Dinheiro Suspeito resenha crítica do filme Netflix 2026 Flixlândia

[CRÍTICA] ‘Dinheiro Suspeito’ e o retorno dos ‘parças’ em um thriller de suar as mãos

Foto: Divulgação / Netflix
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Quem diria que ver dois “cinquentões” berrando jargões policiais um com o outro seria o ponto alto do streaming em 2026? O filme Dinheiro Suspeito, da Netflix, marca o reencontro triunfal de Matt Damon e Ben Affleck na frente das câmeras, e o clima é de “os bons tempos voltaram”.

Dirigido por Joe Carnahan, o longa não tenta reinventar a roda, mas traz aquele cheiro de thriller policial dos anos 2000 que a gente não sabia que estava com saudade. Produzido pela Artists Equity (produtora dos próprios astros que divide lucros com a equipe), o filme já chegou quebrando recordes de audiência e provando que a química dessa dupla ainda é ouro puro.

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Sinopse

A trama começa com o pé no acelerador — e um crime mal resolvido. A capitã de uma unidade de elite de Miami, Jackie Velez, é assassinada por mascarados, deixando sua equipe em frangalhos. O Tenente Dane Dumars (Damon), um cara calmo, mas carregando o peso de tragédias pessoais, assume o comando no lugar dela. O clima na delegacia já está péssimo devido a cortes de orçamento e suspeitas de corrupção quando Dane recebe uma dica quente: uma casa de subúrbio em Hialeah que serve de esconderijo para o cartel.

O que deveria ser uma apreensão rotineira de alguns milhares de dólares vira um pesadelo moral quando a equipe — que inclui o esquentado sargento J.D. Byrne (Affleck) — encontra nada menos que 20 milhões de dólares escondidos nas paredes do sótão. Com o relógio correndo e ameaças anônimas dizendo que eles têm 30 minutos para sair dali ou morrer, a confiança entre os parceiros começa a desintegrar mais rápido que papel na chuva.

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Resenha crítica do filme Dinheiro Suspeito

A alquimia de uma amizade real

O grande trunfo aqui não é o roteiro mirabolante, mas a conexão “telepática” entre Damon e Affleck. Eles trazem décadas de amizade real para a tela, o que torna cada olhar de suspeita entre seus personagens, Dane e J.D., muito mais impactante.

Enquanto Damon entrega uma atuação contida, mostrando o desgaste emocional de um homem cansado de ser herói, Affleck brilha como o “porra-louca” agressivo e fumante que não leva desaforo para casa. É um espetáculo metalinguístico: ver os melhores amigos de Hollywood se transformando em inimigos mortais dá um peso que nenhum CGI conseguiria replicar.

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Foto: Claire Folger/Netflix

O dilema do “rip” e a tensão de Carnahan

O título original, The Rip, refere-se à gíria policial para o momento em que agentes decidem se reportam o dinheiro apreendido ou se o “ripam” (roubam) para si. Carnahan conduz esse jogo de desconfiança como um mestre, transformando uma casa comum em um cenário claustrofóbico de guerra.

O filme bebe da fonte de clássicos como Fogo Contra Fogo e Assalto à 13ª DP, focando em personagens moralmente dúbios que precisam decidir se a ganância vale o risco de uma bala na cabeça. A direção é “brucutu”, com tiroteios bem executados e uma atmosfera suada e tensa que faz você esquecer que está sentado no sofá de casa.

Elenco de apoio não brinca em serviço

Apesar do foco nos protagonistas, o elenco de apoio é um luxo. Steven Yeun e Teyana Taylor trazem camadas de humanidade e ambiguidade aos seus detetives, enquanto Sasha Calle rouba as cenas como Desi, a jovem presa no meio do fogo cruzado que sabe muito mais do que aparenta.

Até o cachorro farejador de dinheiro, Wilbur, tem seu charme e ajuda a elevar o clima de urgência. E para os fãs de uma boa investigação, a presença de Kyle Chandler como um agente da DEA traz aquela malandragem clássica que mantém as peças do quebra-cabeça se movendo até o fim.

Entre o clássico e o previsível

Nem tudo são flores, claro. O filme às vezes se perde em reviravoltas excessivas no terceiro ato, e alguns diálogos “machões” podem soar um pouco forçados para quem não curte o gênero. O visual é escuro demais em certas cenas de ação e o roteiro recicla tropos que já vimos mil vezes em séries policiais. Porém, a execução é tão firme e o ritmo tão acelerado que essas falhas acabam virando apenas detalhes diante da diversão proporcionada.

Conclusão

No fim das contas, Dinheiro Suspeito é exatamente o que promete: um “banquete de filme B” elevado por talentos de primeira categoria. É um lembrete prazeroso de que histórias sobre “homens durões em situações impossíveis” ainda têm seu lugar, especialmente quando são feitas com o coração (e o orçamento) no lugar certo.

Se você quer um filme para curtir na sexta à noite com uma cerveja na mão, essa é a escolha perfeita. Ele não reinventa o cinema, mas entrega entretenimento bruto, honesto e com uma dose generosa de adrenalina. Prepare-se para o “plot twist” final, porque ele vai fazer você questionar tudo o que assistiu até ali.

Onde assistir ao filme Dinheiro Suspeito?

Trailer de Dinheiro Suspeito (2026)

YouTube player

Elenco de Dinheiro Suspeito, da Netflix

  • Matt Damon
  • Ben Affleck
  • Steven Yeun
  • Teyana Taylor
  • Kyle Chandler
  • Scott Adkins
  • Catalina Sandino Moreno
  • Sasha Calle
  • Nestor Carbonell
  • Lina Esco
Escrito por
Wilson Spiler

Formado em Design Gráfico, Pós-graduado em Jornalismo e especializado em Jornalismo Cultural, com passagens por grandes redações como TV Globo, Globonews, SRZD e Ultraverso.

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