Crítica da série 'Ángela', da Netflix (2025) - Flixlândia

‘Ángela’: minissérie espanhola da Netflix merece ser vista, apesar dos tropeços

Foto: Netflix / Divulgação
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Lançada inicialmente na Atresplayer e agora também disponível na Netflix, “Ángela” é uma série espanhola em seis episódios que adapta a produção britânica Angela Black para os códigos culturais e estéticos da ficção espanhola.

Dirigida por Norberto “Tito” López-Amado e estrelada por Verónica Sánchez, a produção se apoia no suspense psicológico para retratar uma mulher aparentemente feliz, mas emocionalmente aprisionada em uma relação abusiva. A promessa inicial de uma trama tensa e envolvente, no entanto, esbarra em reviravoltas questionáveis e um roteiro que flerta perigosamente com o lugar-comum.

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Qual é a história de Ángela?

Ángela (Verónica Sánchez) é arquiteta, casada com o também arquiteto Gonzalo (Daniel Grao), com quem vive em uma casa dos sonhos ao lado das duas filhas pequenas. De fora, a vida do casal parece exemplar. No interior do lar, porém, Ángela é vítima de violência física e psicológica, controlada por um marido obsessivo e manipulador.

Tudo muda quando surge Edu (Jaime Zatarain), um suposto colega de juventude que desperta nela lembranças e sentimentos adormecidos. Ele lhe revela segredos obscuros sobre Gonzalo — inclusive a suspeita de que o marido planeja matá-la. A partir daí, Ángela começa a questionar a própria sanidade, mergulhada em uma espiral de paranoia e tensão, onde nem tudo é o que parece.

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Crítica da série Ángela

O maior trunfo da série é Verónica Sánchez. Sua entrega ao papel de Ángela é visceral: ela transita com segurança entre a fragilidade emocional, o medo paralisante e a luta silenciosa por sobrevivência. É graças à sua performance que o público se conecta com a dor da personagem, mesmo quando o roteiro hesita.

Sánchez sustenta momentos intensos apenas com expressões contidas e uma linguagem corporal cheia de nuances — ainda que o excesso de suspiros e mãos no rosto, apontado por parte do público, acabe revelando uma limitação de direção na repetição desses recursos.

Gonzalo: o rosto do abuso normalizado

Daniel Grao constrói um Gonzalo inquietante, um vilão sem caricaturas. Seu personagem representa o perfil clássico do abusador que seduz socialmente enquanto, dentro de casa, neutraliza a vítima por meio do medo e da culpa. Grao interpreta essa duplicidade com precisão, fazendo com que cada gesto aparentemente banal — a forma como organiza objetos ou se dirige à esposa — carregue ameaça e controle.

Essa representação da violência masculina cotidiana, silenciosa e normalizada, é um dos pontos altos da série. E o faz sem recorrer ao espetáculo da brutalidade, algo que torna o horror mais real e desconfortável.

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Cena da série 'Ángela', da Netflix (2025) - Flixlândia
Verónica Sánchez é o maior trunfo da minissérie “Ángela” (Foto: Netflix / Divulgação)

Entre o suspense eficaz e os tropeços de roteiro

A ambientação da série é impecável. As paisagens da costa basca, o céu nublado, o mar revolto — tudo funciona como metáfora visual da tempestade interna de Ángela. A trilha sonora de Pablo Cervantes reforça a tensão e o ritmo é, nos dois primeiros episódios, envolvente.

O problema é que a história, que começa com densidade e promessas de camadas psicológicas complexas, vai se tornando cada vez mais dependente de reviravoltas forçadas. Há momentos em que a dúvida sobre a sanidade da protagonista é instigante, mas essa ambiguidade perde força ao ser usada repetidamente para manter o suspense. O mistério sobre Edu — real ou invenção da mente de Ángela? — é interessante a princípio, mas acaba gerando mais confusão do que profundidade.

Da metade em diante, a narrativa começa a tropeçar em clichês típicos de thrillers genéricos, com decisões de personagens que desafiam a lógica e giros que exigem mais suspensão de descrença do que o aceitável para uma trama que se pretende realista.

A violência que se cala, mas não desaparece

Apesar de suas falhas, Ángela acerta ao colocar a violência de gênero no centro da discussão, especialmente aquela que não aparece nos jornais, mas se repete, em silêncio, entre quatro paredes. A série mostra como o medo, a culpa e a dependência emocional constroem prisões invisíveis, das quais é quase impossível escapar sem ajuda externa — ainda que essa ajuda, como no caso de Edu, venha com sua própria carga de manipulação.

É também relevante a forma como a produção adapta a trama britânica ao contexto espanhol, valorizando elementos culturais locais e priorizando uma abordagem mais intimista, focada no ponto de vista da vítima, ainda que isso torne a narrativa menos objetiva e mais nebulosa.

Vale a pena assistir Ángela na Netflix?

Ángela é uma série que merece ser vista, apesar dos tropeços. Com um trabalho sólido de atuação, ambientação bem explorada e uma temática urgente, ela consegue capturar o espectador nos primeiros episódios. No entanto, a insistência em giros pouco verossímeis e a fragilidade de alguns arcos enfraquecem o impacto final da obra.

Mesmo assim, o retrato do abuso psicológico e a atuação sensível de Verónica Sánchez garantem que Ángela não passe despercebida. Para quem busca um thriller psicológico com carga emocional e tensão doméstica, ainda que imperfeito, esta é uma aposta válida — e necessária.

Assista ao trailer de Ángela

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Elenco da série Ángela

  • Verónica Sánchez
  • Daniel Grao
  • Jaime Zatarain
  • Lucía Jiménez
  • María Isabel Díaz Lago

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Escrito por
Taynna Gripp

Formada em Letras e pós-graduada em Roteiro, tem na paixão pela escrita sua essência e trabalha isso falando sobre Literatura, Cinema e Esportes. Atual CEO do Flixlândia e redatora do site Ultraverso.

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