Corta-fogo crítica do filme da Netflix 2026 - Flixlândia

O inimigo mora ao lado: como ‘Corta-Fogo’ transforma a dor em desespero

Foto: Netflix / Divulgação
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Sabe aquele tipo de filme que mistura o desespero de um desastre natural com os piores instintos do ser humano? Pois é exatamente nessa ferida que Corta-Fogo (Cortafuego), o novo thriller espanhol da Netflix dirigido por David Victori, tenta tocar.

Lançado em fevereiro de 2026, o longa aposta em uma premissa sufocante: uma criança desaparecida em meio a um incêndio florestal. Mas será que a tensão se sustenta ou a história acaba morrendo na praia (ou melhor, nas cinzas)? A verdade é que o filme entrega um suspense psicológico intrigante, mas escorrega nas próprias ambições e na forma como resolve seus conflitos.

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Sinopse

A trama acompanha Mara (Belén Cuesta), uma viúva recente que viaja com sua filha pequena, Lide, e parte da família – o cunhado Luis (Joaquín Furriel), a esposa dele e o filho do casal – para a antiga cabana de verão no meio da floresta. O objetivo da viagem é esvaziar a casa para vendê-la e tentar seguir em frente após a morte do marido.

Porém, o que era para ser uma despedida dolorosa vira um pesadelo completo: Lide desaparece na mata exatamente no momento em que um incêndio devastador começa a tomar conta da região. Com as buscas oficiais paralisadas por causa do fogo, Mara e Luis ignoram as ordens de evacuação e começam a procurar a garota por conta própria.

Isolados e tomados pelo desespero, eles logo começam a suspeitar que o vizinho excêntrico, o guarda-florestal Santiago (Enric Auquer), tem algo a ver com o sumiço da menina. A partir daí, a busca vira um barril de pólvora de desconfiança e agressividade.

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Crítica do filme Corta-fogo, da Netflix

O incêndio como metáfora

Um dos pontos mais interessantes de Corta-Fogo é como o roteiro usa o incêndio para simbolizar o estado mental dos personagens. O fogo que consome a floresta lá fora reflete perfeitamente a dor, a raiva e a frustração queimando dentro de Mara e Luis.

O filme acerta em cheio ao mostrar como o medo, combinado com um trauma recente, pode fazer com que pessoas comuns tomem decisões completamente irracionais e violentas. No meio de uma crise, a lógica vai para o espaço, e a história não tem medo de mostrar esse lado feio e desesperado do ser humano.

Corta-fogo crítica do filme da Netflix 2026 - Flixlândia review
Foto: Netflix / Divulgação

Atmosfera tensa e direção sufocante

A direção de David Victori aposta muito em uma câmera na mão trêmula, colada nos atores, para passar essa sensação de urgência e pânico. Embora alguns achem que esse recurso é um pouco forçado e até excessivo, não dá para negar que a atmosfera claustrofóbica da floresta em chamas funciona muito bem.

Você realmente sente a ameaça do fogo, e o isolamento dos personagens cria um suspense constante. Em vez de apelar para sustos fáceis, o longa constrói o medo através da paranoia: o pior perigo não é apenas o incêndio, mas a total incapacidade de saber em quem confiar.

Atuações de peso, mas um roteiro falho

Se o filme te prende, muito se deve ao elenco. Belén Cuesta entrega uma performance crua como a mãe em pânico, mostrando toda a sua vulnerabilidade sem cair em um melodrama barato. Enric Auquer também brilha como Santiago, construindo um personagem incômodo e ambíguo que te faz duvidar de suas intenções o tempo todo.

O grande problema de Corta-Fogo está no desenvolvimento do roteiro. A obsessão de Mara e Luis em culpar Santiago escala de uma forma que beira o inverossímil. Eles sequestram e torturam o cara com uma facilidade e cegueira que soam exageradas, sem pensar nas consequências.

Além disso, o filme joga informações na tela – como mensagens estranhas no celular de Santi – e simplesmente esquece de explicá-las depois, deixando pontas soltas bem frustrantes. O terceiro ato também decepciona ao escolher um caminho muito “seguro”. Depois de toda a violência moral e física cometida pela família, o filme resolve as coisas com facilidade, e os protagonistas terminam sem sofrer consequências reais pelo que fizeram.

Conclusão

No fim das contas, Corta-Fogo é um thriller psicológico sólido que vale o play num final de semana. Ele consegue manter a tensão lá em cima e traz ótimas atuações, entregando uma mensagem forte sobre luto e como o medo nos divide.

Porém, o roteiro perde força da metade para o final com algumas decisões convenientes, pontas soltas e uma falta de impacto moral em seu desfecho. É o típico filme que entretém e te deixa tenso no sofá, mas que, com um pouquinho mais de coragem no roteiro, poderia ter sido inesquecível.

Onde assistir online ao filme Corta-fogo?

Trailer de Corta-fogo (2026)

YouTube player

Elenco de Corta-fogo, da Netflix

  • Belén Cuesta
  • Enric Auquer
  • Joaquín Furriel
  • Diana Gómez
  • Candela Martínez
  • Mika Arias
Escrito por
Wilson Spiler

Formado em Design Gráfico, Pós-graduado em Jornalismo e especializado em Jornalismo Cultural, com passagens por grandes redações como TV Globo, Globonews, SRZD e Ultraverso.

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