Hora do Recreio crítica do documentário de Lucia Murat Créditos_ Taiga Filmes

‘Hora do Recreio’: documentário de Lucia Murat mostra realidade que persiste em não mudar

Foto: Divulgação / Taiga Filmes
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O Rio de Janeiro além dos pontos turísticos é fonte de diversas histórias, reais ou não, além do sol, do sal, do barquinho deslizando nas águas da Guanabara. Em “Hora do Recreio”, documentário escrito, produzido e dirigido por Lucia Murat, os aspectos da população que é escondida dos gringos nos panfletos e anúncios das redes sociais, é mostrada dando voz a jovens e adolescentes périféricos.

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Sinopse

A encenação conta com atores de grupos icônicos como o Nós do Morro (Vidigal), Grupo de Teatro VOZES! (Cantagalo-Pavão-Pavãozinho) e Instituto Arteiros (Cidade de Deus). Ao dramatizar a história de Clara, uma jovem negra suburbana vivida por Brenda Viveiros, os jovens conectam o texto literário às suas próprias vivências nas comunidades.

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Foto: Divulgação / Taiga Filmes

Crítica do documentário Hora do Recreio, de Lucia Murat

O longa já começa com uma roda de conversa na qual os adolescentes falam sobre suas vidas mediados por uma professora preta. A semelhança dos relatos mostra um padrão reconhecido pela própria docente na sua vida, e que apenas depois de admitir sua existência além do “é assim que as coisas são” pode-se lutar contra. São narradas histórias de preconceito, violência física e sexual, algumas vezes com um riso nervoso de quem sofreu por nunca ter tido conhecimento de como lidar com tais situações.

Em algum momento, uma peça é encenada com atores de coletivos periféricos cariocas. O drama de “Clara dos Anjos”, romance de Lima Barreto que há mais de um século já tocava em muitos dos assuntos que os jovens vivem na pele. A encenação tenta dar um verniz diferente ao formato documentário, alternando com mais histórias e alguns pensamentos do que pode ser feito.

O tema das barreiras sociais é tema constante da cinegrafia de Murat. A questão é que fica um gosto de já ter assistido isso antes com abordagens similares. O eterno retorno da cultura carioca e fluminense acaba girando uma roda que leva esses jovens de volta a situações de falta de emprego, falta de perspectivas por meio do estudo e violência presente na guerra urbana.

Conclusão

Por isso, uma sensação de “ok, já sabemos que a situação é terrível, mas o que podemos fazer?” é presente quase o tempo todo. Importante para as novas gerações se verem representadas em suas histórias, rostos e diversidade, como cinema parece a velha tentativa do olhar da Zona Sul, com seus recursos, de mostrar o que acontece, mas sem nunca mergulhar muito a fundo. 

O que acaba lembrando de histórias que ocorreram após os filmes “Cidade de Deus” ou “Pixote”. No fim, o sistema poderá engolir mais uma leva de jovens, mas pelo menos alguns passos para fora do caos já foram dados tanto por quem participou tanto por aqueles que prestarem atenção. 

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Escrito por
Marcelo Fernandes

Jornalista, músico diletante, produtor cultural e fã de guitarras distorcidas e bandas obscuras.

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