Xamã O Exorcista Pagão resenha crítica do filme 2025 Flixlândia

[CRÍTICA] ‘Xamã: O Exorcista Pagão’: quando a colonização é mais assustadora que o demônio

Foto: Divulgação
Compartilhe

Vamos ser sinceros: existe um motivo para “O Exorcista” ser um clássico absoluto e a maioria dos filmes que vieram depois parecerem apenas cópias pálidas. O subgênero de possessão e exorcismo está saturado, reciclando os mesmos demônios e cerimônias há décadas.

Por isso, quando ouvi falar de Xamã: O Exorcista Pagão (2025), dirigido por Antonio Negret e escrito por seu irmão Daniel, fiquei com uma pontinha de esperança. A promessa era fugir da fórmula padrão ao ambientar a história no Equador, misturando folclore indígena com a velha luta do bem contra o mal. Mas será que mudar o CEP do demônio é suficiente para salvar um roteiro morno?

➡️ Frete grátis e rápido na AMAZON! Confira o festival de ofertas e promoções com até 80% OFF para tudo o que você precisa: TVs, celulares, livros, roupas, calçados e muito mais! Economize já com descontos imperdíveis!

Sinopse

A trama gira em torno de Candice (Sara Canning) e Joel (Daniel Gillies), um casal de missionários que vive no Equador com o filho adolescente, Elliot (Jett Klyne). Eles estão lá para “salvar almas”, administrando uma escola e oferecendo ajuda médica, mas com aquela pitada de superioridade religiosa. Tudo muda quando Elliot, ignorando os avisos das crianças locais, entra em uma caverna proibida em um vulcão e encontra um relógio antigo e, de quebra, uma entidade maligna ancestral (Supay, o Deus da Morte).

Quando o garoto começa a agir de forma estranha — vômitos, convulsões e aquele pacote básico de possessão —, Candice imediatamente culpa o Xamã local (Humberto Morales), acusando-o de envenenar seu filho. O que se segue é um embate entre a fé católica rígida da mãe, representada também pelo Padre Meyer (Alejandro Fajardo), e as forças antigas daquela terra.

➡️ Quer saber mais sobre filmesséries e streamings? Então acompanhe o trabalho do Flixlândia nas redes sociais pelo INSTAGRAMXTIKTOKYOUTUBEWHATSAPP, e GOOGLE NOTÍCIAS, e não perca nenhuma informação sobre o melhor do mundo do audiovisual.

Resenha crítica do filme Xamã: O Exorcista Pagão

A arrogância da fé e o verdadeiro vilão

O ponto mais alto de Xamã: O Exorcista Pagão não é o terror sobrenatural, mas o subtexto social. O filme acerta ao criticar a mentalidade colonialista. Candice é a típica “gringa” que chega em uma comunidade indígena achando que sua religião é a única correta. Ela é uma protagonista difícil de gostar — sua certeza religiosa soa agressiva e hipócrita.

Em muitos momentos, a arrogância dos missionários, que acham que podem “consertar” a cultura local, é mais assustadora que o próprio demônio. O filme inverte a lógica: o mal talvez não seja o espírito da caverna, mas sim a invasão daqueles que desrespeitam as crenças locais.

Xamã O Exorcista Pagão 2025 resenha crítica do filme Flixlândia
Foto: Divulgação

Visual de cair o queixo, efeitos nem tanto

Visualmente, o filme tem seus méritos. A cinematografia de Daniel Andrade aproveita muito bem as paisagens equatorianas, com montanhas e vulcões que criam uma atmosfera de isolamento e perigo real.

A direção de arte tenta misturar efeitos práticos e digitais para criar uma possessão mais “natural”, com escorpiões e um fluido preto substituindo a velha sopa de ervilha. No entanto, quando a coisa aperta, o filme recorre a CGI genérico que tira um pouco da imersão.

O problema do “susto fácil”

Infelizmente, Xamã: O Exorcista Pagão sofre do mal do terror moderno: a preguiça nos sustos. O filme abusa dos jump scares com sons altos e repentinos, um truque barato que irrita mais do que assusta. A tensão construída pela atmosfera é frequentemente quebrada por esses momentos previsíveis.

Se você já viu um filme de possessão na vida, vai adivinhar quase tudo o que vai acontecer muito antes de acontecer. Fica aquela sensação de estar assistindo a um filme feito para a TV, onde a direção de Antonio Negret, embora competente em criar clima, não consegue elevar o material acima da mediocridade.

Atuações desiguais

O elenco é uma mistura. Jett Klyne faz um bom trabalho físico como o garoto possuído, alternando entre a vulnerabilidade e a malevolência. Sara Canning segura bem o papel da mãe desesperada e fanática, embora sua personagem seja propositalmente irritante.

O problema maior é o espanhol da protagonista, que soa quase ininteligível em alguns momentos — imagine uma patricinha tentando falar espanhol. Já os atores latinos, como Humberto Morales e Alejandro Fajardo, entregam performances mais autênticas, mas acabam ofuscados pelo foco na família americana.

Conclusão

Xamã: O Exorcista Pagão é um filme que fica no “quase”. Ele quase inova ao trazer a discussão sobre colonialismo e supremacia religiosa para o centro do palco, mas acaba caindo nas armadilhas dos clichês de exorcismo que tentou evitar. É um filme assistível, com uma fotografia bonita e uma premissa interessante sobre o choque de culturas, mas que falha em ser genuinamente assustador ou memorável.

Se você é um fã hardcore de folk horror e quer ver algo com um cenário diferente, pode valer a sessão numa tarde de domingo sem compromisso. Mas não espere um novo clássico. Tem boas intenções, mas a execução é pálida perto do potencial que a história tinha. Provavelmente, você vai esquecer dele assim que os créditos subirem.

Onde assistir ao filme Xamã: O Exorcista Pagão?

Trailer de Xamã: O Exorcista Pagão (2025)

YouTube player

Elenco do filme Xamã: O Exorcista Pagão

  • ⁦⁨Sara Canning⁩
  • ⁨Daniel Gillies⁩
  • ⁨Jett Klyne⁩
  • ⁨Alejandro Fajardo⁩
  • ⁨Humberto Morales⁩⁩
Escrito por
Wilson Spiler

Formado em Design Gráfico, Pós-graduado em Jornalismo e especializado em Jornalismo Cultural, com passagens por grandes redações como TV Globo, Globonews, SRZD e Ultraverso.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Procuram-se colaboradores
Procuram-se colaboradores

Últimas

Artigos relacionados
Rodrigo Santoro no filme Corrida dos Bichos, de 2026, do Prime Video
Críticas

Com Rodrigo Santoro brilhando, ‘Corrida dos Bichos’ diverte, mas peca pelo excesso de tramas

O cinema brasileiro anda com tudo, conquistando espaço com sucessos recentes de...

Com Wagner Moura e Greta Lee, thriller de ficção científica ‘A Última Casa’ ganha trailer e data de estreia veja (2)
Críticas

‘A Última Casa’: Wagner Moura brilha em suspense que começa genial, mas tropeça no final

Imagine acordar em uma manhã qualquer, tentar abrir a porta da frente...

HONESTINO filme brasileiro de 2026
Críticas

‘Honestino’ é um registro indispensável sobre a resistência estudantil

Honestino é um longa-metragem brasileiro que combina documentário e ficção sob a...

Desejo em Manhattan The Dutchman crítica do filme 2025
Críticas

‘Desejo em Manhattan’ transforma o metrô de Nova York em arena de tensão racial

Adaptar uma obra literária ou teatral icônica para o cinema é sempre...

cena do filme Insaciável (2026)
Críticas

‘Insaciável’: terror tem boas sacadas mas deixa a plateia com fome de mais sustos

Com o furacão “Obsessão” arrasando bilheterias ao redor do mundo, “Insaciável” (Saccharine...

cena do filme Insaciável (2026)
Críticas

‘Insaciável’ entrega gore potente e crítica social, mas tropeça no final

O terror corporal tem se mostrado um terreno fértil para discutir questões...

crítica do filme Clika 2026
Críticas

‘Clika’ é uma uma peça promocional em forma de filme

O universo da música regional mexicana e o movimento dos corridos tumbados...