Dirigido por Lee Sang-il, “Kokuho: O Preço da Perfeição” (Kokuhō) chega chancelado por um sucesso estrondoso no Japão (onde se tornou o live-action mais lucrativo da história do país), uma passagem elogiada pelo Festival de Cannes e uma merecidíssima indicação ao Oscar de Melhor Maquiagem e Cabelo.
No entanto, por trás de toda a reverência cultural e da beleza estonteante de seus quadros, esconde-se uma obra densa que exige uma dedicação quase tão intensa do espectador quanto a de seus protagonistas no palco.
Sinopse
Baseado no calhamaço de mais de 800 páginas de Shuichi Yoshida, o filme acompanha uma saga de décadas centrada no rigoroso e elitista universo do teatro Kabuki. De um lado, temos Kikuo (Ryo Yoshizawa), um jovem marcado pela tragédia da máfia Yakuza que encontra refúgio como aprendiz. Do outro, Shunsuke (Ryusei Yokohama), o herdeiro legítimo de uma prestigiada casa de Kabuki, liderada por Hanai Hanjiro II (o sempre magnético Ken Watanabe).
A dinâmica entre os dois — que vai da irmandade à rivalidade destrutiva — é o motor da narrativa. Ambos se especializam como onnagata (atores masculinos que interpretam papéis femininos), o que exige uma transformação física, vocal e espiritual absoluta. O esforço dos atores principais fora das telas transborda para o filme: Yoshizawa e Yokohama treinaram exaustivamente por um ano e meio para o longa, e essa entrega visceral é o que sustenta a credibilidade de cada performance no palco fictício.

Crítica do filme Kokuho: O Preço da Perfeição
O merecimento no Oscar e o peso estético
Visualmente, “Kokuho” faz jus ao título (que pode ser traduzido como “Tesouro Nacional”). A fotografia é deslumbrante, capturando tanto o esplendor das apresentações teatrais quanto a melancolia e a sujeira dos becos e da decadência pessoal de Kikuo ao longo dos anos.
É na caracterização, porém, que o filme encontra seu trunfo internacional. A indicação ao Oscar de Melhor Maquiagem e Cabelo não é apenas um reconhecimento técnico, mas narrativo. A maquiagem pesada do Kabuki atua como uma máscara que esconde os traumas, a gangrena, o envelhecimento e as falhas humanas dos personagens. A transformação dos atores para a lendária dança da Garça Branca (Heron Maiden), por exemplo, é de um primor técnico que justifica qualquer prêmio.
Uma jornada bela, porém exaustiva
Apesar de todos os méritos inegáveis, é preciso frisar: “Kokuho” é um teste de resistência. Originalmente com um corte de quatro horas e meia, o diretor Lee Sang-il penou para reduzir a obra para suas atuais três horas de duração. E, infelizmente, esse peso cronometrado é sentido.
Para o espectador ocidental — ou para quem não é familiarizado com o ritmo cadenciado e contemplativo do cinema tradicional japonês —, a obra pode soar intimidadora e cansativa. O filme se alonga em suas elipses temporais e nos dramas cíclicos de ascensão, queda e redenção de seus protagonistas. Há momentos em que a narrativa parece estagnar em sua própria contemplação, o que pode fazer com que muitos se sintam acanhados ou desmotivados a continuar a jornada até o fim.
Conclusão
No fim das contas, “Kokuho: O Preço da Perfeição” é exatamente sobre isso: sacrifício. O filme exige que o público sacrifique seu tempo e sua energia para ser recompensado com sequências de uma beleza teatral rara e atuações devastadoras. É um épico maravilhoso de se olhar, mas, indiscutivelmente, pesado de se carregar.
Onde assistir ao filme Kokuho: O Preço da Perfeição?
O filme estreia nesta quinta-feira, 5 de fevereiro de 2026, exclusivamente nos cinemas brasileiros.
Trailer de Kokuho: O Preço da Perfeição (2026)
Elenco do filme Kokuho: O Preço da Perfeição
- Ryo Yoshizawa
- Ryusei Yokohama
- Soya Kurokawa
- Keitatsu Koshiyama
- Mitsuki Takahata
- Nana Mori
- Shinobu Terajima
- Min Tanaka
- Ken Watanabe














