O sobrenome Sandler já é uma marca registrada na Netflix, mas Não Deseje Boa Sorte sinaliza um desvio muito bem-vindo nas produções da Happy Madison. Em vez de colocar Adam Sandler no centro dos holofotes, a produtora abre espaço para a sua filha caçula, Sunny Sandler, assumir seu primeiro grande papel protagonista.
Lançada nesta sexta-feira, em 14 de agosto de 2026, a obra é uma comédia dramática de amadurecimento que foge do óbvio ao equilibrar a efervescência do teatro escolar com a dolorosa realidade de uma doença grave na família. O resultado é um filme incrivelmente sincero que já estreou com aclamação crítica, alcançando 100% de aprovação no Rotten Tomatoes e nota 72 no Metacritic.
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Sinopse
Sophie Birenbaum (Sunny Sandler) é uma jovem de 15 anos apaixonada por teatro que sonha em conseguir um espaço na montagem escolar do famoso musical da Broadway, Waitress. Para sua própria surpresa, ela acaba conquistando o cobiçado papel principal da peça. No entanto, a alegria da conquista é brutalmente interrompida por uma notícia devastadora nos bastidores de sua vida: o câncer de sua mãe, Elizabeth (Melanie Lynskey), retornou.
Enquanto a mãe tenta esconder a gravidade do diagnóstico para não estragar o momento especial da filha, Sophie se vê dividida entre a pressão do palco, as borboletas no estômago causadas pelas cenas de beijo com seu colega de elenco e crush Jack Davis (Jack Champion), os dramas cotidianos com sua melhor amiga Carolyn (Scarlett Estevez) e a imensa angústia que consome o seu lar.
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Crítica do filme Não Deseje Boa Sorte
Uma âncora emocional chamada Melanie Lynskey
Se Sunny Sandler é a força motriz que nos conduz pela história, Melanie Lynskey é, sem dúvidas, o farol emocional deste filme. Conhecida por papéis bem mais intensos e violentos em produções como Yellowjackets, a atriz entrega aqui uma performance que transborda ternura e vulnerabilidade em uma representação puríssima do amor maternal. O grande trunfo do roteiro é dar espaço real e tridimensionalidade para a luta de Elizabeth.
Em momento algum a doença da mãe é tratada como um mero acessório narrativo ou um recurso barato para arrancar lágrimas fáceis do espectador. Vemos uma mãe real, que tenta manter a vivacidade e a cumplicidade com a filha mesmo quando o câncer consome suas energias. A química entre Melanie e Sunny é palpável e genuína, fruto de uma proximidade real que as atrizes construíram durante as gravações.

Sunny Sandler prova que vai muito além de um sobrenome famoso
Haverá sempre quem olhe com desconfiança para os projetos da família Sandler, mas Sunny Sandler cala qualquer crítica com uma atuação de tirar o fôlego. Ela consegue captar com precisão a montanha-russa interna de uma adolescente comum: aquela mistura de timidez, paixões platônicas e a sensação de carregar o peso do mundo nas costas. O grande momento da jovem atriz acontece quando ela solta a voz no palco e no quintal de casa cantando a icônica música “She Used To Be Mine”, de Sara Bareilles.
A performance musical de Sunny é crua, potente e dolorosamente bonita, mostrando que ela é uma ameaça dupla capaz de sustentar um drama pesado sem perder o carisma juvenil. Ela segura as pontas perfeitamente mesmo atuando ao lado de veteranos gigantescos como Steve Buscemi e Bebe Neuwirth, que interpretam seus avós na trama.
O charme imperfeito de Nova Jersey e do teatro escolar
A diretora Julia Hart tomou uma decisão fantástica ao rodar o filme inteiramente em locações reais no subúrbio de Nova Jersey ao longo de dez semanas. Das salas de aula da Benjamin Franklin Middle School em Ridgewood às calçadas de Cranford e o icônico letreiro do comércio familiar adaptado na vida real no Nana’s Deli em Livingston, o filme ganha uma textura vivida e autêntica que estúdios frios jamais conseguiriam replicar. Essa atmosfera “gente como a gente” abraça o espectador, assim como a trilha sonora fantástica, repleta de clássicos indie e batidas millennials de bandas como The Naked and Famous (“Young Blood”), Bleachers (“Tiny Moves”) e o encerramento emocionante com Fleetwood Mac (“Silver Springs”).
Nem tudo é perfeito, claro. A vida escolar de Sophie fora do drama do câncer — com pequenos desentendimentos de amizade e uma aventura com bebida — pode parecer um tanto quanto genérica para os padrões do gênero. Além disso, o humor é um pouco irregular. Com lendas da comédia no elenco como Jon Lovitz (que rende piadas ótimas odiando wraps de couve) e Stephanie Beatriz (como a diretora teatral Mrs. Parker), o roteiro às vezes economiza no material cômico para focar no drama. O ritmo também dá algumas aceleradas incômodas, resolvendo conflitos importantes em montagens rápidas de cenas. Ainda assim, quando a excêntrica e sombria estudante de teatro Trista (Claire Scavone) rouba a cena, ou quando o drama familiar colide com a noite de estreia, o filme recupera sua força avassaladora.
Filme Não Deseje Boa Sorte é bom?
Nascido de um rascunho muito pessoal da roteirista Laura Hankin — que viveu exatamente essa mesma coincidência dolorosa de conseguir um papel de destaque na escola enquanto sua mãe enfrentava o câncer —, Não Deseje Boa Sorte é um tributo honesto à arte como refúgio e ao amadurecimento forçado. O longa não tenta reinventar a roda do drama adolescente, mas triunfa justamente por se recusar a ser artificial.
Sob a direção delicada de Julia Hart, o luto e a dor são tratados com o respeito que merecem. É um daqueles filmes necessários, que divertem, emocionam e servem como um lembrete urgente para valorizarmos cada segundo ao lado de quem amamos. Uma estreia brilhante para Sunny Sandler e mais um golaço dramático na carreira da fantástica Melanie Lynskey.
Trailer do filme Não Deseje Boa Sorte (2026)
Elenco de Não Deseje Boa Sorte, da Netflix
- Sunny Sandler
- Melanie Lynskey
- Max Greenfield
- Stephanie Beatriz
- Bebe Neuwirth
- Steve Buscemi
- Jack Champion
- Scarlett Estevez
- Jon Lovitz
- Claire Scavone
Ficha Técnica
- Título Original: Don’t Say Good Luck
- Título no Brasil: Não Deseje Boa Sorte
- Direção: Julia Hart
- Roteiro: Laura Hankin, Julia Hart e Jordan Horowitz
- Produção: Adam Sandler, Jackie Sandler, Julia Hart, Jordan Horowitz e Brian Kavanaugh-Jones
- Direção de Fotografia: Bryce Fortner
- Montagem: Shayar Bhansali
- Trilha Sonora Original: Yuli
- Composições Musicais (Peça): Sara Bareilles
- Empresas Produtoras: Happy Madison Productions, Range Media Partners e Original Headquarters
- Distribuição: Netflix
- Duração: 95 minutos
- Gênero: Comédia dramática, Musical, Amadurecimento
- Data de Lançamento: 14 de agosto de 2026

















