Confira a crítica da série "Ganhar ou Perder", animação de 2025 da Pixar disponível para assistir no Disney+

‘Ganhar ou Perder’ é promissor, mas ainda precisa de ajustes

Foto: Disney+ / Divulgação
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“Ganhar ou Perder” chega como a primeira série original da Pixar e promete reunir o que há de melhor – e de mais conhecido – na assinatura do estúdio: histórias sobre emoções, relações humanas e mundos visuais marcantes.

Mas, ao mesmo tempo, a produção revela certas hesitações criativas, trazendo à tona uma mistura de genialidade e momentos de desconexão, especialmente nos primeiros episódios. Nesta crítica, analisaremos como esses dois episódios iniciais apresentam os pilares e os desafios de uma narrativa construída a partir de múltiplas perspectivas.

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Sinopse da série Ganhar ou Perder (2025)

Nos dois primeiros episódios somos introduzidos ao universo dos Picles, um time feminino de softbol infantil que vive os dias que antecedem o jogo decisivo do campeonato. No episódio inaugural (“Filha do Técnico”), acompanhamos a “pereba” do grupo – uma jovem que luta para provar seu valor, mesmo sob o peso das expectativas familiares e da pressão do próprio esporte.

Já o segundo episódio, intitulado “Azul”, se destaca por oferecer um olhar mais intimista através da história de Frank, o árbitro que, entre decisões no campo e dilemas pessoais, mostra que cada escolha tem um preço. A proposta de contar a mesma semana pelo prisma de diferentes personagens promete um quebra-cabeças narrativo que se completa aos poucos, revelando as nuances de um cotidiano repleto de desafios, inseguranças e pequenos momentos de superação.

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Crítica de Ganhar ou Perder, do Disney+

A série aposta em uma construção à la Rashomon, onde cada episódio destaca a perspectiva única de um personagem. Essa abordagem permite explorar as múltiplas camadas de uma mesma situação, enriquecendo a trama com detalhes que se complementam aos poucos.

No entanto, a fragmentação narrativa, embora inovadora, por vezes gera desconexão – o espectador é desafiado a montar um quebra-cabeças que nem sempre se encaixa de forma orgânica, sobretudo quando a passagem de um episódio para o outro não esclarece imediatamente as motivações de cada personagem.

Estilo visual e direção

Visualmente, “Ganhar ou Perder” mantém a marca da Pixar com uma animação caprichada e um uso ousado de cores e referências. Há momentos em que o estilo se inspira em elementos de videogames e na literalização de emoções – como a simbólica “bolha de suor” que acompanha a protagonista –, evidenciando um desejo de inovar.

Contudo, essa experimentação estética nem sempre encontra coerência com o desenvolvimento emocional da trama. A tentativa de impressionar com visuais arrojados, em certos instantes, sobrepõe a essência da história, tornando a experiência um tanto dispersa.

Desenvolvimento dos personagens

A força dos personagens sempre foi um dos pontos altos da Pixar, e aqui não é diferente. A série se aventura a dar voz a cada integrante do time – das crianças inseguras aos adultos marcados por dilemas pessoais –, permitindo uma identificação imediata e empática.

Episódios como “Azul” demonstram essa capacidade ao transformar o dilema interno de Frank em uma narrativa quase curta-metragem, onde suas decisões refletem tanto a sua ética quanto os desafios da vida fora dos campos. Por outro lado, alguns personagens acabam sendo introduzidos de maneira que, apesar da boa intenção, deixam um gosto de que o aprofundamento emocional poderia ser maior.

Reflexões temáticas

“Ganhar ou Perder” se propõe a dialogar com temas contemporâneos como a pressão social, a influência da tecnologia e as complexas dinâmicas familiares. A série não foge dos problemas reais do cotidiano – as dúvidas de Laurie sobre seu lugar no time e a relação tensa entre mãe e filha, por exemplo, são abordadas com sensibilidade.

Essa tentativa de tratar questões atuais com uma abordagem lúdica é louvável, mas, em alguns momentos, a narrativa se perde entre a estética exagerada e a necessidade de aprofundamento dos conflitos, fazendo com que a mensagem nem sempre seja transmitida com a sutileza que se espera de uma produção Pixar.

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Conclusão

Os dois primeiros episódios de “Ganhar ou Perder” oferecem uma amostra intrigante de uma série que tenta renovar a fórmula clássica da Pixar. Se, por um lado, os personagens cativantes e as experimentações visuais mostram um sopro de criatividade e um compromisso com a diversidade de narrativas, por outro, a construção do mundo e a coesão narrativa ainda deixam a desejar.

A proposta de contar uma história coletiva a partir de múltiplos ângulos é ousada e cheia de potencial, mas exige um equilíbrio delicado entre forma e conteúdo – algo que, nos episódios iniciais, oscila entre momentos brilhantes e trechos que parecem, por vezes, forçados. O resultado é uma produção promissora, que, com alguns ajustes na direção de mundo e narrativa, pode se consolidar como um marco na história das séries de animação.

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Onde assistir à série Ganhar ou Perder?

A série está disponível para assistir no Disney+.

Trailer de Ganhar ou Perder (2025)

YouTube player

Elenco de Ganhar ou Perder, do Disney+

  • Chanel Stewart
  • Winston Vengapally
  • Josh Thomson
  • Milan Elizabeth Ray
  • Will Forte
  • Rosanna Jean Foss
  • Rosa Salazar
  • Erin Keif

Ficha técnica da série Ganhar ou Perder

  • Título original: Win or Lose
  • Gênero: animação, comédia, fantasia
  • País: Estados Unidos, Malásia
  • Temporada: 1
  • Episódios: 8
  • Classificação: 12 anos
Escrito por
Wilson Spiler

Formado em Design Gráfico, Pós-graduado em Jornalismo e especializado em Jornalismo Cultural, com passagens por grandes redações como TV Globo, Globonews, SRZD e Ultraverso.

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