Se tem uma coisa que virou tradição natalina para muita gente (eu inclusa), é acompanhar os desastres amorosos da Johanne na série norueguesa da Netflix, Namorado de Natal. Depois de um hiato considerável, a série voltou para sua terceira temporada, trazendo nossa enfermeira favorita e sua inconfundível energia caótica.
Mas será que a espera valeu a pena? A sensação é de reencontrar uma velha amiga: o cenário continua aconchegante, os suéteres de tricô continuam maravilhosos, mas a bagunça na vida dela… ah, essa parece ter evoluído (ou não). Vamos mergulhar no que essa nova leva de episódios nos trouxe.
Sinopse
A trama dá um salto no tempo de cinco anos após os eventos da segunda temporada. Encontramos Johanne (interpretada pela carismática Ida Elise Broch) agora com 35 anos e, para surpresa de zero pessoas, solteira novamente. Descobrimos que ela e Jonas terminaram no Natal passado devido àquela velha questão: ele queria filhos, ela não. O término bateu forte, tanto que ela está há um ano sem sexo, ganhando o apelido carinhoso de “Monge de Ouro” dos colegas mais jovens do hospital.
Tentando sair dessa seca e lidar com a solidão, Johanne decide – num ato de bravura ou loucura – sediar o jantar de Natal da família em sua casa. O problema? Um cano estoura, destruindo a cozinha dela semanas antes da festa. É aí que entra Bo, um carpinteiro misterioso e bonitão que topa reformar tudo em tempo recorde.
Enquanto lida com a obra, Johanne ainda precisa navegar por uma promoção no trabalho (onde seus métodos pouco ortodoxos estão sob análise), flertar com Erik (um colega bem mais jovem) e lidar com o inevitável reencontro com o ex, Jonas.
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Resenha crítica da temporada 3 de Namorado de Natal
A vida aos 30 e poucos
Uma das maiores forças da série continua sendo a performance de Ida Elise Broch. Ela consegue equilibrar perfeitamente a vulnerabilidade de quem quer ser amada com a energia estranha de quem se veste de roedor gigante numa cena de abertura sem muito contexto.
Johanne está mais madura, sim, e sente o peso da idade nas conversas, mas continua sendo um “gremlin” humano com quem a gente se identifica. A série acerta em cheio ao mostrar que, aos 30 e tantos anos, você não tem todas as respostas; na verdade, às vezes parece que você tem ainda menos do que antes.

O dilema dos homens
O roteiro não poupa nossa protagonista de escolhas difíceis. Temos Erik, o colega de trabalho novinho que traz um flerte sexy e divertido, mas complica tudo quando Johanne vira chefe dele. Temos Bo, o empreiteiro silencioso e excêntrico (tipo forte e calado), que parece ser a âncora que ela precisa no meio do caos da reforma. E, claro, a sombra de Jonas.
A química de Broch com os interesses amorosos sustenta a narrativa, fazendo a gente oscilar sobre quem é a melhor opção. A série brinca com o tropo de “escolher um homem”, mas com uma camada extra de realidade: alguns têm bagagem de divórcio, outros são imaturos com “complexo de Peter Pan”. É um retrato honesto, às vezes doloroso, mas sempre envolvente do namoro moderno.
Estética de “Globo de Neve” e coadjuvantes de ouro
Visualmente, a temporada é um abraço. As ruas nevadas iluminadas por luzes pisca-pisca, os casacos xadrez e a trilha sonora (que vai de Joni Mitchell a pop norueguês) criam aquela atmosfera de globo de neve que a gente ama.
Além disso, o elenco de apoio brilha. Helga Guren, como a irmã Maria, retrata bem o estresse da “mãe perfeita”, e as cenas com Willy (Bjørn Sundquist) lidando com a mortalidade trazem um peso emocional necessário que equilibra a comédia romântica. É uma série que sabe ser engraçada – tem até uma homenagem hilária ao Massacre da Serra Elétrica – mas que não tem medo de fazer você chorar.
Um final apressado, mas necessário?
Nem tudo são flores (ou neve). Apesar de ter oito episódios para desenvolver a trama, os dois últimos capítulos parecem correr uma maratona. A resolução dos conflitos amorosos de Johanne, especialmente com o “último homem de pé”, é um pouco atropelada.
Um evento que deveria ter um impacto gigante é meio que deixado de lado para garantir o desfecho. Fica a sensação de que, embora o final seja merecido e aqueça o coração, faltou uma conversa séria ali que foi varrida para debaixo do tapete natalino.
Conclusão
A temporada 3 de Namorado de Natal é como voltar para casa: reconfortante, um pouco caótica, mas cheia de amor. É uma comédia romântica “elevada”, que foge do padrão Hallmark ao injetar doses reais de dor, solidão e erros humanos, sem perder a esperança.
Apesar de um final que poderia ter respirado um pouco mais, a jornada de Johanne para descobrir não apenas quem ela quer namorar, mas quem ela quer ser, é encerrada de forma esperançosa. Se essa for realmente a despedida, foi uma honra acompanhar essa bagunça. Pegue seu cobertor, prepare um chocolate quente e vá maratonar; é a pedida perfeita para entrar no clima festivo.
Onde assistir à temporada 3 de Namorado de Natal?
Trailer da terceira temporada de Namorado de Natal
Elenco da 3ª temporada de Namorado de Natal
- Ida Elise Broch
- Gabrielle Susanne Solheim Leithaug
- Oddgeir Thune
- Dennis Storhøi
- Anette Hoff
- Edward Schultheiss
- Felix Sandman
- Ghita Nørby
- Hege Schøyen
- Bjørn Skagestad

















