Sabe aquele medo que bate quando uma série incrível demora anos para voltar? Pois é, passaram-se quase três anos e a expectativa para a segunda temporada de Gotas Divinas (Drops of God) estava lá no alto. A grande dúvida era se o drama conseguiria manter aquela elegância toda ou se voltaria tentando “inventar moda”.
A boa notícia? A série retornou ainda mais segura de si. O primeiro episódio, “O Presente”, deixa claro logo de cara que não está aqui para fazer barulho à toa, mas para nos levar a um mergulho — literal e figurativo — na psique de seus protagonistas.
Sinopse
A trama retoma as consequências da competição da temporada anterior. Camille, agora vencedora e dona do império Léger, está tentando transformar a propriedade Chassangre, na Provença, em um vinhedo sustentável, mas sente o peso fantasmagórico do pai em cada canto. Já Issei, derrotado, busca preencher o vazio existencial praticando mergulho livre nas águas de Okinawa, obcecado pela escuridão do fundo do mar.
O reencontro “familiar” acontece no aniversário dos dois. O clima tenso é quebrado por Talion, que entrega um último presente deixado por Alexandre: uma garrafa misteriosa sem rótulo, descrita pelo falecido como a “ambrosia dos deuses” ou a perfeição em forma de vinho.
Ao provarem a bebida (vestindo pijamas iguais e horrorosos, diga-se de passagem), ambos têm uma experiência transcendental. Mas a reação deles dita o ritmo da temporada: Camille, querendo se livrar da sombra do pai, joga o resto do vinho na pia. Issei, desesperado por um propósito, decide caçar a origem daquela garrafa como um detetive, numa jornada que o leva de Paris à Espanha e, perigosamente, de volta ao fundo do mar.
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Resenha crítica da temporada 2 de Gotas Divinas
A estética do silêncio e do abismo
O que mais impressiona logo nos primeiros minutos é a coragem da direção. Em vez de um recap frenético, somos jogados em uma sequência de mergulho livre com quase nenhuma luz ou som. É uma aula de como criar tensão e beleza visual sem precisar de diálogos.
Essa abertura não é só “estilosa”, ela é a tese da temporada: Issei não está mergulhando por esporte, ele está flertando com o vazio porque perder a competição tirou seu chão. A série confia tanto no seu taco que transforma um homem boiando na água escura em algo mais angustiante do que muita cena de ação por aí.

O luto de quem venceu contra a obsessão de quem perdeu
A dinâmica entre os “irmãos” está fascinante. Fleur Geffrier entrega uma Camille que, tecnicamente, “venceu na vida”, herdando uma coleção de 150 milhões de dólares, mas que emocionalmente está estagnada. O vinhedo não é um prêmio, é um monumento ao pai que ela não consegue derrubar.
Por outro lado, Tomohisa Yamashita brilha como um Issei contido, mas prestes a explodir. A busca dele pela origem do vinho misterioso vira uma obsessão perigosa. Ele ignora os avisos de que as visões no fundo do mar são apenas o cérebro pifando por falta de oxigênio e quase se mata mergulhando a meros 17 metros de profundidade só para sentir algo. É trágico e muito humano: ele prefere a alucinação à realidade de não ser “especial”.
O vinho como MacGuffin cósmico
A série continua tratando o vinho de um jeito quase místico, o que é seu grande charme. A cena da degustação é pura poesia visual. Quando Issei toma um gole e a série nos transporta para uma visão do “Mar da Tranquilidade”, você entende por que essa produção é diferenciada.
O interessante é que essa garrafa funciona como um “MacGuffin” (aquele objeto que move a trama). Ela transforma o drama familiar em uma investigação global meio noir. Ver Issei rastreando leiloeiros em Paris e visitando viúvas em asilos traz um ritmo de mistério que funciona surpreendentemente bem, contrastando com o ritmo mais lento e contemplativo do resto do episódio.
Ritmo: um vinho que precisa respirar
Vale o aviso: se você espera reviravoltas a cada cinco minutos, pode se frustrar. O ritmo é deliberadamente lento, feito para deixar os arcos emocionais respirarem. A série exige paciência e atenção aos detalhes técnicos, o que pode afastar um público mais casual.
Mas, honestamente? É esse ritmo que permite que o final do episódio — com Camille visitando Issei no hospital e decidindo ajudá-lo — tenha tanto peso. Não é sobre o vinho, é sobre afeto e laços familiares.
Conclusão
A estreia da temporada 2 de Gotas Divinas prova que a série não foi um “acidente de percurso”. Ela voltou amadurecida, trocando a adrenalina da competição direta por uma exploração mais profunda sobre legado, trauma e identidade.
É uma produção visualmente suntuosa que não subestima a inteligência de quem assiste. Se a primeira temporada foi sobre provar quem era o melhor, esta parece ser sobre sobreviver ao que vem depois da vitória (ou da derrota). Para quem gosta de dramas que misturam sofisticação estética com profundidade psicológica, o retorno é um prato cheio — ou melhor, uma taça cheia.
Onde assistir à temporada 2 de Gotas Divinas?
Trailer da 2ª temporada de Gotas Divinas
Elenco da segunda temporada de Gotas Divinas
- Fleur Geffrier
- Tomohisa Yamashita
- Tom Wozniczka
- Makiko Watanabe
- Satoshi Nikaido
- Gustave Kervern
- Cécile Bois
- Luca Terracciano
- Diego Ribon


















