A espera acabou, mas se você estava esperando aquele calorzinho reconfortante logo de cara, pode tirar o cavalinho da chuva — ou melhor, da seca que assola Piedras Negras. A segunda e última temporada de Como Água Para Chocolate chegou à HBO Max neste domingo, 15 de fevereiro de 2026, com a missão de encerrar a saga baseada na obra de Laura Esquivel. E olha, o prato servido na estreia não é doce; é complexo, amargo e cheio de texturas.
A série, produzida por Salma Hayek, decidiu não aliviar para o espectador. Se a primeira temporada nos deixou com um final impactante, este retorno prova que a estratégia agora é aprofundar as feridas antes de tentar curá-las. Esqueça a pressa: o lançamento semanal dos episódios (que vai até 22 de março) nos obriga a digerir lentamente esse drama.
Sinopse do episódio
A trama recomeça exatamente nos escombros emocionais deixados anteriormente. Tita (Azul Guaita) sofreu um colapso total. Acreditando que Pedro (Andrés Baida) foi fuzilado e ainda lidando com a morte do pequeno Roberto, ela “quebra” psicologicamente. O resultado? Ela é internada em um manicômio (ou convento, dependendo da perspectiva das freiras), onde para de falar e de comer, rejeitando a vida que lhe foi imposta.
Enquanto isso, o destino prega uma peça cruel: Pedro não morreu. Ele sobreviveu à execução e foi resgatado pelos rebeldes, incluindo Gertrudis e Juan. Mas quem realmente entra em cena para mudar o jogo é o Dr. John Brown. Ele resgata Tita do isolamento e a leva para sua casa, iniciando um processo de cura paciente e cheio de ternura. O episódio culmina num desencontro devastador: Pedro, já recuperado, vai atrás de sua amada, apenas para vê-la feliz e beijando o médico, decidindo, num ato de maturidade (ou resignação), deixá-la em paz.
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Crítica do episódio 1 da temporada 2 de Como Água Para Chocolate
O peso ensurdecedor do silêncio
O grande destaque desse episódio é, ironicamente, a falta de diálogos da protagonista. Azul Guaita entrega uma performance física impressionante. Tita decide se calar diante do mundo, e esse silêncio grita mais alto que qualquer discussão acalorada na fazenda dos De la Garza.
A série acerta em cheio ao mostrar que o luto de Tita não é apenas tristeza, é uma anulação da existência. Ela para de comer, para de interagir; ela vira um fantasma em vida. É uma aposta arriscada deixar a protagonista muda por boa parte da estreia, mas funciona para nos fazer sentir o vazio que ela sente.

A química da cura: fósforos e paciência
Enquanto o romance com Pedro sempre foi fogo e paixão proibida, a dinâmica com o Dr. Brown (Francisco Angelini) traz uma energia diferente, focada no cuidado. A cena em que ele explica o experimento com o fósforo — a teoria da “caixa de fósforos” da alma — é, sem dúvida, o coração do episódio.
É ali, desenhando nas paredes e reacendendo sua chama interna, que Tita começa a voltar à vida. A série constrói essa relação com uma delicadeza ímpar, sem pressa, mostrando que o amor também pode ser sinônimo de paz e reconstrução, não apenas de sofrimento.
Realismo mágico e a cozinha como linguagem
Para os fãs do livro e do realismo mágico, a série continua visualmente rica. A cozinha volta a ser o centro de tudo, mas agora ressignificada. Quando Tita volta a cozinhar na casa do Dr. Brown, não é apenas para alimentar os outros, mas para se reconectar consigo mesma.
A maneira como seus sentimentos afetam o ambiente — como o quarto ficando gélido com seu coração partido — continua sendo um recurso visual poderoso que a direção de Julián de Tavira explora muito bem.
A maturidade de Pedro (finalmente!)
Precisamos falar sobre o Pedro. Depois de passar tanto tempo sendo um personagem movido puramente pelo desejo e, sejamos honestos, um pouco egoísta, ele finalmente mostra evolução. Ao ver Tita feliz com o Dr. Brown e optar por não interferir, ele demonstra um tipo de amor que coloca o bem-estar dela acima da posse.
É um momento agridoce. A gente torce pelo casal principal, claro, mas é impossível não sentir um respeito novo pelo Pedro ao vê-lo recuar para não causar mais dor.
Conclusão
O episódio 1 da 2ª temporada de Como Água Para Chocolate não veio para brincar. É um retorno denso, marcado pelo luto e pela necessidade de se reinventar após a tragédia. A série prova que, mesmo sabendo que o fim está próximo (a temporada é curta, com apenas seis episódios), há muito espaço para desenvolver a complexidade desses personagens.
Se você esperava um romance fácil, vai quebrar a cara. Mas se você quer uma narrativa madura, com atuações entregues e uma fotografia que honra a “magia” da obra original, esse banquete está servido. A mesa está posta, mas o sabor, por enquanto, é de saudade e reconstrução. Resta saber se, até o final em março, Tita conseguirá equilibrar os ingredientes de sua vida ou se o fogo vai consumir tudo de vez.
Onde assistir à temporada 2 de Como Água Para Chocolate?
Trailer da 2ª temporada de Como Água Para Chocolate
Elenco da segunda temporada de Como Água Para Chocolate
- Irene Azuela
- Azul Guaita
- Ana Valeria Becerril
- Andrea Chaparro
- Andres Baida
- Ángeles Cruz
- Mauricio García Lozano
- Ari Brickman

















