Confira a crítica do filme "Grande Sertão", adaptação brasileira de 2024 do livro de Guimarães Rosa disponível para assistir no Globoplay

‘Grande Sertão’ é uma obra audaciosa

Foto: Globoplay / Divulgação
Compartilhe

Quando um cineasta decide adaptar um clássico como Grande Sertão: Veredas, de Guimarães Rosa, o desafio transcende a técnica: é um salto em direção ao risco. Guel Arraes, conhecido por produções icônicas como O Auto da Compadecida, embarca nessa ousadia com o filme “Grande Sertão” (2024).

Ao transportar o sertão tradicional para uma favela distópica urbana, o diretor entrega uma obra que, ao mesmo tempo, homenageia a literatura brasileira e a reinventa para dialogar com um Brasil contemporâneo repleto de contradições e violências.

Frete grátis e rápido! Confira o festival de ofertas e promoções com até 80% OFF para tudo o que você precisa: TVs, celulares, livros, roupas, calçados e muito mais! Economize já com descontos imperdíveis!

Sinopse do filme Grande Sertão (2024)

Em uma comunidade periférica fictícia chamada “Grande Sertão”, cercada por muros que isolam seus habitantes do resto da cidade, Riobaldo (Caio Blat), um professor de história, enfrenta dilemas morais e existenciais enquanto é arrastado para uma guerra entre facções criminosas e a polícia.

Em meio ao caos, sua relação com Diadorim (Luisa Arraes), marcada por mistério e paixão, é central para a narrativa. A trama reflete sobre amor, lealdade e coragem, tudo isso permeado por diálogos literários e uma estética visual deslumbrante que ressignifica o sertão para o cenário urbano.

Você também pode gostar disso:

+ A competente adaptação de ‘Quase o Paraíso’

+ ‘LaRoy, Texas’: uma comédia de erros no estilo Coen

+ ‘O Retorno do Rei: Queda e Ascensão de Elvis Presley’ é precioso

Crítica de Grande Sertão, do Globoplay

“Grande Sertão” se apresenta como uma adaptação ousada, mas profundamente consciente de suas raízes literárias. A escolha de Guel Arraes por trazer o clássico de Guimarães Rosa para o ambiente urbano não é apenas uma atualização estética: é uma declaração política.

Ao transformar as disputas dos jagunços em conflitos entre gangues e forças policiais, o filme traça um paralelo inquietante entre o sertão e as periferias contemporâneas, questionando a permanência da violência nas estruturas sociais brasileiras.

Direção de arte e fotografia

A direção de arte e a fotografia são verdadeiros pontos altos da produção. O cenário distópico ganha vida nas mãos de Gustavo Hadba, que combina ângulos inusitados e iluminação precisa para criar uma ambientação opressiva e ao mesmo tempo poética.

A caracterização dos personagens, especialmente Hermógenes (Eduardo Sterblitch), é um espetáculo à parte, com maquiagem e figurinos que aproximam o vilão de uma figura demoníaca que simboliza a destruição.

Eduardo Sterblitch rouba a cena

As atuações, em grande parte, sustentam o peso do filme. Caio Blat, que revisita Riobaldo após anos interpretando-o no teatro, traz uma profundidade emocional única ao protagonista. Luisa Arraes surpreende como Diadorim, abordando com sensibilidade as nuances de identidade e gênero que tornam a personagem tão marcante.

Mas é Eduardo Sterblitch quem rouba a cena: sua interpretação de Hermógenes é visceral, um vilão que encarna a brutalidade e a loucura de um mundo sem redenção.

Diálogos literários originais

No entanto, o filme nem sempre atinge o equilíbrio entre suas ambições. Ao manter os diálogos literários originais de Rosa, “Grande Sertão” desafia o público com sua linguagem rebuscada, mas por vezes compromete a fluidez narrativa.

A teatralidade, marca registrada de Guel Arraes, funciona em muitos momentos, mas pode parecer deslocada em cenas de ação ou conflito mais intensos.

Além disso, o foco quase exclusivo nas figuras de poder – facções e polícia – deixa de explorar mais profundamente a perspectiva dos habitantes comuns, que poderiam enriquecer o universo criado.

Acompanhe o Flixlândia no Google Notícias e fique por dentro do mundo dos filmes e séries do streaming

Conclusão

“Grande Sertão” é uma obra audaciosa que reafirma a relevância de Guimarães Rosa e sua capacidade de dialogar com questões contemporâneas. Guel Arraes entrega um filme visualmente impactante, carregado de atuações memoráveis e reflexões pertinentes sobre violência, amor e identidade.

Embora não seja perfeito, o longa consegue honrar o espírito do romance original enquanto traça novos caminhos para a literatura brasileira no cinema. É um convite para revisitar Rosa sob uma nova perspectiva – uma que ecoa nos sertões urbanos de hoje.

Siga o Flixlândia nas redes sociais

Instagram
Twitter
TikTok
YouTube

Onde assistir ao filme Grande Sertão?

O filme está disponível para assistir no Globoplay.

Trailer de Grande Sertão (2024)

YouTube player

Elenco de Grande Sertão, do Globoplay

  • Caio Blat
  • Luisa Arraes
  • Luis Miranda
  • Rodrigo Lombardi
  • Eduardo Sterblitch
  • Mariana Nunes
  • Luellem de Castro
  • Vittória Seixas
  • Vitor Valle
  • Maria Eloiza

Ficha técnica do filme Grande Sertão

  • Direção: Guel Arraes
  • Roteiro: Guel Arraes, Jorge Furtado
  • Gênero: aventura, ação, ficção científica, drama
  • País: Brasil
  • Duração: 108 minutos
  • Classificação: 18 anos
Escrito por
Wilson Spiler

Formado em Design Gráfico, Pós-graduado em Jornalismo e especializado em Jornalismo Cultural, com passagens por grandes redações como TV Globo, Globonews, SRZD e Ultraverso.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Procuram-se colaboradores
Procuram-se colaboradores

Últimas

Artigos relacionados
Pele de Vidro crítica do documentário 2026 - crédito Plinio Hokama Angeli - Flixlândia
Críticas

‘Pele de Vidro’: Denise Zmekhol usa edifício para conectar história pessoal à do Brasil

“Pele de Vidro” acompanha a jornada da cineasta Denise Zmekhol ao descobrir...

Uma Segunda Chance crítica do filme 2026 - Flixlândia
Críticas

‘Uma Segunda Chance’ é um filme honesto em sua proposta

A adaptação de Uma Segunda Chance (título original Reminders of Him), baseada...

Casamento Sangrento 2 A Viúva crítica do filme 2026 - Flixlândia
Críticas

‘Casamento Sangrento 2: A Viúva’ mantém a fórmula de sucesso, mas sem grandes inovações

Casamento Sangrento 2: A Viúva, que estreia nos cinemas nesta quinta-feira, 19...

O Velho Fusca crítica do filme brasileiro 2026 - Flixlândia
Críticas

‘O Velho Fusca’: gerações vencendo preconceitos 

Olá, caro leitor! Bem-vindo novamente. Hoje vamos falar sobre “O Velho Fusca”, a...

Narciso crítica do filme brasileiro com Seu Jorge 2026 - Flixlândia
Críticas

‘Narciso’, uma fábula moderna sobre o espelho da invisibilidade social

Narciso é o mais novo projeto do diretor Jeferson De (M-8: Quando...

A Mensageira 2026 crítica do filme - Flixlândia
Críticas

‘A Mensageira’ entrega uma obra visualmente hipnótica

A Mensageira, dirigido por Iván Fund, que estreia nos cinemas em 19...

Devoradores de Estrelas critica do filme 2026
Críticas

‘Devoradores de Estrelas’: Astrofagia com A maiúsculo

Olá, meus caros “Devoradores de Telonas”! Sejam bem-vindos! Com Devoradores de Estrelas...

Mulher Proibida crítica do filme 2024 Prime Video - Flixlândia (1)
Críticas

A regra é não tocar: o que deu certo (e muito errado) em ‘Mulher Proibida’

O Prime Video fisgou muita gente recentemente com “Mulher Proibida” (título original...