O Som da Morte 2026 resenha crítica do filme Flixlândia

‘O Som da Morte’: muito barulho por nada

Foto: Paris Filmes / Divulgação
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Recentemente, uma discussão interessante tomou conta de Hollywood, impulsionada por falas de figuras como Matt Damon: a ideia de que o streaming moldou roteiros “mais burros”, feitos para serem consumidos enquanto o espectador mexe no celular ou cozinha. Se existe um gênero que se tornou o sintoma terminal desse diagnóstico, é o terror mainstream norte-americano.

“O Som da Morte” (Whistle), que chega aos cinemas nesta quinta-feira (05/02), é a prova cabal disso. É um filme que não pede sua atenção; ele grita por ela a cada cinco minutos, não com enredo, mas com barulho.

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Sinopse

Dirigido por Corin Hardy (que já havia nos dado o visualmente interessante, mas narrativamente fraco A Freira), o filme segue a cartilha básica: um grupo de desajustados encontra um artefato asteca — o tal Apito da Morte — e, ao soprá-lo, sela seu destino. A morte vem buscar cada um, precedida por um som que, teoricamente, deveria ser aterrorizante.

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Resenha crítica do filme O Som da Morte

O problema começa justamente aí: no som. Para um filme que coloca a audição no título, o design sonoro é decepcionante. Não há construção de tensão. Lembre-se da atmosfera opressora de “Suspiria” (tanto o clássico de Argento quanto o remake), onde a música e o ambiente te deixavam com os nervos à flor da pele antes mesmo de qualquer sangue ser derramado. Ou da originalidade de “Corra!”, onde o terror era social, palpável e inteligente.

Aqui, o “som da morte” é genérico, incapaz de causar um calafrio real. É apenas o gatilho para o famigerado jumpscare — o recurso mais preguiçoso do horror moderno. É como se o diretor estivesse segurando um contador de sustos: “Ah, passaram-se 4 minutos sem um barulho alto? Insira um grito agora!”.

A premissa de uma maldição que persegue jovens não é nova. Tivemos exemplos brilhantes recentes, como “A Corrente do Mal”, que usou essa ideia para criar uma paranoia constante e sufocante sobre a inevitabilidade da morte (e da vida sexual adulta). Já em “O Som da Morte”, a maldição serve apenas para empurrar personagens de uma cena de morte para outra, com diálogos expositivos que parecem ter sido escritos por uma IA programada para explicar o óbvio.

O Som da Morte 2026 resenha crítica do filme Flixlândia (1)
Foto: Paris Filmes / Divulgação

Pena pelo elenco

Chega a dar pena do elenco. Dafne Keen (a eterna X-23 de Logan) e Sophie Nélisse (Yellowjackets) são atrizes de calibre, que tentam injetar alguma humanidade em personagens bidimensionais. A química entre suas personagens, Ellie e Chrys, é a única coisa que pulsa com vida em meio a tanta morte artificial.

Há um romance ali, uma conexão genuína que o roteiro quase acidentalmente acerta, mas que logo é soterrada por mais um efeito visual exagerado. Até o veterano Nick Frost, sempre carismático, parece estar ali apenas cumprindo tabela, perdido em um filme que não sabe se quer ser sério ou trash.

Tecnicamente, o diretor de fotografia Bjorn Charpentier tenta criar algo bonito com cores saturadas e enquadramentos interessantes, mas a montagem picota tudo em uma tentativa frenética de manter o público da “geração TikTok” acordado.

Conclusão

No fim, “O Som da Morte” é o equivalente cinematográfico de um trem fantasma de parque de diversões barato: você sabe exatamente onde o boneco vai pular, você leva o susto pelo barulho alto, mas sai do brinquedo sentindo absolutamente nada. Se a intenção era fazer um filme para ser assistido enquanto se lava a louça, parabéns aos envolvidos. Mas se a ideia era cinema, o silêncio teria sido mais assustador.

Onde assistir ao filme O Som da Morte?

O filme estreia nesta quinta-feira, 5 de fevereiro de 2026, exclusivamente nos cinemas brasileiros.

Trailer de O Som da Morte (2026)

YouTube player

Elenco do filme O Som da Morte

  • Dafne Keen
  • Sophie Nélisse
  • Percy Hynes White
  • Nick Frost
  • Ali Skovbye
  • Sky Yang
  • Stephen Kalyn
  • Michelle Fairley
Escrito por
Cadu Costa

Cadu Costa era um camisa 10 campeão do Vasco da Gama nos anos 80 até ser picado por uma aranha radioativa e assumir o manto do Homem-Aranha. Pra manter sua identidade secreta, resolveu ser um astro do rock e rodar o mundo. Hoje prefere ser somente um jornalista bêbado amante de animais que ouve Paulinho da Viola e chora pelos amores vividos. Até porque está ficando velho e esse mundo nem merece mais ser salvo.

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