A cinebiografia Dark Horse, que promete contar a história do ex-presidente Jair Bolsonaro nas telonas, virou o centro de um verdadeiro roteiro de tensões políticas e financeiras. Com a aproximação das eleições de 2026, a estreia, que estava inicialmente ventilada para setembro, corre um sério risco de ser adiada.
A ideia de postergar o lançamento partiu da própria defesa da produtora do longa. O objetivo? Evitar que a superprodução seja vista como um cabo eleitoral disfarçado de arte.
Abaixo, a gente destrincha toda a polêmica envolvendo as cifras milionárias, a tentativa de censura no tribunal e a briga política que já está rolando nos bastidores.
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Por que o lançamento do filme Dark Horse pode ser adiado?
A dona da Go Up Entertainment, a empresária Karina Ferreira da Gama, confirmou que está analisando a possibilidade de segurar a estreia do filme para depois do pleito eleitoral.
O advogado de Karina, Ricardo Sayeg, foi quem recomendou o freio. Ele explicou que a intenção é afastar qualquer dúvida sobre a “natureza cultural e artística” do projeto. A decisão final está sendo alinhada com os parceiros nos Estados Unidos. E as ambições da equipe não são pequenas: segundo o advogado, o foco principal deles é a disputa do Oscar, mirando em categorias de peso como melhor filme, direção, roteiro original e atores.
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A decisão do TSE e a tentativa de barrar a estreia
Enquanto a produtora planeja seus próximos passos, a oposição tentou barrar a exibição do longa na Justiça. O deputado federal Rogério Correia (PT-MG) e o advogado Marco Aurélio de Carvalho, ligado ao Grupo Prerrogativas, acionaram o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para impedir o lançamento de Dark Horse. Eles alegaram que a estreia, às vésperas da votação, configuraria propaganda eleitoral antecipada, beneficiando o senador Flávio Bolsonaro, que é pré-candidato à Presidência da República.
A dupla também levantou suspeitas sobre abuso de poder econômico e financiamento irregular com recursos fora da contabilidade eleitoral.
No entanto, o presidente do TSE, o ministro Kassio Nunes Marques, rejeitou o pedido e extinguiu a ação sem sequer analisar o mérito das acusações. O motivo foi puramente processual: para o ministro, nem o deputado (que é pré-candidato em Minas Gerais) nem o advogado têm legitimidade jurídica para questionar uma propaganda envolvendo um cargo de nível nacional (a presidência).
Qual o orçamento de Dark Horse e quem financiou?
Fazer cinema custa caro, e o orçamento de Dark Horse não ficou imune a investigações. A produtora declarou que o filme custou R$ 75 milhões (cerca de US$ 13,3 milhões aportados pelo fundo americano Havengate Development Fund LP). Do total, R$ 20 milhões foram gastos no Brasil e pouco mais de R$ 54 milhões nos EUA.
Esse valor veio a público por meio de uma perícia privada contratada pela própria produtora. A intenção da perícia era provar que todo o dinheiro investido tem origem privada e atestar que a obra não usou verbas públicas.
Essa prestação de contas foi anexada a um inquérito policial que investiga um outro negócio de Karina Ferreira da Gama. Ela também é dona do Instituto Conhecer Brasil (ICB), uma ONG que assinou um contrato de R$ 108 milhões com a Prefeitura de São Paulo para instalar pontos de internet wi-fi. A polícia apura um suposto direcionamento do contrato para a ONG, que não tinha experiência na área de telecomunicações, além de pagamentos por serviços com valores acima do mercado e atraso na entrega de milhares de pontos de wi-fi.
Vale lembrar que, segundo uma reportagem anterior do site Intercept Brasil, o custo do filme teria sido negociado na casa dos R$ 134 milhões em conversas entre Flávio Bolsonaro e o empresário Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. A perícia do filme rebateu esse número, mostrando que o orçamento aprovado era de quase R$ 90 milhões.
O que diz o PT sobre o escândalo?
As supostas ligações financeiras viraram munição para o Partido dos Trabalhadores. O presidente nacional do PT, Edinho Silva, afirmou em entrevista que o caso pode gerar um grande desgaste ao bolsonarismo caso as investigações tragam novos fatos à tona.
Edinho destacou um áudio vazado entre Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro, afirmando que a gravação é uma prova factual da intimidade entre os dois. Para o presidente do PT, a sobrevivência política de Flávio não significa que ele terá fôlego eleitoral para disputar um projeto de poder nacional após esse episódio.
Ficha Técnica do filme Dark Horse
Para quem está curioso sobre quem vai dar vida à família Bolsonaro nos cinemas, a produção escalou nomes conhecidos, misturando talentos nacionais e internacionais:
- Título: Dark Horse
- Produção: Go Up Entertainment (liderada por Karina Ferreira da Gama)
- Orçamento Estimado: R$ 75 milhões.
- Jair Bolsonaro: Interpretado pelo ator americano Jim Caviezel.
- Flávio Bolsonaro: Interpretado por Marcus Ornellas.
- Carlos Bolsonaro: Interpretado por Sérgio Barreto.
- Eduardo Bolsonaro: Interpretado por Eddie Finlay.
- Michelle Bolsonaro: Interpretada pela atriz norte-americana Camille Guaty.
- Laura Bolsonaro: Atriz não anunciada oficialmente.














