Os Casos de Harry Hole crítica da série da Netflix 2026 - Flixlândia

Esqueça ‘Boneco de Neve’: Harry Hole finalmente ganhou a adaptação que merece

Foto: Netflix / Divulgação
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Quem lembra do desastre que foi a adaptação de Boneco de Neve nos cinemas em 2017 provavelmente ficou com um pé atrás quando a Netflix anunciou uma nova série baseada no detetive de Jo Nesbø. Mas pode respirar aliviado: Os Casos de Harry Hole é a redenção que a franquia tanto precisava.

Com o próprio autor assumindo as rédeas do roteiro, a produção norueguesa mergulha de cabeça no estilo “Nordic Noir”, entregando um suspense raiz, cru e cheio de nuances que finalmente faz jus ao sucesso dos livros.

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Sinopse

Baseada no livro A Estrela do Diabo, a trama nos leva para as ruas de Oslo, onde o talentoso investigador Harry Hole (Tobias Santelmann) lida com seus piores demônios — incluindo o alcoolismo e a bagagem de traumas bem pesados — enquanto tenta caçar um serial killer bizarro.

O assassino decepa dedos de suas vítimas e monta cenas de crime com pedras preciosas formando um pentagrama, indicando uma sinistra ligação ocultista. Como se a tensão do caso não fosse o bastante, Harry ainda vive uma guerra fria constante com Tom Waaler (Joel Kinnaman), um colega de polícia extremamente corrupto e perigoso.

Crítica da série Os Casos de Harry Hole, da Netflix

O brilhante jogo de espelhos: Harry e Tom

Se o mistério do serial killer é o que te fisga no primeiro momento, o que realmente segura a série nas costas é a dinâmica explosiva entre Harry e Tom Waaler. Eles funcionam como duas faces da mesma moeda: homens completamente quebrados que escolheram caminhos opostos para lidar com o próprio vazio.

Tobias Santelmann constrói um Harry super vulnerável, fugindo daquele clichê do “detetive machão invencível” e mostrando um cara frágil que tenta genuinamente melhorar por amor à namorada, Rakel, e ao filho dela. Do outro lado, Joel Kinnaman está assustadoramente magnético como Waaler, um cara pragmático que abraçou a ambição sem limites, entregando o que muitos consideram ser um dos melhores trabalhos de sua carreira.

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Oslo, escuridão e psicodelia

A ambientação visual e sonora da série é um espetáculo à parte. Oslo não é usada só como pano de fundo, mas como um personagem vivo, que mistura a luz brilhante do sol de verão com uma energia incrivelmente melancólica e gótica. A trilha sonora original assinada por Nick Cave e Warren Ellis, combinada com clássicos do rock de lendas como The Ramones e Iggy Pop, cria uma aura de puro desconforto e estilo.

A direção também resolve ousar ao flertar com o horror psicológico, fazendo com que Harry tenha visões e “reviva” mentalmente as mortes através da perspectiva das vítimas. Embora renda imagens lindas e impactantes, em alguns momentos a técnica soa um pouco forçada, servindo apenas para empurrar a investigação para frente de um jeito mais fácil.

O calcanhar de Aquiles: o ritmo

Apesar dos muitos acertos, a produção dá uma escorregada forte em um problema clássico da era do streaming: a duração esticada. Com nove episódios que variam ali entre 45 e 60 minutos, a história sofre com uma barriga gigantesca lá pela metade da temporada.

Depois de um começo eletrizante que te deixa grudado na tela, o mistério fica repetitivo e a narrativa empaca, dando a forte sensação de que não havia história suficiente para justificar tanto tempo de tela. Se a temporada fosse mais enxuta, com uns seis episódios, a tensão não cairia nunca. Ainda bem que o ritmo volta a acelerar de forma propulsiva nos capítulos finais, amarrando as pontas com revelações que seguram a barra e recompensam a paciência de quem ficou.

Conclusão

No fim das contas, Os Casos de Harry Hole é um prato cheio para os órfãos de tramas investigativas densas e sombrias, sendo uma companhia perfeita para quem curte produções como Bosch, True Detective e Luther. Ela até tropeça no próprio tamanho e pode testar sua paciência no miolo da temporada, mas compensa o esforço com um elenco formidável, visuais imersivos e a audácia de explorar sem pena a sujeira ética de seus protagonistas.

É a prova de que, respeitando o tom do material original e colocando o criador no controle, até mesmos as franquias que pareciam mortas no cinema conseguem renascer com força total na televisão.

Elenco da série Os Casos de Harry Hole, da Netflix

  • Tobias Santelmann
  • Joel Kinnaman
  • Pia Tjelta
  • Ellen Helinder
  • Anders Baasmo
  • Kåre Conradi
  • Simon J. Berger
  • Peter Stormare
Escrito por
Taynna Gripp

Formada em Letras e pós-graduada em Roteiro, tem na paixão pela escrita sua essência e trabalha isso falando sobre Literatura, Cinema e Esportes. Atual CEO do Flixlândia e redatora do site Ultraverso.

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