Mistério em Cemetery Road resenha crítica série Apple TV 2025 Flixlândia (1)

[CRÍTICA] ‘Mistério em Cemetery Road’ traz um desfecho caótico para uma dupla improvável

Foto: Divulgação / Apple TV
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A adaptação do romance de estreia de Mick Herron, Mistério em Cemetery Road, chegou ao fim na Apple TV após oito episódios de tensão crescente. Se você, assim como muitos fãs de Slow Horses (outra obra do autor), veio esperando aquela mistura perfeita de espionagem suja e humor ácido, provavelmente encontrou algo diferente aqui.

A série, adaptada por Morwenna Banks, aposta alto na dinâmica entre Sarah Trafford (Ruth Wilson) e a detetive particular Zoë Boehm (Emma Thompson). Mas será que o final entregou o que prometeu? Vamos mergulhar nesse desfecho agridoce.

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Sinopse

O oitavo episódio retoma exatamente do gancho anterior: o caos na ilha escocesa. Descobrimos rapidamente que Zoë não apenas sobreviveu à explosão e aos tiros, como reaparece “do nada” para se juntar a Sarah e à pequena Dinah (Ivy Quoi). O trio agora tem um alvo nas costas desenhado pelo misterioso “C” (Darren Boyd), que ordena a Hamza Malik (Adeel Akhtar) que “termine o serviço” — ou seja, elimine as mulheres e a criança.

A fuga leva o grupo a sequestrar um ônibus e, eventualmente, a um confronto tenso em uma igreja isolada. Lá, as pontas soltas se encontram: o assassino profissional Amos (Fehinti Balogun) chega para limpar a bagunça (e apagar Malik), enquanto Sarah e Zoë precisam usar toda a sua astúcia — e violência — para sobreviver. O desfecho nos leva de volta a Londres, onde as consequências pessoais e políticas dessa conspiração militar finalmente aterrissam.

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Resenha crítica da série Mistério em Cemetery Road

A química que salva o dia

Não dá para negar: o coração pulsante da série é a relação entre Sarah e Zoë. Ruth Wilson entrega uma Sarah que finalmente completa seu arco de autodescoberta. Aquela mulher que começou a série perdida em um casamento sem amor e obcecada em encontrar uma criança desaparecida, termina jogando sua aliança fora e cantando “What’s Up?” do 4 Non Blondes a plenos pulmões num carro roubado. É uma libertação catártica.

Do outro lado, temos Emma Thompson, que, mesmo com uma personagem emocionalmente distante e cínica, consegue ser magnética. A cena final no trem, onde Sarah tenta processar o trauma como uma “experiência de união” e Zoë apenas lhe entrega a conta dos serviços prestados, resume perfeitamente a dinâmica delas. Elas não são “Thelma & Louise” tradicionais; são duas mulheres quebradas que funcionam estranhamente bem juntas.

Mistério em Cemetery Road 2025 resenha crítica série Apple TV Flixlândia
Foto: Divulgação / Apple TV

Suspensão de descrença

Aqui é onde a porca torce o rabo. O roteiro do final pede que o público aceite algumas coincidências absurdas. A sobrevivência de Zoë é o maior exemplo: ela escapa de explosões, nada no mar gelado e encontra o barco exato onde Sarah estava, tudo isso sem uma explicação plausível. O episódio pareceu apressado, tentando amarrar uma trama complicada em menos de uma hora, resultando em buracos narrativos que frustram quem prestou atenção aos detalhes.

Além disso, a inconsistência de tom atrapalha. Em um momento temos um drama denso sobre armas químicas e crianças em perigo; no outro, cenas quase pastelão com o personagem Malik, que oscila entre um agente do alto escalão e um trapalhão incapaz.

Vilões memoráveis e justiça pela metade

Falando em vilões, Fehinti Balogun merece destaque como Amos. Ele construiu um assassino que é, ao mesmo tempo, aterrorizante e estiloso (quem mais rejeita um sedã cinza para roubar um Triumph Stag clássico?). Sua morte brutal nas mãos de Zoë — uma cena digna de Kill Bill envolvendo um pino de metal no olho — foi um fim adequado para um personagem tão marcante.

Por outro lado, o desfecho dos “engravatados” deixa um gosto amargo, talvez propositalmente realista. “C” escapa da prisão e vai para o setor privado, enquanto a Ministra Talia (Lydia Leonard) limpa a sujeira com lágrimas de crocodilo na TV. E Malik? O homem que encomendou assassinatos sai vivo, embora com uma mão estraçalhada por sua própria incompetência (e pela esperteza de Sarah). A falta de consequências reais para os mandantes do crime é frustrante, mas alinhada ao cinismo do universo de Mick Herron.

Conclusão

O final de Mistério em Cemetery Road é uma mistura de ótimas atuações e um roteiro que, infelizmente, perdeu o fôlego na reta final. Embora não tenha a solidez narrativa de Slow Horses, a série valeu a pena pela performance estelar de suas protagonistas.

O encerramento deixa várias pontas soltas — como o destino de Sarah após abandonar o marido e o futuro da agência de Zoë — o que claramente prepara o terreno para uma possível segunda temporada. Se houver um retorno, esperamos ver mais dessa dupla, mas com um roteiro que confie menos em milagres e mais na inteligência de suas heroínas. Por enquanto, ficamos com a imagem de Sarah finalmente livre, mesmo que o caminho até lá tenha sido um tanto esburacado.

Onde assistir à série Mistério em Cemetery Road?

Trailer de Mistério em Cemetery Road (2025)

YouTube player

Elenco de Mistério em Cemetery Road, da Apple TV

  • Emma Thompson
  • Ruth Wilson
  • Adeel Akhtar
  • Darren Boyd
  • Fehinti Balogun
  • Nathan Stewart-Jarrett
  • Ella Bruccoleri
  • Ivy Quoi
Escrito por
Taynna Gripp

Formada em Letras e pós-graduada em Roteiro, tem na paixão pela escrita sua essência e trabalha isso falando sobre Literatura, Cinema e Esportes. Atual CEO do Flixlândia e redatora do site Ultraverso.

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