Confira a crítica do filme "O Brutalista", drama com Adrien Brody que estreou em 20 de fevereiro de 2025 nos cinemas

‘O Brutalista’, quando a arte e a ambição se chocam na imponência do concreto

Foto: Universal Pictures / Divulgação
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Com uma duração de mais de três horas e meia e filmado em VistaVision 35mm, “O Brutalista”, de Brady Corbet, é um filme que impressiona tanto pela sua grandiosidade visual quanto pelos seus temas densos e complexos. Entre arquitetura, imigração, poder e arte, o longa traça uma história sobre a busca pelo sonho americano sob um olhar brutalista, tanto estética quanto narrativamente.

Estrelado por Adrien Brody, a obra chega com forte campanha na temporada de prêmios, acumulando 10 indicações ao Oscar e consolidando-se como um dos grandes destaques cinematográficos do ano.

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Sinopse do filme O Brutalista

A história segue László Tóth (Adrien Brody), um arquiteto judeu húngaro que foge da Europa devastada pela Segunda Guerra Mundial em busca de uma nova vida nos Estados Unidos. Enquanto luta para se estabelecer, sua esposa Erzsébet (Felicity Jones) e sua sobrinha Zsófia (Raffey Cassidy) permanecem presas na Europa.

Em solo americano, László enfrenta rejeição, preconceito e a frustração de não conseguir construir sua carreira como imaginava. Sua vida muda quando o magnata Harrison Lee Van Buren (Guy Pearce) lhe faz uma proposta ambiciosa: projetar um espaço cultural em homenagem à sua falecida mãe. No entanto, a relação entre os dois se transforma em um jogo de poder e manipulação, levando Tóth a enfrentar desafios que vão muito além da arquitetura.

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Crítica de O Brutalista (2025)

“O Brutalista” é um filme de grandes contrastes: entre o concreto e o humano, entre a arte e o capitalismo, entre a liberdade criativa e as amarras impostas pela sociedade. Corbet, que já demonstrou habilidade para contar histórias ambiciosas em A Infância de um Líder e Vox Lux, aqui atinge seu projeto mais maduro e desafiador.

A fotografia de Lol Crawley impressiona ao capturar a grandiosidade da arquitetura e a pequenez dos indivíduos que a habitam, criando imagens que parecem pinturas vivas. O uso do VistaVision dá uma sensação de imersão e grandiosidade, elevando a experiência visual.

Adrien Brody brilhante

Adrien Brody entrega uma de suas melhores atuações, interpretando Tóth com uma mistura de fragilidade e obstinação. Seu olhar perdido, sua postura muitas vezes subjugada e seus momentos de explosão emocional dão profundidade ao personagem.

Guy Pearce, por outro lado, transforma Harrison Van Buren em um magnata cuja admiração pela genialidade de Tóth se confunde com o desejo de domínio sobre ele, uma relação marcada pelo abuso de poder. Felicity Jones também se destaca como Erzsébet, apesar de seu papel estar restrito à função de “esposa em sofrimento”.

Muitos temas

Narrativamente, “O Brutalista” acerta ao explorar as contradições do sonho americano, retratando como a imigração, em vez de uma jornada de oportunidades, pode se tornar um ciclo de exploração. Corbet também aborda a complexidade do brutalismo como movimento arquitetônico e sua associação com um mundo sem alma, enquanto nos faz refletir sobre o que realmente define uma obra de arte.

No entanto, o filme tropeça ao tentar abarcar muitos temas, como o sionismo e a questão da criação de Israel, sem explorá-los com a mesma profundidade.

Metáforas eficientes

O roteiro, coescrito por Corbet e Mona Fastvold, é repleto de diálogos carregados de significado e simbolismo, mas em alguns momentos se perde no próprio peso da sua pretensão intelectual. Em especial na segunda metade do filme, a insistência em mostrar a relação de Tóth com Van Buren acaba deixando de lado outros aspectos que poderiam enriquecer ainda mais a narrativa.

A trilha sonora de Daniel Blumberg é um elemento essencial para a imersão, guiando emoções e ampliando a tensão dos momentos-chave. O design de produção é outro ponto forte, recriando os anos 40 e 50 com um cuidado impecável nos figurinos, nos objetos de cena e nas estruturas que compõem o universo de Tóth.

Apesar da longa duração, o ritmo do filme não se arrasta, graças às atuações intensas e ao visual impressionante. No entanto, a falta de sutilização em alguns momentos pode afastar parte do público. Corbet não teme exagerar nas metáforas, e algumas delas, como a da Estátua da Liberdade de cabeça para baixo, são eficientes, enquanto outras são mais forçadas.

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Conclusão

“O Brutalista” é um filme ambicioso, visualmente arrebatador e repleto de reflexões sobre arte, poder e imigração. Embora peque pelo excesso de temas e por uma abordagem por vezes exageradamente pretensiosa, é uma obra cinematográfica de grande impacto.

Adrien Brody entrega uma atuação memorável, e a direção de Brady Corbet mostra uma evolução notável. No final, o filme não se trata apenas de arquitetura brutalista, mas sim da brutalidade do mundo ao redor de um artista visionário.

Se seu objetivo é assistir a um filme que desafia o espectador e provoca reflexão, “O Brutalista” é uma experiência que vale a pena, mesmo com suas falhas. A grandiosidade do cinema de Corbet está justamente em sua disposição para arriscar, mesmo que nem todos os seus elementos se encaixem perfeitamente.

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Onde assistir ao filme O Brutalista?

O filme está disponível para assistir nos cinemas.

Trailer de O Brutalista (2025)

YouTube player

Elenco do filme O Brutalista

  • Pyotr Fyodorov
  • Irina Medvedeva
  • Rustam Mosafir
  • Aleksandr Zhigalkin
  • Aleksandr Razbash
  • Ilya Lyubimov
  • Yuriy Vashurin
  • Alana Golyak

Ficha técnica de O Brutalista (2025)

  • Título original: The Brutalist
  • Direção: Brady Corbet
  • Roteiro: Brady Corbet, Mona Fastvold
  • Gênero: drama
  • País: Estados Unidos, Reino Unido, Canadá
  • Duração: 215 minutos
  • Classificação: 18 anos
Escrito por
Giselle Costa Rosa

Navegando nas águas do marketing digital, na gestão de mídias pagas e de conteúdo. Já escrevi críticas de filmes, séries, shows, peças de teatro para o sites Blah Cultural e Ultraverso. Agora, estou aqui em um novo projeto no site Flixlândia.

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