Kokuho O Preço da Perfeição crítica do filme 2026

‘Kokuho: O Preço da Perfeição’: um deslumbre visual que testa a resistência do espectador

Foto: Sato Company / Divulgação
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Dirigido por Lee Sang-il, “Kokuho: O Preço da Perfeição” (Kokuhō) chega chancelado por um sucesso estrondoso no Japão (onde se tornou o live-action mais lucrativo da história do país), uma passagem elogiada pelo Festival de Cannes e uma merecidíssima indicação ao Oscar de Melhor Maquiagem e Cabelo.

No entanto, por trás de toda a reverência cultural e da beleza estonteante de seus quadros, esconde-se uma obra densa que exige uma dedicação quase tão intensa do espectador quanto a de seus protagonistas no palco.

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Sinopse

Baseado no calhamaço de mais de 800 páginas de Shuichi Yoshida, o filme acompanha uma saga de décadas centrada no rigoroso e elitista universo do teatro Kabuki. De um lado, temos Kikuo (Ryo Yoshizawa), um jovem marcado pela tragédia da máfia Yakuza que encontra refúgio como aprendiz. Do outro, Shunsuke (Ryusei Yokohama), o herdeiro legítimo de uma prestigiada casa de Kabuki, liderada por Hanai Hanjiro II (o sempre magnético Ken Watanabe).

A dinâmica entre os dois — que vai da irmandade à rivalidade destrutiva — é o motor da narrativa. Ambos se especializam como onnagata (atores masculinos que interpretam papéis femininos), o que exige uma transformação física, vocal e espiritual absoluta. O esforço dos atores principais fora das telas transborda para o filme: Yoshizawa e Yokohama treinaram exaustivamente por um ano e meio para o longa, e essa entrega visceral é o que sustenta a credibilidade de cada performance no palco fictício.

Kokuho O Preço da Perfeição crítica do filme 2026 - Flixlândia
Foto: Sato Company / Divulgação

Crítica do filme Kokuho: O Preço da Perfeição

O merecimento no Oscar e o peso estético

Visualmente, “Kokuho” faz jus ao título (que pode ser traduzido como “Tesouro Nacional”). A fotografia é deslumbrante, capturando tanto o esplendor das apresentações teatrais quanto a melancolia e a sujeira dos becos e da decadência pessoal de Kikuo ao longo dos anos.

É na caracterização, porém, que o filme encontra seu trunfo internacional. A indicação ao Oscar de Melhor Maquiagem e Cabelo não é apenas um reconhecimento técnico, mas narrativo. A maquiagem pesada do Kabuki atua como uma máscara que esconde os traumas, a gangrena, o envelhecimento e as falhas humanas dos personagens. A transformação dos atores para a lendária dança da Garça Branca (Heron Maiden), por exemplo, é de um primor técnico que justifica qualquer prêmio.

Uma jornada bela, porém exaustiva

Apesar de todos os méritos inegáveis, é preciso frisar: “Kokuho” é um teste de resistência. Originalmente com um corte de quatro horas e meia, o diretor Lee Sang-il penou para reduzir a obra para suas atuais três horas de duração. E, infelizmente, esse peso cronometrado é sentido.

Para o espectador ocidental — ou para quem não é familiarizado com o ritmo cadenciado e contemplativo do cinema tradicional japonês —, a obra pode soar intimidadora e cansativa. O filme se alonga em suas elipses temporais e nos dramas cíclicos de ascensão, queda e redenção de seus protagonistas. Há momentos em que a narrativa parece estagnar em sua própria contemplação, o que pode fazer com que muitos se sintam acanhados ou desmotivados a continuar a jornada até o fim.

Conclusão

No fim das contas, “Kokuho: O Preço da Perfeição” é exatamente sobre isso: sacrifício. O filme exige que o público sacrifique seu tempo e sua energia para ser recompensado com sequências de uma beleza teatral rara e atuações devastadoras. É um épico maravilhoso de se olhar, mas, indiscutivelmente, pesado de se carregar.

Onde assistir ao filme Kokuho: O Preço da Perfeição?

O filme estreia nesta quinta-feira, 5 de fevereiro de 2026, exclusivamente nos cinemas brasileiros.

Trailer de Kokuho: O Preço da Perfeição (2026)

YouTube player

Elenco do filme Kokuho: O Preço da Perfeição

  • Ryo Yoshizawa
  • Ryusei Yokohama
  • Soya Kurokawa
  • Keitatsu Koshiyama
  • Mitsuki Takahata
  • Nana Mori
  • Shinobu Terajima
  • Min Tanaka
  • Ken Watanabe
Escrito por
Cadu Costa

Cadu Costa era um camisa 10 campeão do Vasco da Gama nos anos 80 até ser picado por uma aranha radioativa e assumir o manto do Homem-Aranha. Pra manter sua identidade secreta, resolveu ser um astro do rock e rodar o mundo. Hoje prefere ser somente um jornalista bêbado amante de animais que ouve Paulinho da Viola e chora pelos amores vividos. Até porque está ficando velho e esse mundo nem merece mais ser salvo.

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