Os Sete Relógios de Agatha Christie 2026 resenha crítica série Netflix Flixlândia

[CRÍTICA] Despertadores, segredos e uma pitada de rebeldia: vale a pena ver ‘Os Sete Relógios de Agatha Christie?’

Foto: Divulgação / Netflix
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Quem diria que um bando de despertadores barulhentos daria início a um dos mistérios mais comentados do início de 2026? “Os Sete Relógios de Agatha Christie” chegou à Netflix com a missão de apresentar a “Rainha do Crime” para uma galera mais jovem, trocando o ritmo pausado de Hercule Poirot por uma energia muito mais vibrante e caótica.

Criada por Chris Chibnall (o mesmo de Broadchurch), a minissérie de três episódios tenta transformar um dos livros menos conhecidos da autora em um evento pop cheio de estilo. É uma aposta que mistura o clássico clima de mansão inglesa com uma pegada de espionagem que nem sempre acerta o passo, mas que certamente não passa despercebida.

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Sinopse

A história começa em 1925, na suntuosa mansão Chimneys, onde um grupo de jovens aristocratas decide pregar uma peça em Gerry Wade (Corey Mylchreest), famoso por ser um dorminhoco de mão cheia. Eles escondem oito despertadores no quarto dele para garantir que ele pule da cama, mas a brincadeira vira tragédia quando Gerry é encontrado morto na manhã seguinte.

A polícia logo fala em suicídio por overdose, mas Lady Eileen “Bundle” Brent (Mia McKenna-Bruce), amiga de infância da vítima, não engole essa história. Ao notar que um dos relógios sumiu e encontrar pistas sobre uma tal sociedade secreta chamada “Sete Relógios”, Bundle mergulha em uma investigação perigosa que envolve segredos de estado, fórmulas industriais e muitas traições.

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Resenha crítica da série Os Sete Relógios de Agatha Christie

Mia McKenna-Bruce: o verdadeiro “motivo” da série

Se tem algo que faz essa série valer o seu tempo, é a atuação de Mia McKenna-Bruce como Bundle. Ela é descrita pelo diretor como uma “bala de canhão”, e é exatamente essa a sensação: uma personagem que se recusa a ficar sentada esperando as respostas aparecerem.

Bundle é destemida, espirituosa e traz um ar de modernidade que faz um contraste interessante com o cenário de época. Enquanto os homens ao redor parecem meio perdidos ou presos a protocolos, ela lidera o ataque com uma garra que é impossível de ignorar, tornando-se o coração pulsante de toda a narrativa.

Leia mais: Final explicado de ‘Os Sete Relógios de Agatha Christie’: quem é o culpado?

Os Sete Relógios de Agatha Christie 2026 resenha crítica da série Netflix Flixlândia
Foto: Divulgação / Netflix

Estética impecável, mas ritmo nem tanto

Visualmente, a Netflix não economizou. A produção é um banquete para os olhos, com figurinos fabulosos inspirados até em campanhas da Prada e cenários que captam perfeitamente a opulência — e a leve decadência — dos anos 20. No entanto, o roteiro de Chibnall sofre com alguns altos e baixos.

Enquanto o primeiro episódio te prende com a curiosidade do crime, o segundo acaba ficando um pouco “amarrado” em excesso de explicações e diálogos que arrastam o tempo. Para uma série de apenas três horas, há momentos em que a trama parece esticada além do necessário para cobrir o buraco de um roteiro que, no material original, já não era dos mais fortes da Agatha Christie.

Mudanças polêmicas e um final de “cair o queixo”

Os puristas de Agatha Christie podem precisar de um chá de camomila para lidar com as mudanças feitas por Chibnall. A decisão mais ousada foi transformar o papel do pai de Bundle na figura de Lady Caterham, vivida pela sempre excelente Helena Bonham Carter.

A grande virada, que coloca a mãe como a mentora por trás dos crimes motivada pelo luto da guerra, é um soco no estômago que divide opiniões. Enquanto uns acham uma saída brilhante para dar peso emocional, outros sentem que a solução surge meio do nada, beirando o ridículo.

Além disso, o Superintendente Battle (Martin Freeman) acaba ficando muito tempo como um figurante de luxo, só ganhando relevância real no final, quando se revela o líder da verdadeira sociedade secreta.

Conclusão

“Os Sete Relógios de Agatha Christie” não é uma obra-prima do gênero, mas é um passatempo divertido e visualmente deslumbrante. Ela tropeça em um mistério que às vezes fica confuso demais e em escolhas de roteiro que podem irritar quem conhece o livro, mas se sustenta pelo carisma avassalador de sua protagonista.

No fim, a série cumpre o papel de ser uma porta de entrada para novos fãs, deixando um gancho claro para que Bundle Brent continue resolvendo crimes por aí. Se você quer algo leve para maratonar em um domingo à tarde, pode dar o play sem medo; só não espere a perfeição suíça de um relógio de Poirot.

Onde assistir à série Os Sete Relógios de Agatha Christie?

Trailer de Os Sete Relógios de Agatha Christie (2026)

YouTube player

Elenco de Os Sete Relógios de Agatha Christie, da Netflix

  • Mia McKenna-Bruce
  • Edward Bluemel
  • Martin Freeman
  • Helena Bonham Carter
  • Iain Glen
  • Hughie O’Donnell
  • Nyasha Hatendi
  • Alex Macqueen
  • Nabhaan Rizwan
  • Corey Mylchreest
Escrito por
Juliana Cunha

Editora na ESPN Brasil e fã de cultura pop, Juliana se classifica como uma nerd saudosa dos grandes feitos da Marvel.

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