Durante o Oscar, rolou nas redes sociais um daqueles debates que saem um pouco das redes e respinga na vida real: o tema da Ditadura Militar presente em diversos longas que concorrem ao prêmio. Oficialmente finalizada nos anos 80 e substituída por uma suposta Democracia, o governo e desmandos do Exército continua presente em diversas comunidades cariocas, como mostra o documentário “Cheiro de Diesel”.
Sinopse
Dirigido pela dupla Natasha Neri e Gizele Martins, a primeira uma já premiada documentarista, enquanto a segundo uma jornalista e ativista do Complexo da Maré onde mora, o longa explora o recorte da ocupação das comunidades por militares sob o pretexto da segurança pública para os grandes eventos que ocorreram entre 2014 e 16 no Brasil e, mais especificamente, no Rio de Janeiro.
Crítica do documentário Cheiro de Diesel
Ao mesmo tempo abandonada pelo poder público e com uma posição geográfica estratégica na cidade, a Maré é dominada por anos por facções criminosas. O estado serve como desculpa para a ocupação de forças militares despreparadas, resultando em diversos casos que, se na Justiça foram considerados acidentes.

Denúncias de moradores baleados, torturados e com membros amputados com a justificativa de “legítima defesa” para inocentar soldados e afins assustados com o dedo no gatilho chegam a soar ridículas para qualquer um que as ouvir. Casos como esses não estão nos livros de História, e sim acontecendo no cotidiano de quem mora nos chamados “locais de risco”.
Cobrindo desde a intervenção até o julgamento de militares que atiraram em músico que mora na Maré, o documentário é cru e embasado, mostrando a face dos militares que boa parte do população viu e verá: não uma instituição que defende nossas fronteiras ou os cidadãos, e sim o braço armado que serve para colocar os indesejados em seus assim chamados devidos lugares.
Conclusão
“Cheiro de Diesel” toca em um assunto repetitivo e que parece não ter solução na vida de muitos cariocas e de boa parte dos brasileiros: o cotidiano entre a cruz e a espada, imprensados entre criminosos dos dois lados e tentando não serem atingidos no caminho. Aqui, não há desenvolvimento de personagem, arco de redenção ou justiça de um heroi fantasiado como muitos que criticam o tema abordado. Apenas uma realidade, com um final feliz sendo construído sempre em cima de tragédias das quais muitos não tem culpa e são arrastados.















