Confira a crítica da série "Ganhar ou Perder", animação de 2025 da Pixar disponível para assistir no Disney+

‘Ganhar ou Perder’ é promissor, mas ainda precisa de ajustes

Foto: Disney+ / Divulgação
Compartilhe

“Ganhar ou Perder” chega como a primeira série original da Pixar e promete reunir o que há de melhor – e de mais conhecido – na assinatura do estúdio: histórias sobre emoções, relações humanas e mundos visuais marcantes.

Mas, ao mesmo tempo, a produção revela certas hesitações criativas, trazendo à tona uma mistura de genialidade e momentos de desconexão, especialmente nos primeiros episódios. Nesta crítica, analisaremos como esses dois episódios iniciais apresentam os pilares e os desafios de uma narrativa construída a partir de múltiplas perspectivas.

Frete grátis e rápido! Confira o festival de ofertas e promoções com até 80% OFF para tudo o que você precisa: TVs, celulares, livros, roupas, calçados e muito mais! Economize já com descontos imperdíveis!

Sinopse da série Ganhar ou Perder (2025)

Nos dois primeiros episódios somos introduzidos ao universo dos Picles, um time feminino de softbol infantil que vive os dias que antecedem o jogo decisivo do campeonato. No episódio inaugural (“Filha do Técnico”), acompanhamos a “pereba” do grupo – uma jovem que luta para provar seu valor, mesmo sob o peso das expectativas familiares e da pressão do próprio esporte.

Já o segundo episódio, intitulado “Azul”, se destaca por oferecer um olhar mais intimista através da história de Frank, o árbitro que, entre decisões no campo e dilemas pessoais, mostra que cada escolha tem um preço. A proposta de contar a mesma semana pelo prisma de diferentes personagens promete um quebra-cabeças narrativo que se completa aos poucos, revelando as nuances de um cotidiano repleto de desafios, inseguranças e pequenos momentos de superação.

Você também pode gostar disso:

+ ‘The White Lotus’ (T2E3): quando a falsa tranquilidade se despedaça

+ ‘Mil Golpes’ vai muito além de um simples drama esportivo

+ ‘Superfície’ retorna mais intensa na 2ª temporada

Crítica de Ganhar ou Perder, do Disney+

A série aposta em uma construção à la Rashomon, onde cada episódio destaca a perspectiva única de um personagem. Essa abordagem permite explorar as múltiplas camadas de uma mesma situação, enriquecendo a trama com detalhes que se complementam aos poucos.

No entanto, a fragmentação narrativa, embora inovadora, por vezes gera desconexão – o espectador é desafiado a montar um quebra-cabeças que nem sempre se encaixa de forma orgânica, sobretudo quando a passagem de um episódio para o outro não esclarece imediatamente as motivações de cada personagem.

Estilo visual e direção

Visualmente, “Ganhar ou Perder” mantém a marca da Pixar com uma animação caprichada e um uso ousado de cores e referências. Há momentos em que o estilo se inspira em elementos de videogames e na literalização de emoções – como a simbólica “bolha de suor” que acompanha a protagonista –, evidenciando um desejo de inovar.

Contudo, essa experimentação estética nem sempre encontra coerência com o desenvolvimento emocional da trama. A tentativa de impressionar com visuais arrojados, em certos instantes, sobrepõe a essência da história, tornando a experiência um tanto dispersa.

Desenvolvimento dos personagens

A força dos personagens sempre foi um dos pontos altos da Pixar, e aqui não é diferente. A série se aventura a dar voz a cada integrante do time – das crianças inseguras aos adultos marcados por dilemas pessoais –, permitindo uma identificação imediata e empática.

Episódios como “Azul” demonstram essa capacidade ao transformar o dilema interno de Frank em uma narrativa quase curta-metragem, onde suas decisões refletem tanto a sua ética quanto os desafios da vida fora dos campos. Por outro lado, alguns personagens acabam sendo introduzidos de maneira que, apesar da boa intenção, deixam um gosto de que o aprofundamento emocional poderia ser maior.

Reflexões temáticas

“Ganhar ou Perder” se propõe a dialogar com temas contemporâneos como a pressão social, a influência da tecnologia e as complexas dinâmicas familiares. A série não foge dos problemas reais do cotidiano – as dúvidas de Laurie sobre seu lugar no time e a relação tensa entre mãe e filha, por exemplo, são abordadas com sensibilidade.

Essa tentativa de tratar questões atuais com uma abordagem lúdica é louvável, mas, em alguns momentos, a narrativa se perde entre a estética exagerada e a necessidade de aprofundamento dos conflitos, fazendo com que a mensagem nem sempre seja transmitida com a sutileza que se espera de uma produção Pixar.

Acompanhe o Flixlândia no Google Notícias e fique por dentro do mundo dos filmes e séries do streaming

Conclusão

Os dois primeiros episódios de “Ganhar ou Perder” oferecem uma amostra intrigante de uma série que tenta renovar a fórmula clássica da Pixar. Se, por um lado, os personagens cativantes e as experimentações visuais mostram um sopro de criatividade e um compromisso com a diversidade de narrativas, por outro, a construção do mundo e a coesão narrativa ainda deixam a desejar.

A proposta de contar uma história coletiva a partir de múltiplos ângulos é ousada e cheia de potencial, mas exige um equilíbrio delicado entre forma e conteúdo – algo que, nos episódios iniciais, oscila entre momentos brilhantes e trechos que parecem, por vezes, forçados. O resultado é uma produção promissora, que, com alguns ajustes na direção de mundo e narrativa, pode se consolidar como um marco na história das séries de animação.

Siga o Flixlândia nas redes sociais

+ Instagram

+ Twitter

+ TikTok

+ YouTube

Onde assistir à série Ganhar ou Perder?

A série está disponível para assistir no Disney+.

Trailer de Ganhar ou Perder (2025)

YouTube player

Elenco de Ganhar ou Perder, do Disney+

  • Chanel Stewart
  • Winston Vengapally
  • Josh Thomson
  • Milan Elizabeth Ray
  • Will Forte
  • Rosanna Jean Foss
  • Rosa Salazar
  • Erin Keif

Ficha técnica da série Ganhar ou Perder

  • Título original: Win or Lose
  • Gênero: animação, comédia, fantasia
  • País: Estados Unidos, Malásia
  • Temporada: 1
  • Episódios: 8
  • Classificação: 12 anos
Escrito por
Wilson Spiler

Formado em Design Gráfico, Pós-graduado em Jornalismo e especializado em Jornalismo Cultural, com passagens por grandes redações como TV Globo, Globonews, SRZD e Ultraverso.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Procuram-se colaboradores
Procuram-se colaboradores

Últimas

Artigos relacionados
Crystal Lake série 2026 Universal+
Críticas

‘Crystal Lake’ é o prelúdio mais perturbador e sangrento de Sexta-Feira 13

A nova série Crystal Lake, prelúdio da clássica franquia de terror Sexta-Feira...

Amizade, Sexo e Jogos Prime Video série 2026
Críticas

‘Amigos, Sexo e Jogos’: a ilusão da estabilidade conjugal exposta em uma tigela de chaves

A rotina dos relacionamentos de longa data costuma erguer fortalezas invisíveis feitas...

4 temporada Tulsa King (1)
Críticas

‘Tulsa King’ retorna à 4ª temporada com perda devastadora e guerra política

Crítica da estreia da quarta temporada da série "Tulsa King" na Paramount+,...

CríticasCríticas

‘Sentimento Louco’: série desmonta o mito e expõe a intimidade da revolucionária Marília Mendonça

Há figuras na cultura popular que ultrapassam a contabilidade dos números e...

4 temporada A Diplomata
Críticas

Quarta temporada de ‘A Diplomata’ consagra série como o melhor suspense da atualidade

A política de bastidores, quando despida de seus protocolos e vernizes institucionais,...

VisionQuest série 2026 Disney+ episódios 1 e 2 (1)
Críticas

‘VisionQuest’ estreia desvendando o maior mistério de WandaVision com reencontro emocionante

A nova série VisionQuest do Disney+ encerra a trilogia do Universo Cinematográfico...

Armadilha série Netflix 2026 crítica final explicado elenco
Críticas

‘Armadilha’: perturbador suspense alemão transforma a memória em veneno

Há feridas que não cicatrizam com o tempo; apenas constroem paredes ao...

Estado de Fúria 2 temporada
Críticas

‘Estado de Fúria’ volta afiada para a 2ª temporada

Quando Estado de Fúria (intitulada originalmente Furia) desembarcou no catálogo da HBO...