Mike & Nick & Nick & Alice crítica do filme do Disney+ 2026 - Flixlândia (1)

‘Mike & Nick & Nick & Alice’ compensa os defeitos com ação de primeira e muito coração

Foto: Disney+ / Divulgação
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Sabe aquele tipo de filme que junta tantas ideias absurdas na mesma panela que tinha tudo para dar incrivelmente errado, mas acaba sendo uma surpresa genuína? É exatamente esse o caso de Mike & Nick & Nick & Alice, o segundo longa escrito e dirigido por BenDavid Grabinski, que chega diretamente ao Disney+.

A premissa parece um verdadeiro delírio: mafiosos, triângulos amorosos, comédia de humor escrachado e viagem no tempo, tudo embrulhado no mesmo pacote. Embora muitos possam argumentar que este é o tipo de blockbuster que faria a festa das salas de cinema anos atrás e merecia estar nas telonas, a real é que o filme aposta na diversão descompromissada para prender a atenção de quem vai assistir no sofá de casa. Mas será que essa salada toda funciona?

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Sinopse

A história acompanha Mike (James Marsden), um capanga simpático que quer largar a vida do crime para fugir com o amor da sua vida, Alice (Eiza González). O pequeno detalhe é que Alice é casada com Nick (Vince Vaughn), que por acaso é parceiro de trabalho e velho amigo de Mike. Quando o Nick do presente descobre a traição, ele entra em modo vingança e arma uma emboscada: culpa Mike por um erro no submundo do crime para que ele seja caçado e morto a mando do chefão Sosa (Keith David) e seu bizarro assassino canibal de estimação.

No entanto, as coisas saem totalmente do controle quando o Nick do futuro, amargurado e arrependido por ter causado a morte do amigo, usa uma máquina do tempo (criada pelo ex de Alice, interpretado por Ben Schwartz) para voltar seis meses no passado. A partir daí, o Nick do futuro precisa convencer o relutante Mike a sobreviver à noite, lidar com a versão enfurecida de si mesmo do presente e dar um jeito de consertar a bagunça.

Crítica do filme Mike & Nick & Nick & Alice

A mistura louca (e arriscada) de gêneros

O maior charme do roteiro de Grabinski é brincar constantemente com as nossas expectativas. O filme já começa quebrando qualquer seriedade ao colocar o comediante Ben Schwartz cantando e dançando “Why Should I Worry?”, clássico da animação Oliver e sua Turma, dentro de um laboratório. Para boa parte do público, essa fusão maluca de um filme de gângster aos moldes de Os Bons Companheiros com as loucuras de ficção científica de Looper funciona super bem. O filme não perde tempo tentando explicar regras complicadas de física sobre viagens no tempo; ele foca na anarquia e na diversão.

Ainda assim, o humor não é unanimidade. Enquanto alguns apontam a comédia como brilhante e inteligente, críticos mais severos acham que o filme tenta forçar uma barra imitando os diálogos rápidos de Quentin Tarantino sobre banalidades, mas acabando com piadas sem graça e cansativas.

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O brilho duplo de Vince Vaughn e a química do elenco

Se tem algo em que o longa acerta em cheio é nas atuações. Vince Vaughn entrega absolutamente tudo no papel duplo. O “Nick do Presente” é frio, raivoso e impulsivo, enquanto o “Nick do Futuro” traz uma postura vulnerável, madura e cheia de remorso. Ver Vaughn brilhar contracenando consigo mesmo resgata o ápice de sua carreira na comédia e ainda prova que ele sabe segurar o drama e a ação.

James Marsden é outro que surpreende. Ele convence demais como um herói de ação durão nas cenas de porradaria, ao mesmo tempo em que faz o estilo “galã bobão” perfeitamente. Sua química com Eiza González é inegável e sustenta bem a carga emocional da história, mesmo que González acabe ficando muitas vezes relegada ao papel de voz da razão no meio de homens fazendo burradas. E não podemos esquecer dos coadjuvantes de peso: Jimmy Tatro, como o filho burro do chefão, rouba a cena e arranca as risadas mais honestas, enquanto Keith David impõe muito respeito.

Ação sangrenta, ritmo e trilha sonora

Para quem estava com saudade de filmes de ação com classificação indicativa alta, Mike & Nick & Nick & Alice entrega uma pancadaria bem coreografada, violência “gore” e tiroteios que parecem homenagear Matrix e o cinema de John Woo. Porém, tecnicamente, o diretor dá alguns tropeços. Certos usos de câmera lenta nas lutas causam estranheza, e o ritmo da montagem dá uma barrigada, deixando o filme uns 15 minutos mais longo do que deveria.

Outro ponto que divide muitas opiniões é a trilha sonora. O longa é recheado de músicas dos anos 80 e 90. Para alguns, essas faixas – incluindo um momento surpreendentemente tocante ao som de “Don’t Look Back in Anger” do Oasis – dão muita personalidade à trama. Por outro lado, o uso excessivo dessas canções pode soar datado, cansativo e, muitas vezes, totalmente fora de hora, atrapalhando o impacto de certas cenas.

Conclusão

No final das contas, Mike & Nick & Nick & Alice é uma montanha-russa imperfeita, mas incrivelmente carismática. Não é, e nem tenta ser, uma obra-prima cabeça da ficção científica. Com algumas escorregadas no ritmo e escolhas musicais que podem beirar a cafonice para alguns, ele compensa os defeitos com atuações inspiradíssimas, ação de primeira e um coração surpreendente.

É raro ver um filme que aborda temas como arrependimento, o perdão e a força de uma amizade verdadeira usando mafiosos e paradoxos temporais como pano de fundo. Se você procura um entretenimento caótico, engraçado e sem amarras para curtir num fim de semana, este é um baita filme pipoca.

Elenco do filme Mike & Nick & Nick & Alice, do Disney+

  • Vince Vaughn
  • James Marsden
  • Eiza González
  • Keith David
  • Jimmy Tatro
  • Stephen Root
Escrito por
Wilson Spiler

Formado em Design Gráfico, Pós-graduado em Jornalismo e especializado em Jornalismo Cultural, com passagens por grandes redações como TV Globo, Globonews, SRZD e Ultraverso.

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