Sabe aquela série de tribunal que te prende desde os primeiros minutos e, quando você percebe, já maratonou metade da temporada? É exatamente esse o efeito de Perdiendo el juicio (que chega por aqui como Perdendo o Juízo).
Depois de se consagrar como a série nacional mais vista no horário nobre da TV espanhola pela Antena 3 e fazer um sucesso estrondoso no streaming Atresplayer, a produção faz o seu aguardado salto para o catálogo da Netflix, e já com uma segunda temporada garantida.
As séries de advogados sempre foram um porto seguro na televisão e no streaming, mas nem todas conseguem sair da sombra dos dramas pesados ou dos suspenses tensos de tribunal. Perdendo o Juízo escolhe um caminho diferente e muito refrescante: ela abraça o lado mais humano, caótico e até tragicômico da profissão.
Com uma protagonista falha, complexa e lidando com questões de saúde mental, a série consegue ser aquele “guilty pleasure” (prazer culposo) de qualidade, que não tenta reinventar a roda, mas usa as melhores ferramentas do gênero para nos manter grudados na tela.
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Sinopse
A trama acompanha Amanda Torres (vivida de forma brilhante por Elena Rivera), uma das advogadas mais prestigiadas e implacáveis de Madri. No entanto, a vida de Amanda desmorona quando ela sofre um colapso e um grave surto de TOC (Transtorno Obsessivo-Compulsivo) no meio de um julgamento crucial, desencadeado pelo trauma de ter perdido o bebê que esperava.
Meses após o incidente, a carreira de Amanda está em ruínas. Ela acaba se divorciando de seu ex-marido, o mauricinho César Castillo (Miquel Fernández), que também a expulsa do antigo escritório. Sem dinheiro até para o aluguel, ela se vê obrigada a aceitar um emprego no escritório de advocacia mais decadente da cidade, liderado por Gabriel Ochoa (Manu Baqueiro), um advogado atrapalhado e focado em fazer acordos rápidos na máquina de café.
Enquanto tenta se reconstruir profissionalmente lidando com casos inusitados a cada episódio, Amanda enfrenta seu maior desafio: defender sua própria irmã, Daniela Torres (Carol Rovira), que é acusada de assassinar o noivo, Jaime Ortiz (Eloy Azorín), com uma caneta-tinteiro horas antes do casamento.
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Crítica da série Perdendo o Juízo, da Netflix
Uma mistura de ‘Ally McBeal’ com ‘Uma Advogada Extraordinária’
Logo de cara, é impossível não notar as inspirações da série. Ela traz aquela energia clássica de Ally McBeal, salpicada com a investigação peculiar de Monk e a sensibilidade de sucessos modernos como Uma Advogada Extraordinária.
A série adota o formato procedural – aquele em que temos um caso diferente a ser resolvido por episódio –, mas o amarra perfeitamente à grande trama de fundo (o julgamento da irmã da protagonista), o que te dá motivos de sobra para dar o play no próximo capítulo.

O brilho de Elena Rivera e um elenco carismático
Se a série funciona tão bem, grande parte do mérito vai para Elena Rivera. A atriz entrega uma Amanda cheia de camadas: insuportável em alguns momentos, mas sempre simpática e humana. O roteiro acerta em cheio ao tratar o TOC com seriedade, sem transformar o transtorno da personagem em motivo de chacota ou humor barato, mas também sem cair no drama excessivo. Ela transparece a angústia da doença pelo olhar, ganhando nossa empatia.
A dinâmica dela com Manu Baqueiro é outro ponto altíssimo. O tom pausado e o jeito meio desleixado de Gabriel servem como o contraponto cômico perfeito para a neurose de Amanda. O elenco de apoio também não decepciona, contando com figuras como María Pujalte, que brilha como uma juíza mal-humorada que parece saída diretamente das melhores comédias, além de veteranos como Alfonso Lara, interpretando o advogado Rafa, que vive dormindo nas reuniões.
Equilíbrio perfeito entre drama, comédia e novelão
Os criadores Jaime Olías, Javier Holgado e Susana López Rubio souberam misturar três gêneros que o público ama: a comédia de constrangimento, o suspense investigativo e aquele toque irresistível de “culebrón” (o bom e velho novelão).
A série não tem vergonha de usar clichês. Pelo contrário, ela mergulha neles com gosto! Temos o triângulo amoroso desenhado, os ex-parceiros vingativos (como Sara, vivida por Dafne Fernández) e revelações bombásticas de tribunal que fariam qualquer fã de dramas legais dar um pulo do sofá.
Estética e trilha sonora
Visualmente, Perdendo o Juízo bebe muito da fonte das séries corporativas americanas. Vemos uma Madri filmada quase como se fosse Chicago, com tons azuis frios, pessoas sempre de terno e corredores impessoais.
É uma escolha estética zero original, mas que cumpre muito bem o seu papel de criar o ambiente. A trilha sonora original de Pablo Diez e Sebastián Merlin acompanha bem a ação, embora o episódio piloto exagere um pouco no uso de canções pop em inglês que não agregam muito à narrativa.
Perdendo o Juízo é boa?
Perdendo o Juízo não tem a pretensão de ganhar todos os prêmios do ano ou de revolucionar a TV, e é exatamente aí que mora o seu charme. É um entretenimento de altíssima qualidade, dinâmico, gostoso de assistir e que te deixa com um gostinho de “quero mais” ao final de seus 10 episódios.
Com a segunda temporada já no forno, essa é, sem dúvida, a pedida perfeita para o seu próximo final de semana de maratona na Netflix. Pode preparar a pipoca e dar o play sem medo!
Onde assistir à série Perdendo o Juízo?
- Netflix
Trailer de Perdendo o Juízo (2026)
Elenco de Perdendo o Juízo, da Netflix
- Elena Rivera
- Manu Baqueiro
- Miquel Fernández
- Lucía Caraballo
- Daniel Ibáñez
- Alfonso Lara
- Dafne Fernández
- Carol Rovira
Ficha Técnica
- Título Original: Perdiendo el juicio
- Criadores e Roteiristas: Jaime Olías, Javier Holgado, Susana López Rubio
- Direção: María Togores, Pablo Guerrero, Jaime Olías
- Produção Executiva: Montse García e Luis Santamaría (Boomerang TV para Atresmedia)
- Gênero: Drama Legal / Comédia / Suspense
- Temporadas: 1ª Temporada (10 episódios) – 2ª temporada já confirmada















