Harpía Presença Maligna resenha crítica do filme 2025 Flixlândia (1)

‘Harpía – Presença Maligna’ transforma o terror doméstico em um retrato incômodo da maternidade sob pressão

Foto: Divulgação
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Existe um cansaço legítimo quando surge mais um terror psicológico prometendo “medo sofisticado” enquanto entrega silêncio, trauma e uma entidade que quase não aparece. Harpía – Presença Maligna chega carregando esse estigma e parece, à primeira vista, mais um filme disposto a confundir sugestão com profundidade. Mas o longa não quer disputar atenção com sustos fáceis. Ele prefere algo mais ingrato e talvez mais eficaz: deixar o espectador preso a um desconforto que não se resolve.

Harpía – Presença Maligna é uma produção original, sem vínculo com franquias ou adaptações literárias, lançada em um momento em que o terror passou a operar menos como espetáculo e mais como discurso emocional. É um cinema que entende o medo como algo persistente, íntimo e difícil de nomear. Essa escolha criativa já delimita o público e antecipa suas limitações.

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Sinopse

A história acompanha uma mulher que, após um evento traumático, retorna à casa da família. O reencontro com a mãe, o peso das memórias e uma presença inquietante que parece habitar o espaço doméstico colocam passado e presente em rota de colisão.

À medida que o ambiente se torna mais opressivo, o filme embaralha fronteiras entre ameaça sobrenatural e conflitos psicológicos não resolvidos, usando o terror como linguagem para falar de heranças emocionais e culpa.

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Resenha crítica do filme Harpía – Presença Maligna

O grande mérito de Harpía– Presença Maligna está na forma como transforma o lar em um território ambíguo. Aquilo que deveria acolher passa a sufocar. A maternidade, frequentemente idealizada como refúgio e cuidado, surge aqui como espaço de tensão, cobrança e desgaste emocional. O filme não demoniza personagens, mas expõe expectativas sociais que recaem sobre mulheres e se perpetuam de geração em geração.

A entidade que dá título ao longa funciona mais como símbolo do que como ameaça concreta. Ela representa o peso do que não é dito, do afeto atravessado por culpa e da repetição de padrões familiares. Essa abordagem pode frustrar quem espera um terror mais explícito, mas dialoga diretamente com a proposta da diretora.

Harpía Presença Maligna 2025 resenha crítica do filme Flixlândia (1)
Foto: Divulgação

Sem excessos

Angela Gulner, que estreia na direção de longas-metragens e também escreve o roteiro, filma o medo como algo cotidiano, silencioso e persistente, evitando excessos visuais e apostando em enquadramentos fechados, iluminação fria e um ritmo deliberadamente contido.

As atuações seguem essa mesma lógica de contenção. Não há explosões dramáticas ou grandes confrontos verbais. O horror se manifesta nos gestos mínimos, nos silêncios prolongados e nos olhares que carregam mais informação do que os diálogos. Visualmente, o filme não arrisca muito, mas mantém coerência estética ao privilegiar espaços fechados e uma atmosfera de constante vigilância.

Vocação reflexiva

É impossível não perceber ecos de obras como O Babadook e Relic, filmes que também usam o sobrenatural como metáfora para o luto e a herança emocional. Harpia – Presença Maligna não atinge o mesmo grau de impacto ou originalidade, mas se sustenta pela honestidade de sua proposta e pela recusa em transformar trauma em espetáculo.

No encerramento, o filme confirma sua vocação mais reflexiva do que catártica. Retomando a tese inicial, o terror doméstico aqui serve como lente para discutir maternidade, culpa e expectativas sociais em um contexto de exaustão emocional. Não há grandes revelações nem soluções confortáveis. O desconforto permanece porque essa é, afinal, a experiência que o filme quer provocar.

Conclusão

Harpía – Presença Maligna pode não agradar a todos, mas encontra valor justamente nessa recusa em simplificar seus conflitos. É um terror que entende o medo como algo estrutural, íntimo e persistente. Em um cenário em que o cinema de horror se tornou um espaço fértil para discutir questões contemporâneas, o filme se posiciona como uma obra modesta, porém coerente, que prefere inquietar a entreter.

Atualmente, Harpía – Presença Maligna está disponível no catálogo da HBO Max. Lançado em 2025, o longa é uma produção dos Estados Unidos e uma estreia consistente na carreira de Gulner à frente de longas-metragens.

Onde assistir ao filme Harpía – Presença Maligna?

Trailer de Harpía – Presença Maligna (2025)

YouTube player

Elenco do filme Harpía – Presença Maligna

  • ⁦⁨Katie Parker⁩
  • ⁨Patricia Heaton⁩
  • ⁨Cobin Bernsen⁩
  • ⁨Emma Fitzpatrick⁩
  • ⁨Thesa Loving⁩
  • ⁨Angela Baumgardner⁩
  • ⁨Sabreena Iman⁩⁩
Escrito por
Guará

Guaraci Beltrão Idiart transita entre a gestão e a imaginação. Formado em Processos Gerenciais e Gestão Comercial, com pós-graduação em Comunicação e Marketing em Mídias Digitais, com o TCC nos créditos finais, e outra especialização em Gestão de Projetos em andamento, encontrou no cinema sua grande paixão. Cinéfilo por herança de seu saudoso pai, mergulhou de vez no Cinema Fantástico, Terror, Ficção Científica, Suspense, Mistério e Ação, e hoje comanda o perfil Assiste QUEM QUER no Instagram, reunindo mais de 20 mil seguidores.

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