Euphoria 3 temporada 3 Episódio 1 crítica da série da HBO - Flixlândia (1)

Crítica | ‘Euphoria’ retorna com o peso da vida adulta

Foto: HBO / Divulgação
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A espera de mais de quatro anos finalmente chegou ao fim, mas a Euphoria que o público conheceu e amou parece ter ficado esquecida nos corredores do colégio East Highland. O episódio de estreia da terceira temporada marca uma transição radical na criação de Sam Levinson. Ao deixar de lado o drama puramente adolescente e abraçar um salto temporal de cinco anos, a série mergulha de cabeça nos problemas implacáveis da vida adulta.

No entanto, essa metamorfose ambiciosa para um tom que flerta abertamente com o suspense criminal e a estética de filmes de faroeste divide opiniões logo de cara. A pergunta que fica é: Euphoria conseguiu se reinventar ou apenas perdeu a sua própria essência no meio do caminho?

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Sinopse

No primeiro episódio, a narrativa nos joga diretamente no caos de Rue (Zendaya), que agora trabalha como “mula” de drogas atravessando a fronteira do México para os Estados Unidos. Ela tenta desesperadamente quitar uma dívida astronômica (que saltou para 43 milhões de dólares com os juros) com a assustadora traficante Laurie. Longe da tensão dos cartéis, Lexi (Maude Apatow) tenta a sorte em Hollywood como assistente da poderosa executiva Patty Lance (Sharon Stone), enquanto Maddy (Alexa Demie) sobrevive com um salário baixo empresariando influenciadores.

Cassie (Sydney Sweeney) e Nate (Jacob Elordi), por sua vez, estão noivos e moram em uma mansão no subúrbio. Enquanto Nate afunda a construtora da família, Cassie decide investir na criação de conteúdo adulto no OnlyFans para bancar os 50 mil dólares das flores de seu casamento. Jules (Hunter Schafer) não aparece no episódio, mas é citada como uma sugar baby. O episódio não esquece de Fezco (Angus Cloud), revelando que ele está vivo, mas cumprindo uma pena de 30 anos de prisão.

Crítica do episódio 1 da temporada 3 de Euphoria

A estética do faroeste e o adeus aos corredores de neon

Do ponto de vista técnico, o episódio é um espetáculo inegável, mas completamente diferente do que nos acostumamos a ver. A fotografia em películas Kodak de 35mm e 65mm nas mãos de Marcell Rév troca os tons neon roxos e azuis da noite adolescente pelos cenários abertos, laranjas e poeirentos do deserto, lembrando produções de faroeste e obras como Breaking Bad.

A trilha sonora também reflete essa mudança brusca: a marcante batida eletrônica gospel de Labrinth deu lugar a uma grandiosa trilha orquestral comandada pelo lendário Hans Zimmer. Embora a nova identidade sonora seja genial por si só — e dê à série ares de Kill Bill —, é impossível não sentir um certo estranhamento e a falta daquela atmosfera sensorial intensa que Labrinth imprimia em cada cena.

Euphoria 3 temporada 3 Episódio 1 crítica da série da HBO - Flixlândia
Foto: HBO / Divulgação

O choque pelo choque e a humilhação de Cassie

Sam Levinson sempre gostou de provocar, mas neste episódio, parece que o roteiro aposta na bizarrice apenas para gerar memes e engajamento na internet. O arco de Cassie é o exemplo perfeito disso. Apresentá-la fantasiada de cachorrinha de estimação, bebendo água de uma tigela para ganhar curtidas no TikTok e querendo abrir um OnlyFans, soa como uma humilhação gratuita disfarçada de crítica social.

Enquanto a série expõe Cassie em situações rasas e hiper-sexualizadas, falha em aprofundar as verdadeiras consequências emocionais das escolhas destrutivas que ela fez na temporada passada. Nate também retorna unidimensional, focado em controlar Cassie e lidar com o negócio falido de asilos deixado pelo pai, sem oferecer grandes camadas para o ator Jacob Elordi trabalhar neste primeiro momento.

O fundo do poço de Rue perde o limite

Zendaya continua entregando uma performance de alto nível, e seus momentos de quietude ao lado do padrinho Ali (Colman Domingo) — onde ela decide tentar ter fé em Deus — são os mais bonitos e genuínos do episódio. Mas todo esse brilho acaba ofuscado por um roteiro exagerado e apelativo.

A sequência em que Rue e Faye (Chloe Cherry) engolem cápsulas gigantes de fentanil com lubrificante e depois precisam defecá-las — com direito a um cachorro lambendo a sujeira de Faye — cruza a linha do necessário, tornando-se mais escatológica e repulsiva do que dramática.

A cena final coroa esse exagero: Rue vai parar na mansão do magnata dos clubes de strip, Alamo (Adewale Akinnuoye-Agbaje), e após uma stripper morrer de overdose pelas drogas batizadas que Rue levou, o vilão decide testar a “fé” da protagonista atirando com uma arma de ouro em uma maçã sobre a cabeça dela. É uma sequência incrivelmente tensa, mas que afasta Euphoria da realidade e a coloca no território do absurdo caricato.

Conclusão

O episódio 1 da temporada 3 prova que Euphoria cresceu, mas o amadurecimento não veio sem dores. As atuações afiadas e a técnica deslumbrante continuam lá, mas o texto sofre ao tentar chocar o espectador a qualquer custo, sufocando o desenvolvimento íntimo e melancólico que fez a série ser tão amada no início.

É louvável que a produção tenha feito uma homenagem de encerramento respeitosa a Angus Cloud, Kevin Turen e Eric Dane, mostrando que o coração da equipe segue pulsando. No entanto, resta saber se a série vai conseguir equilibrar essa nova estética de “suspense criminal do deserto” com os dramas reais de seus personagens ou se vai se perder no próprio caos.

Trailer da temporada 3 de Euphoria

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Elenco da 3ª temporada de Euphoria

  • Zendaya
  • Hunter Schafer
  • Eric Dane
  • Jacob Elordi
  • Sydney Sweeney
  • Alexa Demie
  • Maude Apatow
  • Martha Kelly
  • Chloe Cherry
  • Adewale Akinnuoye-Agbaje
  • Toby Wallace
Escrito por
Taynna Gripp

Formada em Letras e pós-graduada em Roteiro, tem na paixão pela escrita sua essência e trabalha isso falando sobre Literatura, Cinema e Esportes. Atual CEO do Flixlândia e redatora do site Ultraverso.

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