It Bem-Vindos a Derry Episódio 8 resenha crítica da série HBO 2025 Flixlândia (1)

[CRÍTICA] ‘It: Bem-Vindos a Derry’ traz um final épico, mas cheio de furos

Foto: HBO / Divulgação
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Chegamos ao fim da primeira temporada de It: Bem-Vindos a Derry com o episódio “Brasas no Inverno”, e a sensação que fica é a de estar tentando comer um pedaço de carne difícil: você precisa cortar muita gordura e nervos para encontrar algo realmente saboroso ali no meio.

O episódio, escrito por Jason Fuchs e dirigido por Andy Muschietti, não economiza em espetáculo e tenta amarrar as pontas soltas de uma forma grandiosa, mas acaba tropeçando nas próprias pernas ao tentar justificar sua existência como um prelúdio.

O final deixa claro, com um letreiro nada sutil de “Capítulo Um”, que a história está longe de acabar. Mas será que a jornada até aqui valeu a pena ou foi apenas uma longa preparação para nos vender mais temporadas? Vamos pegar o cutelo e dissecar esse final.

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Sinopse

O episódio começa com Derry mergulhada em um denso nevoeiro e um frio sobrenatural — consequência direta da destruição de um dos pilares no episódio anterior. Pennywise, agora totalmente desperto e livre, assume o controle da Derry High School em uma sequência brutal: ele usa o diretor decapitado como um boneco de ventríloquo, faz um número musical e hipnotiza todos os alunos com as “Luzes da Morte”, guiando-os para fora da cidade como um Flautista de Hamelin macabro.

Enquanto isso, o plano militar do General Shaw de usar a criatura como arma desmorona (previsivelmente). Um grupo improvável formado por Leroy, Charlotte, Rose, Taniel e Dick Hallorann tenta impedir o massacre. As crianças — Marge, Lilly e Ronnie — roubam um caminhão de leite e partem para o confronto final no Rio Penobscot congelado, armadas com a adaga cerimonial que age de forma estranha (quase como o “Um Anel” de O Senhor dos Anéis). O clímax envolve sacrifícios, a forma final de Pennywise como um pássaro-morcego gigante e uma ajuda sobrenatural vinda do além.

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Resenha crítica do episódio 8, final de It: Bem-Vindos a Derry

O show de Pennywise e o visual

Se há algo inegável neste final, é que Bill Skarsgård entrega tudo o que tem. A sequência na escola é, sem dúvida, um dos pontos altos da temporada em termos de horror visual e criatividade. Ver o palhaço cantando, dançando e manipulando o corpo do diretor Dunleavy traz aquela mistura de humor negro e repulsa que define o personagem.

Os efeitos visuais, que oscilaram durante a temporada, aqui funcionam bem para criar a grandiosidade do nevoeiro e do rio congelado, dando um ar de filme de desastre ao episódio. A transformação final de Pennywise em uma criatura híbrida (pássaro/morcego/dragão) atende às reclamações dos fãs sobre a falta de formas monstruosas, embora a luta no gelo tenha seus momentos de CGI questionável.

It Bem-Vindos a Derry 8 Episódio resenha crítica da série HBO 2025 Flixlândia (1)
Foto: HBO / Divulgação

Roteiro conveniente e furos na trama

Infelizmente, a narrativa não acompanha a qualidade visual. O roteiro parece forçar os personagens a irem de um ponto A para um ponto B apenas porque a trama exige. A dinâmica da adaga mágica, que começa a enlouquecer Lilly como se fosse o Anel de Sauron, surge como um obstáculo artificial. Além disso, a lógica temporal da série ficou confusa.

A revelação de que Pennywise vivencia o tempo de forma não linear — sabendo que Marge (que descobrimos ser a futura mãe de Richie Tozier) dará à luz alguém que ajudará a matá-lo — soa como um retcon complicado. Se ele sabe o futuro, por que agir como age?

O núcleo militar, que consumiu tanto tempo de tela na temporada, teve uma resolução pífia. O General Shaw morre de forma estúpida (tentando dar ordens a um devorador de mundos), provando que toda essa subtrama serviu apenas para encher linguiça.

Conexões, cameos e fan service

A série não resistiu a jogar referências pesadas para os fãs dos filmes e livros. Temos a aparição do fantasma de Rich (mostrando o dedo do meio para o palhaço, o que foi brega, mas divertido), referências à Tartaruga Maturin através do chá que Dick toma, e a confirmação da linhagem de Richie Tozier.

O epílogo dá um salto para 1988 no asilo Juniper Hill, trazendo uma participação especial de Sophia Lillis como a jovem Beverly Marsh. É um fan service puro, servindo para ligar a série diretamente aos filmes e explicar por que Beverly veria a Sra. Kersh no futuro. A frase “Ninguém que morre aqui realmente morre” fecha o episódio com um tom sinistro, mas também reforça a sensação de que a série depende demais da nostalgia dos filmes.

Desenvolvimento de Personagens: Altos e Baixos

O destaque emocional fica, mais uma vez, com a dupla Leroy (Jovan Adepo) e Dick Hallorann (Chris Chalk). A cena em que Leroy implora ajuda a Dick é comovente e bem atuada. Dick, aliás, tem um arco sólido, usando seus poderes (o “Iluminado”) para enganar Pennywise, e seu final indo para um hotel em Londres (uma piada óbvia com O Iluminado) foi um toque simpático.

Por outro lado, as decisões de outros personagens desafiam a lógica. A escolha de Charlotte e Leroy de permanecerem em Derry e assumirem a fazenda para “vigiar a jaula” não faz o menor sentido com o que sabemos dos filmes (onde Mike Hanlon é o único que fica). Parece uma decisão forçada para manter os personagens presos à mitologia da cidade.

Conclusão

“Brasas no Inverno” é um encerramento que oscila entre o épico e o frustrante. Ele cumpre a função de entregar um confronto final cheio de adrenalina e momentos memoráveis de horror corporal, mas falha em dar peso e lógica a muitas de suas tramas. A série tentou expandir a mitologia de Stephen King, mas muitas vezes pareceu tropeçar em suas próprias regras (como o teletransporte e os poderes inconsistentes de Pennywise).

Ao final, It: Bem-Vindos a Derry provou ser uma jornada divertida, porém imperfeita. O episódio deixa as portas escancaradas para uma segunda temporada — possivelmente explorando outras eras ou aprofundando essa bagunça temporal —, mas resta saber se o público terá paciência para mais “gordura” narrativa antes de chegar à próxima porção de carne.

Mais sobre It: Bem-Vindos a Derry:

Onde assistir à série It: Bem-Vindos a Derry?

Veja o trailer de It: Bem-Vindos a Derry (2025)

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Quem está no elenco de It: Bem-Vindos a Derry, da HBO?

  • Mikkal Karim Fidler
  • Bill Skarsgård
  • Joshua Odjick
  • Jack Molloy Legault
  • Amanda Christine
  • Jovan Adepo
  • Clara Stack
  • Miles Ekhardt
Escrito por
Wilson Spiler

Formado em Design Gráfico, Pós-graduado em Jornalismo e especializado em Jornalismo Cultural, com passagens por grandes redações como TV Globo, Globonews, SRZD e Ultraverso.

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