Extermínio 4 O Templo dos Ossos resenha crítica do filme 2026 Flixlândia

[CRÍTICA] ‘Extermínio: O Templo dos Ossos’: Ralph Fiennes e a arte de salvar o fim do mundo

Somos todos Jimmy

Foto: Sony Pictures / Divulgação
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Olá, caro leitor. Bem-vindo! Qualquer roteiro que siga a receita de doenças capazes de gerar um mundo apocalíptico caminha sobre uma corda bamba: pode descambar para o ridículo, tornar-se cansativo ou, com sorte, alcançar o espetáculo. Como tantos filmes deste subgênero que já vimos, você pode ir ao cinema assistir a “Extermínio: O Templo dos Ossos” esperando apenas mais uma história sobre um vírus ou bactéria que praticamente extinguiu a raça humana — e achando que será “só mais um”.

Nesta continuação de “Extermínio: A Evolução” (dirigido por Nia DaCosta), ganhamos o presente de assistir a mais uma atuação magnífica de Ralph Fiennes, aqui no papel do enigmático Doutor Kelson. Persistente em sua busca por uma cura, Kelson se une a um companheiro tão improvável quanto fascinante — Samson (Chi Lewis-Parry) — em suas experiências científicas e morais em meio ao colapso da humanidade.

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Sinopse

Após o desfecho de “Extermínio: A Evolução”, quando Spike (Alphie Williams) se une ao singelo grupo liderado por Jimmy, acompanhamos sua iniciação em uma comunidade marcada por demonstrações quase ingênuas de amor e acolhimento entre os sobreviventes.

O roteiro se divide entre a rotina diária do Doutor Kelson em seu Templo — onde pesquisa obsessivamente uma cura para o vírus da raiva que devastou o mundo — e a convivência dentro do grupo de Jimmy.

Jimmy Crystal (Jack O’Connell) carrega aquela ausência de conexão genuína com o outro, típica de todo psicopata funcional: alguém preocupado apenas em satisfazer a própria crença em si mesmo.

Spike, salvo por eles em “A Evolução”, permanece no grupo, mas sem jamais conseguir se encaixar na filosofia que o rege — uma inquietação silenciosa que o acompanha a cada gesto.

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Resenha crítica do filme Extermínio: O Templo dos Ossos

Kelson continua suas pesquisas científicas, auxiliado por Samson, em um mundo que praticamente já não oferece nada em termos de sociedade organizada. O que resta são crenças individuais, pequenas tentativas de ajuda ao próximo e o desejo quase desesperado de deixar algum vestígio de dignidade em meio ao colapso.

Seu Templo funciona como uma homenagem silenciosa às milhões de vítimas da catástrofe — e também como um mecanismo psicológico de sobrevivência. Como se, a cada osso, a cada crânio observado diariamente, houvesse um lembrete de que ainda vale a pena persistir.

“Aqueles que não podem lembrar o passado estão condenados a repeti-lo.” — George Santayana

Extermínio 4 O Templo dos Ossos resenha crítica do filme 2026 Flixlândia (1)
Foto: Sony Pictures / Divulgação

Lucidez necessária

O grupo de Jimmy segue exibindo seu “caminho suave” pela narrativa, lembrando-nos que a violência raramente leva a algum destino que não seja a própria aniquilação, e que um mínimo de lucidez é capaz de barrar a gratuidade do mal.

Quando Spike finalmente se encontra com o Doutor Kelson, surge sua chance real de iniciação em uma vida minimamente digna — longe de um grupo que contradiz tudo aquilo em que sua curta existência ainda tenta acreditar.

Ralph Fiennes brilhante e trilha sonora surpreendente

Com uma trilha sonora encaixada de forma surpreendentemente eficaz e uma performance artística de Ralph Fiennes muito acima do que se espera para um filme deste gênero, a dicotomia entre bem e mal ganha força em uma das cenas mais impactantes do longa, embalada por Duran Duran e Iron Maiden. Um contraste quase irônico, mas perfeitamente funcional.

Ao final, uma cena de retorno inesperado pode — ou não — preparar o terreno para mais um capítulo da franquia.

Conclusão

Muitas críticas negativas foram dirigidas ao filme anterior, sobretudo pela retomada da história após décadas e pela introdução de novos personagens. É provável que parte do público, especialmente os fãs mais antigos da franquia, tenha se decepcionado com a nova abordagem.

Em “O Templo dos Ossos”, a narrativa se fecha ainda mais, optando por um microuniverso íntimo, quase claustrofóbico, preocupado menos em expandir o mundo e mais em expor a eterna batalha entre o bem e o mal — aquela que, gostemos ou não, sempre existirá dentro de nós.

A grande pergunta é: um roteiro apenas razoável pode ser salvo por um grande ator?

 Sim, pode.

E mais: vale a pena atravessar duas horas de filme por algumas cenas em que a representação teatral justifica plenamente estar diante da tela?

 Vale.

Você é do pop? Vai amar.

 Você é do rock? Vai amar.

Vale o balde de pipoca.

Bom divertimento!

Onde assistir ao filme Extermínio: O Templo dos Ossos?

O filme estreia nesta quinta-feira, 15 de janeiro de 2025, exclusivamente nos cinemas brasileiros.

Trailer de Extermínio: O Templo dos Ossos (2026)

YouTube player

Elenco do filme Extermínio: O Templo dos Ossos

  • Ralph Fiennes
  • Jack O’Connell
  • Alfie Willians
  • Erin Kellyman
  • Chi Lewis-Parry
Escrito por
Wilson Spiler

Formado em Design Gráfico, Pós-graduado em Jornalismo e especializado em Jornalismo Cultural, com passagens por grandes redações como TV Globo, Globonews, SRZD e Ultraverso.

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