Se você saiu do cinema com a cabeça girando após assistir a Hokum: O Pesadelo da Bruxa (Hokum), do diretor Damian McCarthy, saiba que você não está sozinho. O longa estrelado por Adam Scott no papel do amargurado escritor Ohm Bauman entrega muito mais do que apenas sustos em um hotel isolado na Irlanda. A trama se aprofunda em temas pesados como luto, culpa e a natureza da crueldade humana.
Para destrinchar cada detalhe desse quebra-cabeça folclórico, preparamos este guia completo sobre o desfecho do filme.
Como é o final de Hokum: O Pesadelo da Bruxa?
Quem é a bruxa e o que ela realmente significa?
A premissa folclórica do longa gira em torno de uma bruxa secular (conhecida como a Cailleach), que segundo as lendas contadas pelo dono do hotel, Cob (Brendan Conroy), arrasta almas para o submundo. O dono afirma ter capturado e trancado a entidade na suíte de lua de mel do Bilberry Woods Hotel.
Porém, a bruxa de Hokum: O Pesadelo da Bruxa não é a verdadeira vilã da história, mas sim uma força da natureza, uma espécie de cobradora implacável que pune as pessoas que merecem. Descobrimos ao longo da trama que ela pune especificamente homens que cometem atos de violência contra mulheres.
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O verdadeiro monstro do filme
Enquanto a bruxa age como uma força de punição, o verdadeiro monstro usa um terno e crachá: o gerente do hotel, Mal (Peter Coonan). Quando Ohm decide investigar a fundo o sumiço da simpática bartender Fiona (Florence Ordesh), ele acaba preso na suíte assombrada e encontra o cadáver da jovem dentro de um elevador de carga (dumbwaiter).
Através de um gravador, a verdade vem à tona. Fiona estava grávida de Mal, com quem teve um caso. Para evitar que sua esposa descobrisse a traição e sua vida perfeita fosse arruinada, Mal dopou Fiona durante uma festa de Halloween, trancando-a na suíte de lua de mel para morrer de inanição ou nas mãos da bruxa.
Diferente de Ohm, que é consumido pela culpa de seu passado, Mal não sente nenhum remorso. Ele chega ao ponto de assassinar o excêntrico morador local Jerry (David Wilmot) com uma besta e incendiar o hotel para apagar seus rastros. No final das contas, a justiça é feita de forma brutal: ao descer no porão para recuperar a chave, Mal é pego e arrastado para o inferno pela bruxa.
- Crítica (sem spoilers) | ‘Hokum: O Pesadelo da Bruxa’: atmosfera sombria não salva roteiro previsível
- Crítica (com spoilers) | ‘Hokum: O Pesadelo da Bruxa’ transforma luto e folclore em um terror psicológico genial

Foi tudo uma alucinação?
Um dos maiores plot twists do filme acontece quando Ohm acorda no hospital, salvo pelo zelador Fergal (Michael Patric). O mensageiro Alby (Will O’Connell), que havia sido maltratado e queimado por Ohm com uma colher quente, revela que se vingou colocando o pó de cogumelos alucinógenos de Jerry na bebida do protagonista.
Isso levanta a grande dúvida: o que foi real e o que foi delírio?
Os hematomas nos pulsos de Ohm, deixados pelas correntes da bruxa, provam que ele esteve sob perigo real. Mas o próprio diretor Damian McCarthy revelou um truque genial para separar a fantasia da realidade: basta observar os reflexos nos óculos de Ohm.
A bizarra figura conhecida como “Jack the Jackass” (o homem com cabeça de burro e olhos esbugalhados) que aparece na televisão não possui reflexo nos óculos de Ohm, aparecendo apenas como estática. Essa criatura era um delírio puro de Ohm, associado a um programa de TV infantil que estava passando no momento em que um trauma horrível ocorreu em sua infância. Por outro lado, a bruxa possui reflexo nas lentes, confirmando que a entidade física e sua ameaça eram totalmente reais.
O trauma de Ohm
O terror psicológico sofrido pelo protagonista é alimentado por uma tragédia de infância. Através de memórias e alucinações, descobrimos que quando menino, Ohm brincava com um revólver do pai e disparou acidentalmente, matando a própria mãe. Essa culpa o corroeu por décadas, transformando-o em um homem cínico, alcoólatra e suicida.
O grande arco de cura de Ohm acontece no porão escuro, quando ele já está acorrentado pela bruxa. O fantasma de sua mãe aparece, não para assombrá-lo, mas para confortá-lo. Ela o perdoa, dizendo que foi um acidente, e em um toque no peito de Ohm, entrega-lhe uma pequena serra de mão que ele usa para se libertar das correntes e escapar.
O que significa o final do livro “O Conquistador”?
No início do filme, a história do novo livro de Ohm, parte da “Trilogia O Conquistador” (personagem vivido por Austin Amelio nas imaginações visuais do filme), possui um final incrivelmente brutal e sem esperança. Nela, o explorador decide quebrar uma garrafa no crânio de um garotinho apenas para pegar um mapa. Isso refletia a mente doente, niilista e sem esperanças do autor.
Após perdoar a si mesmo e sobreviver ao incêndio do hotel, Ohm muda totalmente de perspectiva. Na cena final, ele reescreve o livro: o Conquistador agora escolhe não ferir a criança. Ele se sacrifica, a criança joga a garrafa longe e os dois se abraçam chorando. A câmera revela que a garrafa caiu bem ao lado do crânio de um carneiro. Como dito pelo diretor do longa, achar um crânio no deserto simbolizava a esperança, mostrando que a salvação estava sempre ali por perto e que Ohm finalmente se transformou.
O final original de “Hokum” era muito mais sombrio
Se você achou a jornada de Ohm pesada, saiba que os rascunhos iniciais de Hokum: O Pesadelo da Bruxa eram ainda piores. Damian McCarthy revelou que, originalmente, o protagonista não conseguia escapar das correntes no porão. Ohm morreria nas mãos da bruxa, e o filme terminaria de forma totalmente trágica. O cineasta decidiu mudar para uma jornada de redenção ao pensar: “Alguém vai querer assistir a isso de novo? Isso vai ser divertido?”. Graças a essa decisão, o público ganhou um filme de terror emocionante, maduro e brilhantemente estruturado.















