Corações Jovens crítica do filme 2025 Flixlândia

[CRÍTICA] ‘Corações Jovens’: a delicadeza do primeiro amor em um mundo silencioso

Foto: Mares Filmes / Divulgação
Compartilhe

Nesta quinta-feira, dia 13 de novembro, os cinemas brasileiros receberam o drama belga Corações Jovens (Young Hearts), o elogiado filme de estreia do cineasta e roteirista Anthony Schatteman. E, olha, não é exagero dizer que essa é uma daquelas pérolas cinematográficas que chegam de mansinho, mas prometem ocupar um espaço gigante no coração do público.

Aclamado por onde passou, com prêmios em festivais como a Berlinale (Generation Kplus Special Mention) e Cannes —, o filme nos oferece um retrato honesto, melancólico e surpreendentemente universal sobre a descoberta da sexualidade e do primeiro amor.

Longe dos holofotes de Hollywood, essa coprodução belga-holandesa prova que a força de uma história está na sua sinceridade e na coragem de mergulhar no turbilhão de emoções internas da juventude.

➡️ Frete grátis e rápido na AMAZON! Confira o festival de ofertas e promoções com até 80% OFF para tudo o que você precisa: TVs, celulares, livros, roupas, calçados e muito mais! Economize já com descontos imperdíveis!

Sinopse

A trama nos transporta para uma vila rural e acolhedora na região de Flandres, na Bélgica, onde vive Elias (interpretado pelo notável Lou Goossens), um garoto de 14 anos com uma vida aparentemente comum. Sua família é amorosa, embora tenha uma particularidade: o pai, Luk (Geert Van Rampelberg), vive um sucesso tardio e inesperado como uma sensação pop local, com músicas que falam, ironicamente, sobre como “o primeiro amor acende o fogo no seu coração”.

A rotina e a autoimagem de Elias são abaladas quando Alexander (Marius De Saeger) se muda para a casa da frente, vindo da agitada Bruxelas. Alexander carrega uma maturidade e uma leveza que contrastam com o mundo provinciano de Elias, e o que é mais importante: ele fala abertamente sobre ter amado um garoto antes.

O encontro entre esses dois mundos desencadeia em Elias uma confusão silenciosa e poderosa. Ele se apaixona pela primeira vez, mas não tem o vocabulário emocional para entender ou articular esse novo sentimento, que a sociedade à sua volta o ensinou a internalizar como algo que não é o “normal”.

➡️ Quer saber mais sobre filmesséries e streamings? Então acompanhe o trabalho do Flixlândia nas redes sociais pelo INSTAGRAMXTIKTOKYOUTUBEWHATSAPP, e GOOGLE NOTÍCIAS, e não perca nenhuma informação sobre o melhor do mundo do audiovisual.

Resenha crítica de Corações Jovens

Anthony Schatteman, vindo de uma carreira consolidada em curtas e séries, estreia em longas com uma confiança e calma admiráveis. Em Corações Jovens, ele faz uma escolha corajosa e essencial: fugir do caminho fácil do trauma. O filme se afasta do clichê de dramas LGBTQIA+ onde a violência física ou verbal é o motor da história.

Não há aqui pais homofóbicos gritando ou agressões explícitas; em vez disso, o filme investe no drama interno, no desenvolvimento do personagem. Schatteman nos mostra que o processo de amadurecimento e a descoberta da orientação sexual já são inerentemente traumáticos, mesmo em um ambiente “neutro” ou minimamente aceitável. É nessa recusa em hiperdramatizar que o filme ganha uma honestidade emocional rara.

Corações Jovens crítica do filme 2025 Flixlândia (1)
Foto: Mares Filmes / Divulgação

O peso silencioso da normalidade heteronormativa

Este é, talvez, o ponto mais original e doloroso do filme. Elias cresce em uma sociedade que não é ativamente tóxica, mas é profundamente heteronormativa. Seus pais o amam, mas não criaram um contexto onde ele pudesse, implicitamente, sentir que não precisa esconder quem ele é. O pai, absorvido em seu sucesso pop, e a mãe, amorosa, mas hesitante, falham em criar um espaço de diálogo.

A ausência de opressão externa é substituída pela opressão da própria “normalidade” esperada. O filme nos mostra, de maneira pungente, a construção embrionária de uma identidade que se sente forçada a se fechar em um armário, não por causa de um vilão, mas por um silêncio social.

Ver Elias tentar resolver seu caos interior para provar que merece o coração de Alexander é, em muitos aspectos, mais doloroso do que o conflito clássico, pois demonstra como até mesmo uma sociedade meramente neutra pode impedir alguém de se sentir seguro em sua própria identidade.

Atuações, estética e a poesia do olhar tímido

O elenco é um grande acerto. Lou Goossens, em seu primeiro papel no cinema, é um ator para se prestar atenção. Seu Elias é uma tela de emoções sutis e um turbilhão interior. Ele não precisa de falas grandiosas, basta um olhar hesitante, um ombro encolhido ou um sorriso contido para nos transmitir o medo e a beleza do despertar.

Marius De Saeger, como Alexander, oferece o contraponto perfeito: ele é o “menino da cidade” que age como um guia empático e experiente para o neófito Elias, injetando uma dose de segurança e curiosidade na tela.

Essa história é embalada por uma estética visual que merece destaque. A fotografia de Pieter Van Campe é luminosa e calorosa, com tons pastorais que reforçam o contraste entre a serenidade do exterior rural e a tormenta íntima do protagonista.

O uso da câmera na mão em momentos-chave, como na conversa importante entre os garotos, serve para nos imergir ainda mais no filme, funcionando como uma afirmação do estado emocional dos personagens e da instabilidade do mundo ao seu redor.

Conclusão

Corações Jovens é um filme que escolhe a ternura em vez do sofrimento, a empatia em vez da manipulação emocional. Schatteman consegue entregar uma obra de estreia que não busca manchetes, mas sim uma carreira sustentável e pautada na sensibilidade. É um filme que, inevitavelmente, convida comparações com a estética belga de Lukas Dhont (como em Close), mas se beneficia de uma honestidade orgânica que Dhont nem sempre alcança.

É um retrato real e melancólico, mas que no fim das contas aquece o coração. Seja você LGBTQIA+ ou não, a jornada de Elias é um lugar comum: é sobre a confusão, a beleza e a coragem do primeiro amor. Para quem busca uma história que compreenda a adolescência em todas as suas nuances, sem julgamentos e com uma delicadeza rara, Corações Jovens é imperdível.

Onde assistir ao filme Corações Jovens?

O filme estreou nesta quinta-feira, 13 de novembro de 2025, exclusivamente nos cinemas brasileiros.

Trailer de Corações Jovens (2025)

YouTube player

Elenco do filme Corações Jovens

  • Lou Goossens
  • Marius De Saeger
  • Geert Van Rampelberg
  • Emilie De Roo
  • Dirk van Dijck
  • Jul Goossens
  • Ezra Van Dongen
  • Olivier Englebert
Escrito por
Juliana Cunha

Editora na ESPN Brasil e fã de cultura pop, Juliana se classifica como uma nerd saudosa dos grandes feitos da Marvel.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Procuram-se colaboradores
Procuram-se colaboradores

Últimas

Artigos relacionados
‘Love Me, Love Me’ o que sabemos sobre a adaptação do tórrido romance que promete abalar as estruturas no streaming (1)
Críticas

Nem tudo é o que parece: uma análise sincera de ‘Love Me, Love Me’

Sejamos honestos: quem resiste a um bom drama adolescente ambientado em escolas...

A Cela dos Milagres 2026 crítica do filme da Netflix - Flixlândia (1)
Críticas

‘A Cela dos Milagres’ é um misto de lágrimas e clichês

Se você abriu a Netflix nesta sexta-feira (13), provavelmente deu de cara...

Caju, Meu Amigo crítica do filme do Globoplay 2026 - Flixlândia
Críticas

‘Caju, Meu Amigo’: entre o afeto canino e as cicatrizes de uma tragédia

Falar sobre tragédias recentes é sempre caminhar em um campo minado, e...

A Sapatona Galáctica 2026 crítica do filme animação - Flixlândia
Críticas

‘A Sapatona Galáctica’ é uma joia do cinema indie que transborda originalidade

A Sapatona Galáctica (um título que, por si só, já convida ao...

Confira a resenha crítica do filme Caminhos do Crime (Crime 101), suspense de 2026 com Chris Hemsworth, Halle Berry e Mark Ruffalo
Críticas

‘Caminhos do Crime’: quando torcer pelo bandido parece a escolha mais fácil

Olá, meu caro apreciador de blockbusters! Bem-vindo! Baseado em Crime 101 (título...

O Morro dos Ventos Uivantes 2026 crítica do filme Flixlândia
Críticas

‘O Morro dos Ventos Uivantes’ (2026): paixão em excesso como linguagem

Dirigido por Emerald Fennell, O Morro dos Ventos Uivantes (2026) propõe uma...

Meu Amor É Um Príncipe 2017 crítica do filme Netflix Flixlândia
Críticas

‘Meu Amor É Um Príncipe’: química do casal vale o seu tempo na Netflix

Sabe aqueles dias em que a realidade pesa um pouco e tudo...

The Rose Come Back to Me crítica do documentário 2026 Flixlândia
Críticas

‘The Rose: Come Back To Me’ funciona como um abraço caloroso para os fãs

The Rose: Come Back to Me é um documentário imersivo sobre a...