Existe um cansaço legítimo quando surge mais um terror psicológico prometendo “medo sofisticado” enquanto entrega silêncio, trauma e uma entidade que quase não aparece. Harpía – Presença Maligna chega carregando esse estigma e parece, à primeira vista, mais um filme disposto a confundir sugestão com profundidade. Mas o longa não quer disputar atenção com sustos fáceis. Ele prefere algo mais ingrato e talvez mais eficaz: deixar o espectador preso a um desconforto que não se resolve.
Harpía – Presença Maligna é uma produção original, sem vínculo com franquias ou adaptações literárias, lançada em um momento em que o terror passou a operar menos como espetáculo e mais como discurso emocional. É um cinema que entende o medo como algo persistente, íntimo e difícil de nomear. Essa escolha criativa já delimita o público e antecipa suas limitações.
Sinopse
A história acompanha uma mulher que, após um evento traumático, retorna à casa da família. O reencontro com a mãe, o peso das memórias e uma presença inquietante que parece habitar o espaço doméstico colocam passado e presente em rota de colisão.
À medida que o ambiente se torna mais opressivo, o filme embaralha fronteiras entre ameaça sobrenatural e conflitos psicológicos não resolvidos, usando o terror como linguagem para falar de heranças emocionais e culpa.
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Resenha crítica do filme Harpía – Presença Maligna
O grande mérito de Harpía– Presença Maligna está na forma como transforma o lar em um território ambíguo. Aquilo que deveria acolher passa a sufocar. A maternidade, frequentemente idealizada como refúgio e cuidado, surge aqui como espaço de tensão, cobrança e desgaste emocional. O filme não demoniza personagens, mas expõe expectativas sociais que recaem sobre mulheres e se perpetuam de geração em geração.
A entidade que dá título ao longa funciona mais como símbolo do que como ameaça concreta. Ela representa o peso do que não é dito, do afeto atravessado por culpa e da repetição de padrões familiares. Essa abordagem pode frustrar quem espera um terror mais explícito, mas dialoga diretamente com a proposta da diretora.

Sem excessos
Angela Gulner, que estreia na direção de longas-metragens e também escreve o roteiro, filma o medo como algo cotidiano, silencioso e persistente, evitando excessos visuais e apostando em enquadramentos fechados, iluminação fria e um ritmo deliberadamente contido.
As atuações seguem essa mesma lógica de contenção. Não há explosões dramáticas ou grandes confrontos verbais. O horror se manifesta nos gestos mínimos, nos silêncios prolongados e nos olhares que carregam mais informação do que os diálogos. Visualmente, o filme não arrisca muito, mas mantém coerência estética ao privilegiar espaços fechados e uma atmosfera de constante vigilância.
Vocação reflexiva
É impossível não perceber ecos de obras como O Babadook e Relic, filmes que também usam o sobrenatural como metáfora para o luto e a herança emocional. Harpia – Presença Maligna não atinge o mesmo grau de impacto ou originalidade, mas se sustenta pela honestidade de sua proposta e pela recusa em transformar trauma em espetáculo.
No encerramento, o filme confirma sua vocação mais reflexiva do que catártica. Retomando a tese inicial, o terror doméstico aqui serve como lente para discutir maternidade, culpa e expectativas sociais em um contexto de exaustão emocional. Não há grandes revelações nem soluções confortáveis. O desconforto permanece porque essa é, afinal, a experiência que o filme quer provocar.
Conclusão
Harpía – Presença Maligna pode não agradar a todos, mas encontra valor justamente nessa recusa em simplificar seus conflitos. É um terror que entende o medo como algo estrutural, íntimo e persistente. Em um cenário em que o cinema de horror se tornou um espaço fértil para discutir questões contemporâneas, o filme se posiciona como uma obra modesta, porém coerente, que prefere inquietar a entreter.
Atualmente, Harpía – Presença Maligna está disponível no catálogo da HBO Max. Lançado em 2025, o longa é uma produção dos Estados Unidos e uma estreia consistente na carreira de Gulner à frente de longas-metragens.
Onde assistir ao filme Harpía – Presença Maligna?
Trailer de Harpía – Presença Maligna (2025)
Elenco do filme Harpía – Presença Maligna
- Katie Parker
- Patricia Heaton
- Cobin Bernsen
- Emma Fitzpatrick
- Thesa Loving
- Angela Baumgardner
- Sabreena Iman















