Desde que estreou em 1984, a franquia Shake, Rattle & Roll se consolidou como um dos maiores pilares do cinema de horror nas Filipinas, marcando gerações com traumas memoráveis da cultura pop local. Chegando ao seu 17º capítulo como uma das grandes atracões do Metro Manila Film Festival (MMFF 2025), Shake, Rattle & Roll: As Origens do Mal (Shake, Rattle & Roll: Evil Origins) carrega a responsabilidade de honrar um legado de quatro décadas produzido pela Regal Entertainment.
No entanto, sob o comando dos diretores Shugo Praico, Joey De Guzman e Ian Loreños, este novo longa de 148 minutos não se limita apenas a repetir a fórmula tradicional. Em vez de entregar três curtas totalmente isolados, o filme assume o risco inédito de costurar uma única mitologia de terror que atravessa séculos.
➡️ Compre na AMAZON com frete grátis e rápido!
Sinopse
A trama se desenvolve através da evolução da entidade maligna Malum, cuja presença aterrorizante se espalha por três eras distintas nas Filipinas. No primeiro capítulo, 1775, ambientado durante o período colonial espanhol, freiras de um convento isolado — incluindo Madre Clara (Carla Abellana) e Hermana Flor (Loisa Andalio) — enfrentam forças sombrias libertadas que usam a fé e o desejo contra elas.
Dando um salto para o presente, 2025 acompanha a jovem Faye (Francine Diaz) e seu irmão Sky (Sassa Gurl) em uma festa à fantasia que se transforma em um banho de sangue quando assassinos de um culto secreto atacam o local. Por fim, em 2050, um cenário pós-apocalíptico mostra uma Manila devastada e dominada por aswangs, onde a destemida Edris (Ivana Alawi) e o líder Rosdan (Richard Gutierrez) travam a batalha final para exterminar Malum de uma vez por todas.
➡️ Siga o canal FLIXLÂNDIA no WhatsApp
Crítica do filme Shake, Rattle & Roll: As Origens do Mal
O peso da tradição e a ousadia da conexão narrativa
O grande diferencial de Shake, Rattle & Roll: Evil Origins dentro da franquia é a tentativa de criar um universo compartilhado contínuo. Evitando aquele choque brusco de transição entre histórias tão comuns em antologias, a produção busca manter uma sensação constante de apreensão ao acompanhar a metamorfose do mal ao longo do tempo.
Por um lado, essa ambição dá um senso de propósito maior ao roteiro. Por outro, a ligação entre as três épocas nem sempre se sustenta de forma firme, deixando frestas na explicação de como a entidade Malum funciona em cada período.

1775: atmosfera gótica que esbarra no excesso de clichês
O segmento de abertura, 1775, dirigido por Shugo Praico, aposta forte na cenografia gótica e no horror religioso, remetendo diretamente ao clima de produções como A Freira. O grande trunfo aqui está nas atuações: Janice de Belen entrega uma presença firme como a rigorosa Mother Superior, Carla Abellana traz maturidade ao papel de Madre Clara, e a jovem Loisa Andalio se destaca como a força emotiva do capítulo, demonstrando potencial para se tornar uma grande scream queen do gênero.
O problema reside na execução do roteiro: com personagens superficiais, diálogos engessados e um trabalho de câmera por vezes confuso, o suspense acaba sufocado por uma sequência repetitiva de jump scares genéricos.
2025: o suprassumo slasher e o ponto alto do filme
Se o início arrasta, o capítulo intermediário, 2025, sob a direção de Joey De Guzman, assume o controle e rouba completamente o espetáculo. Transformando a tela em um slasher elétrico e extremamente divertido, o segmento combina batidas frenéticas de música eletrônica, iluminação vibrante e mortes violentas e criativas. O uso da trilha sonora durante a cena da pista de dança cria um dos momentos esteticamente mais marcantes de toda a franquia.
O elenco jovem transborda carisma e energia. Sassa Gurl é o grande alívio cômico da produção, roubando cada cena com um timing impecável, enquanto Karina Bautista entrega uma atuação magnética e surpreendente.
Além disso, a química das duplas FranSeth (Francine Diaz e Seth Fedelin) e JMFyang (JM Ibarra e Fyang Smith) adiciona um toque de charme que funciona muito bem no ritmo da perseguição. Apesar de pequenas falhas na dublagem de áudio e do subaproveitamento de Manilyn Reynes, é um segmento que funciona quase como um filme próprio e justifica o ingresso.
2050: ambição pós-apocalíptica prejudicada pela execução
Fechando a trilogia, 2050, dirigido por Ian Loreños, tenta entregar um épico pós-apocalíptico de ação com monstros. Visualmente, o trabalho de direção de arte ao recriar uma Manila deserta, com pontes e trens destruídos ao estilo de The Walking Dead ou jogos de RPG, impressiona em escala. As próteses e o maquiagem dos aswangs garantem criaturas rápidas e assustadoras, e Richard Gutierrez e Dustin Yu cumprem bem o papel de heróis de ação.
Contudo, o episódio tropeça feio na narrativa e nos efeitos visuais digitais. O sangue em CGI e as explosões parecem pouco convincentes, enquanto o confronto final contra Malum soa apressado e anticlimático, deixando perguntas sem resposta e enfraquecendo o desfecho da franquia.
Filme Shake, Rattle & Roll: As Origens do Mal é bom?
Mesmo com oscilações visíveis de ritmo entre os seus capítulos extremidades, Shake, Rattle & Roll: Evil Origins se confirma como uma experiência divertida, ambiciosa e muito válida para quem busca entretenimento. A coragem de reinventar a estrutura de uma franquia histórica e o brilho inquestionável do seu segmento central fazem deste longa uma ótima pedida para reunir os amigos e curtir um bom maratona de terror filipino.
Trailer do filme Shake, Rattle & Roll: As Origens do Mal (2025)
Elenco de Shake, Rattle & Roll: As Origens do Mal, da Netflix
- Carla Abellana
- Janice de Belen
- Loisa Andalio
- Francine Diaz
- Seth Fedelin
- Fyang Smith
- JM Ibarra
- Sassa Gurl
- Karina Bautista
- Richard Gutierrez
- Ivana Alawi
- Manilyn Reynes
- Dustin Yu
Ficha técnica
- Título Original: Shake, Rattle & Roll: Evil Origins
- Direção: Shugo Praico (Segmento 1775), Joey De Guzman (Segmento 2025) e Ian Loreños (Segmento 2050)
- Roteiro: Alex Castor, Noreen Capili, Onay Sales-Camero, Gina Marissa Tagasa-Gil e John Paul Abellera
- Gênero: Terror / Antologia / Slasher / Pós-Apocalíptico
- País de Origem: Filipinas
- Ano de Lançamento: 2025 (Seleção Oficial do MMFF 2025)
- Duração: 148 minutos
- Classificação Indicativa: R-13
- Produção e Distribuição: Regal Entertainment / Netflix


















