão sobre o ceticismo de parte da sociedade em relação à figura de Cristo e à religião. Inicialmente indiferente à fé cristã, o autor acabou por rever sua posição e tornar-se um aliado da causa.
Lançado em 1880, o livro apresentava uma espécie de autobiografia ou, ao menos, um sentimento pessoal decorrente da sensação de traição por aliados que o acusaram de covardia durante a Guerra Civil Americana. A obra tornou-se um best-seller logo após o lançamento, alcançando o sucesso que perdura até os dias atuais.
Cristiane Cardoso, diretora de dramaturgia da Record TV e líder criativa da Seriella Productions, optou por uma adaptação fiel ao texto original de 1880. Como a emissora detém os direitos desde 2018, o projeto ganhou viabilidade para atrair o público com essa narrativa épica.
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O desafio de não repetir o passado
Em adaptações literárias, é comum observar discrepâncias em relação à obra original, especialmente quando há diversas referências audiovisuais disponíveis.
Segundo Cristiane, sua proposta visa retratar o conteúdo do livro, e não recriar produções cinematográficas anteriores. A série, composta por 50 capítulos, será disponibilizada na plataforma Univer.
Devido à extensão da obra, espera-se a inclusão de diversos núcleos e de personagens pouco explorados em versões anteriores. Um exemplo é o interesse romântico do protagonista, Judá, por Iras, interpretada por Ingrid Conte — atriz da casa, com atuação em produções como Reis (2022–2024), Gênesis (2021) e Topíssima (2019).

Primeiro capítulo promissor e leve
O Flixlândia teve acesso ao primeiro capítulo da série e identificamos rapidamente a estrutura narrativa em dois tempos distintos. Um deles parece situar-se na Segunda Guerra Mundial, em um campo de concentração, onde jovens que buscam sobreviver encontram páginas do livro de Wallace; uma delas reconhece a história e decide compartilhá-la com as companheiras.
A perspectiva de um personagem “moderno” confere interesse à trama, despertando curiosidade e constituindo um ponto positivo: o público tende a se identificar com os ouvintes em cena, estabelecendo conexão sem recorrer a vícios de linguagem ou diálogos excessivamente expositivos na trajetória do protagonista.
Como o primeiro episódio aborda as origens, observa-se um paralelo entre Herodes, os três reis magos, Maria e José no deserto e os pais de Judá. Essa construção paralela espelha os acontecimentos e gera tensão, especialmente pela presença de Herodes, o Grande, interpretado por Daniel Dantas, que estreia na Record em uma produção audiovisual. Sua atuação é ameaçadora e imponente; Dantas domina a composição de personagens com aura de vilão, e o tom sombrio contrasta com o período de transição do mundo, conforme a tradição cristã.
Destacam-se também as atuações de Ana Julia Cestaro e Victor Garbossa, que interpretam Maria e José na noite do nascimento de Jesus. Embora breve, essa sequência foi bem dirigida e adaptada, alcançando impacto emocional.
Quanto ao elenco jovem, embora a interpretação do jovem Messala apresente um tom teatral, o ator entrega um trabalho denso e uma sequência de atuação de qualidade. O protagonista, por sua vez, parece menos expressivo, o que pode ser atribuído a uma falha de roteiro ou de montagem aspecto que não compromete a obra, considerando a brevidade da representação.
Nessa perspectiva, observa-se também um vislumbre do jovem Jesus Cristo, o que convida à comparação com uma das adaptações, especificamente a de 1959, que optou por retratar Jesus em detalhes, sem revelar seu rosto. Considero interessante esse ponto de vista: embora o personagem seja interpretado por Petrônio Gontijo, compreende-se que a fotografia adotará recursos específicos para mantê-lo em plano parcial, conferindo à figura um caráter misterioso.

Fotografia e cenários complementares
A direção de arte de Fernando Carrera e Andreia Carrera desempenha um papel de destaque: a ambientação é executada com rigor, permitindo que o espectador se envolva plenamente com a construção do universo.
O trabalho de fotografia de Ricardo Fuji, em parceria com a direção geral de Vicente Guerra, demonstra que o profissionalismo é um elemento essencial para a excelência do produto final.
Ben-Hur: A Série narra a trajetória de Judá, príncipe judeu de Jerusalém que, após uma traição cruel, é reduzido à escravidão e encontra redenção espiritual por meio da mensagem de Jesus Cristo.
Onde assistir a Ben-Hur: A Série?
A série estreia na plataforma Univer em 9 de outubro; ainda não há data confirmada para exibição na TV aberta, mas tudo indica que o lançamento ocorrerá em breve.
Trailer de Ben-Hur: A Série
Ficha técnica
| Categoria | Detalhes |
| Título | Ben-Hur |
| Produtora | Seriella Productions |
| País de produção | Brasil |
| Gênero | Drama / Épico / Histórico |
| Número de episódios | 50 episódios |
| Idioma original | Português |
| Direção | Vicente Guerra |
| Ano de produção | 2026 |
Elenco de Ben-Hur: A Série
| Ator / Atriz | Personagem |
| Vinícius Redd | Judá |
| Rômulo Weber | Messala |
| Bia Arantes | Ester |
| Ingrid Conte | Iras |
| Marina Elias | Miriã |
| Maitê Padilha | Johanna |
| Juhlia Ficer | Tirza |
| Mario Bregieira | Drusus |
| Marcéu Pierrotti | Pedro |
| Allana Lopes | Maria Madalena |
| Guilherme Dellorto | Antipas |
| Felipe Cardoso | Baltazar |
| Dani Moreno | Cornélia |
| Aselmo Vasconcellos | Ilderim |
| Rafael Gevú | Malluch |
| Maurício Ribeiro | Enzi |
| Jessika Alves | Batya |
| Juliano Laham | Barrabás |
| Pedro Nercessian | Bispo Tiago |
| Thiago Piacentini | Tiago |
| Fernando Possani | João |
| Ana Júlia Cestaro | Maria |
















