Se o primeiro episódio serviu para apresentar nossos heróis improváveis, o capítulo 2 de O Cavaleiro dos Sete Reinos, intitulado “Carne Salgada Dura”, chega para mostrar que a vida em Westeros é bem menos glamorosa do que as canções sugerem.
O tom da série se firma como algo mais “pé no chão” e até mais escrachado do que Game of Thrones ou A Casa do Dragão, lembrando mais a vibe do Tyrion do que a honra estoica do Ned Stark.
O episódio desacelera um pouco para focar nas inseguranças de Dunk e na construção de mundo, entregando um estudo de personagem que mistura humor, humilhação e uma dose necessária de realidade.
Sinopse do 2º episódio de O Cavaleiro dos Sete Reinos
O episódio começa com um flashback (bastante revelador, diga-se de passagem) de Sor Arlan de Centarbor, o antigo mestre de Dunk. De volta ao presente, Dunk peregrina pelo acampamento tentando encontrar algum nobre que se lembre de Arlan para validar sua entrada no torneio, mas a tarefa se mostra ingrata: ninguém recorda do velho cavaleiro.
A situação aperta com a chegada triunfal da família Targaryen, incluindo o príncipe Baelor “Quebralanças”, seu irmão Maekar e os filhos deste, Aerion e Daeron (que estão sumidos, para o desespero de Maekar).
Enquanto Egg tenta se esconder da própria família, Dunk acaba se metendo em confusão com o arrogante Aerion, que o confunde com um cavalariço. Após invadir o castelo e ouvir conversas que não devia, Dunk consegue uma audiência com Baelor.
Surpreendentemente, o príncipe se lembra de Arlan (embora divirja sobre quantos lanças foram quebradas em uma justa antiga) e permite que Dunk compita, desde que ele arrume um novo brasão. Dunk vende seu cavalo, Sweetfoot, para pagar por uma armadura, flerta com a titereira Tanselle para pintar seu novo escudo e, finalmente, encara a brutalidade do torneio, questionando se ele tem alguma chance real ou se vai apenas morrer na lama como seu mestre.
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Resenha crítica do episódio 2 de O Cavaleiro dos Sete Reinos
A desmistificação da Cavalaria (e de Sor Arlan)
O roteiro não perde tempo em desconstruir a imagem idealizada que Dunk tem de seu mentor. Começamos com uma cena que pegou todo mundo de surpresa: um nu frontal de Sor Arlan durante um flashback, mostrando que a série não tem medo de ser “bocuda” e irreverente.
Mas o ponto alto não é o choque visual, e sim a melancolia que vem depois. Dunk tenta vender a imagem de Arlan como um grande herói para as casas Tyrell e Florent, mas a realidade é que Arlan era um “cavaleiro de merda” aos olhos da história, alguém que viveu e morreu sem glória.
Essa busca por validação externa gera um conflito interno interessante. Dunk percebe que talvez tenha romantizado a vida de cavaleiro andante. A cena em que ele come a carne salgada dura no final serve como uma metáfora perfeita para a lição do episódio: a vida de um cavaleiro sem terras é difícil, sem sabor e exige muita mastigação para ser engolida.

O “zoológico” Targaryen e a luta de classes
A chegada dos Targaryen muda a dinâmica da série. Diferente dos dragões intocáveis de outras épocas, aqui vemos uma família real disfuncional e, em alguns casos, surpreendentemente humana. O destaque vai para Baelor Targaryen. Ele quebra o estereótipo do Targaryen maluco ou distante; ele é gentil, ouve Dunk e, numa atitude que destoa de sua linhagem, decide ajudar o “grandalhão estúpido”.
Por outro lado, o episódio faz um ótimo trabalho ao explorar as divisões de classe. Temos o contraste entre Dunk, que precisa vender seu cavalo amado para comprar metal velho, e figuras como Sor Donnel de Valdocaso.
Donnel tenta pagar de humilde dizendo que é filho de caranguejeiros, mas Egg (nossa enciclopédia ambulante de Westeros) logo corta o barato, revelando que a família do cara é podre de rica e dona de frotas inteiras. É um comentário social afiado: Dunk é o verdadeiro “povão” tentando entrar num clube exclusivo, enquanto os ricos brincam de ser humildes.
Estética violenta e química dos personagens
Visualmente, o torneio de Vaufreixo não é aquele evento polido e romântico, numa vibe meio WWE ou NASCAR, com uma violência visceral que causa um ataque de pânico em Dunk. A direção acerta ao mostrar a brutalidade do esporte pela perspectiva de quem está prestes a entrar na arena para apanhar.
A relação entre Dunk e Egg continua sendo o coração da série. A química entre Peter Claffey e o pequeno Dexter Sol Ansell é inegável, especialmente nos momentos mais leves, como quando Egg ajuda Dunk a escolher o brasão da árvore de olmo com a estrela cadente. E não dá para ignorar o momento “Disney” triste quando Dunk vende a égua Sweetfoot; a promessa de recuperá-la adiciona um peso emocional real para as lutas que virão.
Conclusão
O episódio 2 consolida O Cavaleiro dos Sete Reinos como uma série que sabe rir de si mesma, mas que também entende o peso do legado e da memória. Ao confrontar a irrelevância histórica de seu mestre, Dunk decide que ele mesmo será o legado de Arlan.
Com atuações carismáticas e um texto que equilibra a sujeira medieval com momentos de doçura genuína, “Carne Salgada Dura” prepara o terreno para a ação, deixando a gente torcendo para que esse “cavaleiro da sebe” não acabe morto na beira da estrada na semana que vem. É uma nota sólida para uma temporada que promete.
Onde assistir à série O Cavaleiro dos Sete Reinos?
Trailer de O Cavaleiro dos Sete Reinos (2026)
Elenco de O Cavaleiro dos Sete Reinos, da HBO
- Peter Claffey
- Dexter Sol Ansell
- Daniel Ings
- Shaun Thomas
- Henry Ashton
- Edward Ashley
- Sam Spruell
- Finn Bennett


















