Patinando no Amor resenha crítica da série Netflix 2026 Flixlândia

Muita ‘vibe’ e pouca técnica: uma análise sincera de ‘Patinando no Amor’

Foto: Netflix / Divulgação
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Se você está contando os dias para as Olimpíadas de Inverno de 2026 na Itália ou apenas procurando algo leve para maratonar no fim de semana, a Netflix acabou de soltar a isca perfeita: Patinando no Amor (no original, Finding Her Edge). A série canadense de oito episódios chega com aquela vibe inconfundível de “Sessão da Tarde”, misturando esporte, drama adolescente e romances complicados.

Baseada no livro de Jennifer Iacopelli e desenvolvida por Jeff Norton, a produção tenta equilibrar a ambição esportiva com os dilemas do amadurecimento. Mas será que ela consegue pousar os saltos ou cai de cara no gelo? Já adianto: depende muito se você está aqui pela precisão técnica do esporte ou apenas pelo drama familiar quentinho.

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Sinopse

A trama nos apresenta a família Russo, uma dinastia da patinação que está passando por maus bocados. Adriana Russo (Madelyn Keys), a filha do meio, precisa voltar às competições após dois anos parada para tentar salvar o rinque da família, que está atolado em dívidas sob a gestão caótica de seu pai, Will.

Com a irmã mais velha e favorita, Elise, fora de combate devido a uma lesão, a pressão recai toda sobre Adriana. Para conseguir patrocínios e chegar ao Mundial, ela forma uma dupla com o “bad boy” talentoso Brayden Elliot (Cale Ambrozic). O plano inclui um namoro de mentira para engajar o público, mas as coisas complicam com a presença de Freddie (Olly Atkins), o ex-parceiro e primeiro amor de Adriana, que agora compete contra ela.

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Resenha crítica da série Patinando no Amor

Onde o gelo racha: a parte técnica

Vamos tirar o band-aid de uma vez: se você é um purista da patinação artística e entende como as notas funcionam, Patinando no Amor vai testar sua paciência. A série parece tratar o esporte mais como uma “vibe” do que como uma disciplina técnica. O roteiro sugere constantemente que o segredo do sucesso é apenas ter “coração” e “conexão”, ignorando elementos obrigatórios e níveis de dificuldade.

Além disso, a lógica competitiva é, no mínimo, fantasiosa. Uma dupla recém-formada participa de uma única classificatória e já carimba o passaporte para o Campeonato Mundial? As pontuações mostradas na tela também não fazem sentido para quem acompanha o esporte real, parecendo números aleatórios que não refletem uma soma de dança rítmica e livre. Embora as coreografias e a parte visual sejam bonitas e bem executadas por dublês, a série peca ao tentar vender que “vibrações românticas” substituem a técnica.

Patinando no Amor 2026 resenha crítica da série Netflix Flixlândia
Foto: Netflix / Divulgação

A verdadeira medalha de ouro

Curiosamente, onde a série realmente brilha não é no romance principal, mas na dinâmica disfuncional dos Russo. A personagem Elise (Alexandra Beaton), a irmã mais velha, é a verdadeira MVP da temporada. Alexandra, que muitos podem reconhecer de The Next Step, entrega uma performance deliciosa como a irmã hipercompetitiva e “malvada”.

A frustração de Elise ao ver seu sonho desmoronar por uma lesão e ter que lidar com a perda de identidade é palpável e, ironicamente, muito mais interessante do que o triângulo amoroso central,. A caçula, Mimi, também traz um alívio cômico e questionamentos válidos sobre não querer fazer parte desse “negócio” de família.

Triângulo amoroso com notas variadas

A premissa é um clássico clichê young adult: namoro falso que vira real, ex-namorado por perto e muitos olhares intensos. A série tenta beber da fonte de Persuasão, de Jane Austen, explorando temas de segundas chances e escolhas passadas. No entanto, a química entre Adriana e Brayden demora a engrenar, e o tropo de “inimigos que se apaixonam” soa um pouco morno em alguns momentos.

Quem acaba roubando a cena nesse quesito é Riley (Millie Davis), a atual parceira de Freddie. Ela é, de longe, a personagem mais simpática e madura, lidando com uma situação emocionalmente desastrosa com uma classe que falta aos protagonistas.

Visual e estilo

Apesar das falhas de roteiro, a produção é visualmente agradável. As cenas de patinação, quando não estamos analisando as regras técnicas, são bonitas e servem bem para criar aquela tensão romântica que o público alvo (adolescentes de 13 a 15 anos) adora.

A série tem aquele polimento de drama adolescente confortável, ideal para quem gosta de Spinning Out ou Ginny e Georgia, mas com uma pegada menos sombria e mais “conforto emocional”.

Conclusão

Patinando no Amor não vai levar o ouro pela originalidade e definitivamente ficaria fora do pódio se o critério fosse realismo esportivo. No entanto, ela cumpre o que promete como entretenimento despretensioso. Com atuações sólidas — especialmente de Madelyn Keys e Alexandra Beaton — e um final que deixa ganchos claros para uma segunda temporada (como a venda do rinque e as novas parcerias no gelo), a série é uma opção válida para passar o tempo.

Se você conseguir ignorar que eles chegam ao Mundial num estalar de dedos, vai encontrar uma novela adolescente divertida sobre família, pressão e, claro, muito drama gelado.

Onde assistir à série Patinando no Amor?

Trailer de Patinando no Amor (2026)

YouTube player

Elenco de Patinando no Amor, da Netflix

  • Madelyn Keys
  • Harmon Walsh
  • Alexandra Beaton
  • Cale Ambrozic
  • Olly Atkins
  • Meredith Forlenza
  • Alice Malakhov
  • Niko Ceci
  • Millie Davis
  • Yona Epstein-Roth
Escrito por
Juliana Cunha

Editora na ESPN Brasil e fã de cultura pop, Juliana se classifica como uma nerd saudosa dos grandes feitos da Marvel.

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