Se você gosta de cinema trash ou acompanha as polêmicas de Hollywood, com certeza já ouviu falar de Uwe Boll. O diretor alemão, famoso por entregar algumas das piores adaptações de videogames dos anos 2000 e por literalmente chamar críticos de cinema para lutar boxe, havia prometido se aposentar. Mas ele voltou atrás, e o resultado é Citizen Vigilante, um filme que vem causando um barulho imenso na internet em 2026.
A polêmica já começa pelos bastidores: a obra foi banida na Alemanha por seu tom xenofóbico, ameaçada de processo pela Warner Bros. (já que Boll queria chamar o filme de The Dark Knight) e acabou ganhando os holofotes do mundo todo quando Elon Musk decidiu disponibilizar o longa gratuitamente no X (antigo Twitter). Para completar o combo, o filme serve como a malfadada tentativa de retorno do ator Armie Hammer, que foi escanteado por Hollywood após graves acusações de abuso. Mas será que o filme se sustenta além das polêmicas? A resposta curta é: não.
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Sinopse
A trama acompanha Sanders (Armie Hammer), um americano ex-militar incrivelmente rico que se muda para a Croácia para cuidar do império imobiliário deixado pelo seu falecido pai. Frustrado com o que ele enxerga como um sistema judicial falho e covarde, e convencido de que a Europa está sendo destruída por imigrantes criminosos, Sanders decide fazer justiça com as próprias mãos.
Financiando sua cruzada com o dinheiro dos aluguéis de seus inquilinos, ele passa a executar criminosos, policiais e juízes, gravando manifestos em vídeo que viralizam e o transformam em uma celebridade mundial na internet. Enquanto isso, ele precisa lidar com o inspetor da Interpol, Henry (Costas Mandylor), que está em seu encalço.
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Crítica do filme Citizen Vigilante
Um panfleto de ódio disfarçado de justiça
Citizen Vigilante tenta desesperadamente emular clássicos do cinema de justiceiros, como Desejo de Matar ou Taxi Driver, mas não tem um pingo da paixão, do estilo ou da inteligência dessas obras. O que vemos na tela é, na verdade, um panfleto político raso e preconceituoso. Uwe Boll simplifica problemas complexos da sociedade para entregar uma narrativa onde todos os imigrantes são vistos como monstros e a única solução possível é a violência preventiva e o assassinato.
O roteiro não abre espaço para ambiguidades morais. Sanders discursa sem parar sobre a “falência do sistema” e a culpa da esquerda, em monólogos intermináveis e constrangedores que parecem ter saído dos cantos mais obscuros de fóruns extremistas da internet. Em vez de debater a ineficiência da justiça, o filme opta pelo caminho mais preguiçoso: apontar o dedo para os estrangeiros e exaltar uma estética quase fascista de “limpeza” social.

Atuações robóticas e estética de dar pena
Se o texto já é intragável, a parte técnica consegue piorar a experiência. Armie Hammer, que já entregou boas performances em filmes como Me Chame Pelo Seu Nome, aqui está operando em um piloto automático assustador. Vestindo uma gola alta preta com jaqueta (uma escolha de figurino no mínimo sufocante), ele não demonstra carisma ou emoção alguma, parecendo um robô recitando falas preconceituosas. A tentativa de transformá-lo em um anti-herói frio e calculista, similar ao Batman, falha miseravelmente e apenas evidencia o declínio de sua carreira.
A direção de Uwe Boll também continua um desastre. A fotografia é horrível, com uma paleta de cores confusa que vai do “verde sépia” ao “amarelo xixi” sem qualquer coerência. A montagem do filme tenta imitar o estilo picotado de Christopher Nolan, mas acaba criando uma confusão visual onde o espectador mal consegue entender o que está acontecendo nas cenas. Além disso, o diretor nitidamente estica cenas banais — como uma mulher passando compras no caixa ou policiais subindo lances de escada — apenas para fazer o filme chegar aos 89 minutos de duração.
Ação genérica e a violência pela violência
Para os fãs mais fervorosos de filmes de ação “brucutu”, talvez haja um ou outro momento de diversão culposa. O longa não economiza no sangue falso e entrega execuções gráficas, como rostos sendo explodidos e tiroteios frenéticos. Tem até um juiz no filme convenientemente batizado de “Judge Reinhold”, o que arranca algumas risadas involuntárias.
No entanto, a maior parte das sequências de ação é burra e mal coreografada. O maior exemplo disso é a ridícula cena da “killbox” (caixa da morte), onde o protagonista se tranca em um contêiner de metal e massacra fileiras de policiais da SWAT, que simplesmente correm para a linha de tiro como se fossem zumbis de videogame. E, de forma covarde, o diretor faz questão de esconder sua violência quando se trata de vítimas brancas, como quando uma adolescente simplesmente desaparece magicamente da tela no momento em que o vigilante começa a espancar seus amigos.
Citizen Vigilante é tão ruim assim?
Citizen Vigilante é, sem dúvidas, uma das piores experiências cinematográficas de 2026. É um filme que se esconde atrás de uma falsa pretensão de debater problemas reais da Europa para entregar uma obra incoerente, vazia e perigosa em sua mensagem.
A obra falha em absolutamente todos os requisitos básicos do cinema: tem atuações pífias, estética amadora e um roteiro ofensivo. No fim das contas, a parceria entre Uwe Boll e Armie Hammer parece ter sido um mau negócio para ambos. Se você procura um bom suspense sobre vingança, passe longe desse desastre caça-cliques que só sobreviveu na mídia graças à gritaria das redes sociais.
Onde assistir ao filme Citizen Vigilante?
O filme foi disponibilizado no X (antigo Twitter) por 48 horas e esteve no catálogo do Prime Video dos Estados Unidos.
Trailer de Citizen Vigilante (2026)
Elenco do filme Citizen Vigilante
- Armie Hammer
- Costas Mandylor
- Neb Chupin
- Vjekoslav Katusin
- Lennart Betzgen
- Benjamin Schnau
Ficha técnica
- Título: Citizen Vigilante (originalmente concebido como The Dark Knight)
- Direção e Roteiro: Uwe Boll
- Duração: 89 minutos
- Lançamento: 2026
- Distribuição: Quiver Distribution
- Países de Produção: Croácia e Alemanha
















