La Perra (2026) é um longa-metragem dirigido pela cineasta chilena Dominga Sotomayor, conhecida por Tarde para Morrer Jovem (2018), e roteirizado por ela em parceria com Inés Bortagaray (A Vida Invisível), a partir da obra homônima da escritora colombiana Pilar Quintana.
Fruto de uma coprodução entre o Chile e o Brasil, com produção assinada por Rodrigo Teixeira (RT Features), a obra estreou mundialmente na seção Quinzena dos Realizadores do Festival de Cannes, onde a cadela resgatada que interpreta a personagem Yuri recebeu o prêmio simbólico Palm Dog. No circuito brasileiro, o filme encerrou o Festival de Gramado e integrou a seleção oficial do Festival do Rio.
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Sinopse
Em uma ilha remota e açoitada pelos ventos na costa do Chile, Silvia (Manuela Oyarzún) ganha a vida colhendo algas e mantém uma rotina pacífica ao lado do companheiro. Sua vida muda quando ela resgata uma cadelinha abandonada e a batiza de Yuri, o mesmo nome que havia escolhido para a filha que nunca teve.
O intenso vínculo com o animal desperta um desejo de maternidade há muito reprimido. No entanto, quando Yuri desaparece repentinamente, o evento força Silvia a confrontar um trauma de infância que ela jamais conseguiu superar.
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Crítica do filme La Perra (2026)
Ritmo e atmosfera
A condução da narrativa aposta fortemente em um tom contemplativo, amparada por um ritmo desacelerado que prioriza a construção de ambiente em vez da evolução dos acontecimentos. A direção dedica grande parte do tempo às paisagens isoladas da ilha, aos momentos de silêncio da protagonista e às perambulações solitárias da cadela Yuri pela região.
Esse uso prolongado de planos lentos e a ausência de conflitos mais diretos acabam tornando a experiência de acompanhamento um pouco cansativa, sem dar uma ideia clara do rumo da trama. Essa escolha de estilo pode criar um distanciamento do espectador, dificultando o envolvimento com o que é apresentado na tela e impedindo que se estabeleça uma conexão real com a história.

Dilemas da protagonista
Paralelamente ao ritmo lento, a construção da protagonista peca pela falta de clareza em seus dilemas pessoais. Pautada por uma postura apática e por diálogos escassos, a representação das dores de Silvia se torna vaga na tela. Torna-se difícil compreender com exatidão o que de fato a aflige ou motiva, tanto no cotidiano da ilha quanto após o sumiço do animal.
Os sentimentos de solidão e frustração permanecem apenas sugeridos na superfície, sem um desenvolvimento que permita ao espectador se aprofundar em suas questões internas ou criar uma empatia genuína por sua jornada.
Conexão com o passado
O desaparecimento da cadela funciona como o principal estopim para conectar o abalo do presente às feridas do passado da personagem, mas essa transição ocorre de maneira pouco clara. As memórias antigas, como o abandono materno sofrido na infância e, principalmente, pelo sentimento de culpa ligado à tragédia com o filho do personagem interpretado por Selton Mello (Ainda Estou Aqui), surgem na narrativa sem uma ligação aparente com o que ela sente no presente.
A relação de causa e efeito entre a fuga do animal e esses traumas antigos me soou abstrata demais, o que dificultou a compreensão dessa ponte e fez com que a intensa reação emocional de Silvia pareça desvinculada do que de fato é mostrado na tela.
Vale a pena ver La Perra (2026)?
La Perra passa longe de ser uma produção ruim ou desprovida de méritos, mantendo o cuidado em aspectos como a fotografia e o uso do som, mas falha em seu propósito de gerar apelo emocional. A combinação de uma narrativa pouco clara com um ritmo excessivamente contemplativo resulta em uma obra fria, avaliada de mediana para baixo.
Diante da minha dificuldade em compreender os conflitos e as conexões do passado da protagonista, o resultado final é uma experiência que se acompanha com certo distanciamento e pouca identificação.
Onde assistir ao filme La Perra?
La Perra esteve presente no Festival do Rio 2026 e não possui, por enquanto, uma data definida para estrear comercialmente nos cinemas brasileiros.
Trailer do filme La Perra (2026)
Ficha técnica
| Informação | Detalhes |
| Título Original | La Perra |
| Direção | Dominga Sotomayor |
| Roteiro | Inés Bortagaray e Dominga Sotomayor |
| Baseado em | Romance homônimo de Pilar Quintana |
| Produção | Rodrigo Teixeira (RT Features) |
| Países de Origem | Chile, Brasil |
| Gênero | Drama |
| Elenco | Manuela Oyarzún, Selton Mello, David Gaete, Paula Luchsinger, Paula Dinamarca, Rafaella Grimberg |
| Premiações | Palm Dog (Festival de Cannes – Quinzena dos Realizadores) |
| Festivais / Exibições | Festival de Cannes, Festival de Gramado, Festival do Rio, Festival de San Sebastián |













