Se você ainda está traumatizado com finais de temporadas anteriores ou cansado daquelas intrigas políticas intermináveis onde todo mundo é parente de todo mundo, respire fundo. A HBO finalmente entregou algo diferente. A estreia de O Cavaleiro dos Sete Reinos (com o episódio intitulado “O Cavaleiro Andante”) chegou neste domingo (18) mostrando que Westeros ainda tem muito o que oferecer longe das salas do conselho e dos dragões de CGI.
Esqueça a complexidade pesada de Game of Thrones ou o tom trágico de A Casa do Dragão. O que temos aqui é uma reinvenção ousada da franquia, apostando em escalas menores, bom humor e, acima de tudo, em personagens que tentam fazer a coisa certa em um mundo errado.
Sinopse do 1º episódio de O Cavaleiro dos Sete Reinos
A trama começa de forma melancólica, mas direta: Sor Arlan de Centarbor, um cavaleiro andante, morre de velhice e causas naturais (algo raro por aqui), deixando seu escudeiro, Dunk (Peter Claffey), sozinho no mundo. Dunk, um jovem enorme e desajeitado vindo da Baixada das Pulgas, enterra seu mentor e decide assumir sua armadura, seus cavalos e sua identidade para tentar a sorte no torneio de Vaufreixo.
No caminho, ele para em uma estalagem onde cruza com um garoto careca, insolente e misterioso chamado Egg (Dexter Sol Ansell), que insiste em se tornar seu escudeiro. Ao chegar no torneio, Dunk enfrenta a burocracia de Westeros: para competir, ele precisa provar que é um cavaleiro, algo difícil quando ninguém se lembra do seu antigo mestre. Enquanto tenta conseguir o apoio de nobres arrogantes e lida com a falta de dinheiro, Dunk acaba formando laços improváveis, especialmente com o tal garotinho careca que não desgruda do seu pé.
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Resenha crítica do episódio 1 de O Cavaleiro dos Sete Reinos
O “choque” de realidade (e aquela cena polêmica)
A série já chega com os dois pés na porta para avisar: “isso não é o Game of Thrones que você conhece”. Logo nos primeiros minutos, quando a música tema clássica começa a crescer e você espera ver mapas e castelos, o som é cortado abruptamente para mostrar… Dunk tendo um problema intestinal atrás de uma árvore.
Pode parecer escatológico ou gratuito para alguns, mas funciona como uma declaração de intenções perfeita. É a produção dizendo que vamos descer do pedestal dos reis para o nível da lama, onde as pessoas comuns (que fazem cocô no mato) vivem,. Ao remover a abertura tradicional e trocar a trilha sonora épica de Ramin Djawadi pelas composições de Dan Romer, a série cria uma identidade própria e mais intimista.

A química de “Dunk e Egg”
O coração da série, sem dúvida, é a dupla principal. Peter Claffey entrega um Dunk que é praticamente um “golden retriever” em forma humana: ele é grande, forte, meio bobo, mas incrivelmente leal e honrado,. É revigorante acompanhar um protagonista que não está tramando assassinatos, mas sim preocupado em conseguir comida e proteger os fracos.
Do outro lado, temos Dexter Sol Ansell como Egg. O garoto é um achado! Ele equilibra uma inteligência afiada com uma vulnerabilidade infantil, criando uma dinâmica de “pai e filho” (ou irmão mais velho e caçula) que convence logo de cara,. As cenas mais simples, como os dois dividindo uma refeição ou Dunk colocando Egg nos ombros para ver o torneio, são onde a série realmente brilha, mostrando que não precisamos de batalhas gigantescas para nos importarmos com os personagens.
Coadjuvantes que roubam a cena
Embora o foco seja intimista, o elenco de apoio adiciona um tempero delicioso. O destaque absoluto vai para Daniel Ings como Sor Lyonel Baratheon, conhecido como a “Tempestade Risonha”. Ele traz uma energia caótica e divertida, bebendo e rindo com chifres de veado na cabeça, roubando todas as cenas em que aparece.
A série também acerta ao nos apresentar as diferentes facetas da cavalaria: desde a arrogância de Steffon Fossoway até a indiferença de Manfred Dondarrion, contrastando com a pureza ingênua de Dunk. É um microcosmo da sociedade de Westeros, mas visto de baixo para cima.
Aventura leve e “direta ao ponto”
Com episódios curtos de cerca de 30 minutos, a narrativa não enrola. A sensação é de estar assistindo a uma fantasia clássica, quase “confortável”, onde a fotografia é mais clara (dá para ver o que acontece na tela!) e as cores são mais vivas.
Para quem leu o livro O Cavaleiro dos Sete Reinos, a fidelidade é impressionante, mantendo diálogos quase idênticos e capturando a essência da obra original,. E para quem nunca leu, funciona perfeitamente como uma porta de entrada descomplicada para esse universo, sem exigir que você decore trinta árvores genealógicas logo no piloto.
Conclusão
O primeiro episódio de O Cavaleiro dos Sete Reinos é a reinvenção mais corajosa da franquia desde que Andor mudou a cara de Star Wars. Ao apostar na simplicidade, na emoção genuína e em um humor natural, a HBO prova que Westeros não precisa viver apenas de tragédias gregas e dragões cuspindo fogo.
Às vezes, tudo o que precisamos é de um cavaleiro honesto, um escudeiro esperto e uma estrela cadente cruzando o céu para nos lembrar que, mesmo em um mundo brutal, a sorte pode sorrir para os bons,. É uma estreia nota A que deixa um gosto de “quero mais” assim que os créditos sobem.
Onde assistir à série O Cavaleiro dos Sete Reinos?
Trailer de O Cavaleiro dos Sete Reinos (2026)
Elenco de O Cavaleiro dos Sete Reinos, da HBO
- Peter Claffey
- Dexter Sol Ansell
- Daniel Ings
- Shaun Thomas
- Henry Ashton
- Edward Ashley
- Sam Spruell
- Finn Bennett
















