Ruas da Glória crítica do filme 2026 - Caio Macedo e Alejandro Claveaux (Foto de Íra Barillo) - Flixlândia

Crítica | ‘Ruas da Glória’ é um estudo sensível sobre luto e ausência

Foto: Íra Barillo / Divulgação
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Ruas da Glória é o segundo longa-metragem dirigido por Felipe Sholl (Fala Comigo). A história é um drama intenso que mergulha no universo da prostituição masculina e nas complexidades do luto e do desejo no Rio de Janeiro. O diretor adota um tom direto e urbano, focando na vida noturna carioca ao evitar clichês de contos de fada, abordando temas como vulnerabilidade, fetiche e busca por identidade.

Antes desta estreia comercial, o filme foi amplamente elogiado no circuito de festivais, especialmente no Festival do Rio, onde conquistou prêmios importantes, incluindo Melhor Ator Coadjuvante para Alejandro Claveux (Uma Quase Dupla) e Melhor Atriz Coadjuvante para Diva Menner (em sua estreia em filmes).

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Sinopse

Após sofrer uma grande perda, Gabriel (Caio Macedo) deixa o Recife para se reinventar no Rio de Janeiro. Sozinho na nova cidade, o jovem professor encontra Adriano (Alejandro Claveaux), um garoto de programa uruguaio com quem vive uma paixão conturbada que beira a obsessão.

Quando Adriano desaparece sem deixar rastros, Gabriel inicia uma investigação pelo submundo da noite carioca que o leva a se tornar, ele mesmo, um acompanhante, encontrando acolhimento em uma “família escolhida” nas ruas do bairro da Glória.

Crítica do filme Ruas da Glória

A pessoalidade do diretor

Ao acompanhar esta história, é possível notar a carga emocional que sustenta o longa-metragem. Isso deriva diretamente de um processo de desabafo pessoal de Felipe Sholl. Ao transpor para o protagonista o sentimento de perda de controle vivenciado em períodos de crise de saúde mental e dependência química, o cineasta estabelece um paralelo honesto entre sua própria busca pela sobriedade e a trajetória de um personagem que se perde nos labirintos da mente.

Embora a trama não tenha base biográfica, esse peso confere à narrativa um caráter comovente, íntimo e impactante, permitindo que o espectador acompanhe uma transformação que carrega a autenticidade de quem utilizou a arte para processar uma fase de superação.

Ruas da Glória crítica do filme 2026 - Flixlândia - FESTIVAL DO RIO
Foto: Íra Barillo / Divulgação

O culto ao desejo

O centro da narrativa repousa na complexa dinâmica entre Gabriel e Adriano. A escalação de Caio Macedo revela-se um acerto ao equilibrar a postura de um acadêmico com sua gradual imersão em um cenário de marginalidade. Esse percurso é pontuado por uma tensão sexual latente e elementos de fetiche que, longe de serem superficiais, fundamentam a obsessão do protagonista.

A escolha de Alejandro Claveaux para o papel de Adriano justifica-se pela sintonia com Macedo, cuja a química entre ambos garantiu a parceria no projeto. Adriano pode ser visto por muitos como o grande vilão, mas é possível enxergá-lo como um sobrevivente que navega por circunstâncias hostis, evitando julgamentos morais simplistas enquanto se torna o alvo de um magnetismo emocional perigoso.

O Rio de Janeiro entre o lúdico e o real

O registro das locações reais em bairros como a Lapa e a Glória traz ao filme um tom documental que evoca uma atmosfera pulsante e melancólica do Rio de Janeiro. No entanto, essa escolha esbarra em um evidente contraste com a realidade da segurança pública local. Embora a Cinelândia seja retratada como um cenário aberto ao desejo e ao encontro, a vivência cotidiana do morador carioca revela uma aspereza que a obra de ficção opta por suavizar.

Na prática, o protagonista estaria mais sujeito à abordagem de furtos e à criminalidade comum do que à disponibilidade imediata de uma rede de prostituição masculina tão específica. Essa “Cinelândia de ficção” atende perfeitamente ao propósito dramático, mas exige que o espectador local faça um esforço consciente para ignorar o perigo real do Centro e aceitar a licença poética proposta pelo diretor. Talvez o entorno da Glória estivesse mais propício para esse retrato fiel.

O elo de humanidade

A estreia de Diva Menner (ex-The Voice) no cinema traz uma camada de humanidade fundamental para o equilíbrio da narrativa. Sua interpretação como Mônica vai além do reconhecimento recebido no Festival do Rio, posicionando a personagem como o pilar de acolhimento em meio ao caos urbano.

É por meio dessa figura que a trama consegue contrapor o sofrimento à possibilidade real de pertencimento, personificando o conceito de família escolhida. Essa presença oferece um respiro de solidariedade e proteção que ancora o protagonista em um contexto de aceitação e cuidado mútuo.

Conclusão

Ruas da Glória é uma obra de contrastes, funcionando simultaneamente como um retrato cru da marginalidade e um estudo sensível sobre o luto e a ausência. Ao utilizar o cenário noturno para expor feridas emocionais que frequentemente permanecem ocultas, o filme não evita o impacto e incorpora diversas cenas de sexo para ilustrar a intensidade das relações.

Contudo, a produção peca apenas por reforçar uma abordagem recorrente, na qual a experiência de homens gays transita quase exclusivamente entre o prazer imediato e o sofrimento profundo. Apesar dessa escolha temática familiar, o longa permanece como um registro relevante sobre a busca por conexão em um ambiente de constante vulnerabilidade.

Trailer do filme Ruas da Glória

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Elenco de Ruas da Glória (2026)

  • Caio Macedo
  • Alejandro Claveaux
  • Diva Menner
  • Alan Ribeiro
  • Jade Sassará
  • Sandro Aliprandini
Escrito por
Bruno de Oliveira

Sou um apaixonado por filmes, séries e cultura pop em geral. Entre um blockbuster e um filme introspectivo e intimista encontro meu lugar no mundo e me sinto a vontade para viajar seja lá para qual mundo for.

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