Leia a crítica do filme Presente Maldito (2025) - Flixlândia

‘Presente Maldito’ e o horror que vem de dentro

Foto: Paramount+ / Divulgação
Compartilhe

Bryan Bertino, o cineasta que redefiniu o horror doméstico com a tensão sufocante de Os Estranhos (2008), retorna ao gênero que o consagrou com Presente Maldito (Vicious). Disponível no Paramount+, o filme é um novo mergulho no terror psicológico, sustentado por uma atuação intensa de Dakota Fanning. O cineasta mantém sua assinatura visual, apostando na atmosfera claustrofóbica e no isolamento emocional como motores do medo, numa narrativa que ecoa os dilemas de A Escuridão e a Perversidade (2020).

Contudo, a ambiciosa tentativa de mesclar terror sobrenatural com uma profunda alegoria sobre ansiedade e culpa encontra obstáculos no roteiro. O resultado é um filme com brilho visual e atuações viscerais, mas que perde o fôlego e a clareza na reta final, deixando o espectador com mais perguntas do que Bertino parece disposto a responder.

➡️ Frete grátis e rápido! Confira o festival de ofertas e promoções com até 80% OFF para tudo o que você precisa: TVs, celulares, livros, roupas, calçados e muito mais! Economize já com descontos imperdíveis!

Sinopse

O filme nos apresenta a Polly (Fanning), uma mulher de 32 anos em franco colapso emocional. Morando sozinha em uma casa que se torna uma extensão de sua mente fragmentada, ela lida com uma rotina de solidão, vícios e ligações frustradas da família e do chefe. A frase que abre o filme, “Eu não quero ser eu” (I don’t want to be me), é o ponto de ancoragem para o que está por vir.

Em uma noite fria, uma batida à porta anuncia a chegada de uma misteriosa idosa (Kathryn Hunter), que pede abrigo. O gesto de hospitalidade de Polly a aprisiona em um pesadelo: a visitante lhe entrega uma caixa preta contendo uma ampulheta e um ultimato sinistro. Para sobreviver até o amanhecer, Polly deve depositar na caixa três objetos que representem, para ela, algo que odeia, algo de que precisa e algo que ama.

Com o desaparecimento da velha, a caixa — que o filme sugere ser uma metáfora para a ansiedade e a culpa — inicia seu jogo. Polly passa a ser atormentada por ligações incessantes (o “gatilho” do pânico), aparições e ordens que desafiam sua sanidade e a forçam a sacrifícios físicos e emocionais dolorosos, como a autoamputação.

A entidade usa gaslighting sobrenatural, mostrando mortes falsas de entes queridos para forçar a obediência e o isolamento. A luta de Polly transforma-se em uma espiral de horror e autoconhecimento, onde as “regras” do jogo mudam propositalmente, refletindo a natureza abusiva e inconstante dos relacionamentos tóxicos e da autodestruição.

➡️ ‘Good News’: a farsa histórica no ar e nos gabinetes
➡️ Como a ganância devora a alma em ‘Depois que Morri, Todos me Amam’
➡️ A espionagem e a humanidade em ‘Um Fantasma na Batalha’

Crítica

Bryan Bertino demonstra, mais uma vez, seu talento inegável para criar uma atmosfera opressiva. Assim como em Os Estranhos, ele extrai o terror do ordinário, transformando a casa de Polly em uma prisão claustrofóbica e sombria. O diretor trabalha a tensão de forma gradual, priorizando a sensação de pavor existencial em vez dos sustos fáceis.

O design de som, com ruídos anômalos, silêncios abruptos e a trilha sonora de Tom Schraeder, é um elemento crucial que amplifica o suspense, remetendo a filmes como A Bruxa e Hereditário. A fotografia escura, com tons frios e sufocantes, reforça o isolamento da protagonista, tornando o ambiente um personagem à parte.

➡️ Quer saber mais sobre filmes, séries e  streamings? Então acompanhe o trabalho do Flixlândia nas redes sociais pelo INSTAGRAMXTIKTOKYOUTUBEWHATSAPP, e GOOGLE NOTÍCIAS, e não perca nenhuma informação sobre o melhor do mundo do audiovisual.

Dakota Fanning: a alma visceral do filme

O maior trunfo de Presente Maldito reside na performance de Dakota Fanning. Com a câmera quase sempre focada nela, a atriz carrega o peso da narrativa com uma intensidade notável. A atriz transforma a exaustão emocional e a solidão de Polly em força dramática, compensando as inconsistências do roteiro.

Seus olhares de desespero e a vulnerabilidade feroz da personagem tornam a jornada de auto-amputação (literal e figurada) e a luta contra a entidade críveis e dolorosas. Críticos concordam que sua atuação é o principal alicerce do filme, um motor que sustenta a história mesmo quando esta ameaça desmoronar.

Crítica do filme Presente Maldito (2025) - Flixlândia (1)
Foto: Paramount+ / Divulgação

A ambição simbólica engolida pela falta de foco

O conceito central do filme é intrigante: a caixa maldita é uma metáfora explícita para a ansiedade, a culpa e o ciclo de autodestruição. A entidade, que exige “ofertas honestas” (aquilo que realmente dói em Polly, e não o que a sociedade dita que ela deveria odiar), testa limites morais e força a protagonista ao isolamento. O diretor chegou a declarar que a mudança constante nas regras do jogo simboliza as relações tóxicas onde “você não pode vencer”.

No entanto, Bertino, que é um diretor mais hábil do que roteirista, subdesenvolve esses temas. A narrativa se perde na própria complexidade, optando por prolongar a tensão com ruídos altos e jumpscares previsíveis em vez de aprofundar a psicologia da protagonista.

As regras da caixa se tornam confusas, enfraquecendo a lógica interna do universo e, consequentemente, o impacto da metáfora. O que começa como um terror psicológico denso, com potencial para se igualar a obras como O Babadook, acaba se desviando para um território mais convencional e incoerente.

Conclusão

Presente Maldito é um filme de altos e baixos, que confirma o talento de Bryan Bertino para a criação de atmosfera, mas evidencia suas limitações na construção narrativa a longo prazo. É um thriller que ecoa a claustrofobia do diretor, explorando a dor emocional como o verdadeiro monstro. A decisão de Polly de “não atender” o telefone no final — recusando-se a continuar o jogo da ansiedade — é a mensagem do diretor: a dragona interna não morre, mas é possível aprender a continuar apesar dela.

Apesar dos tropeços de ritmo e do final que frustra quem busca respostas claras, o filme é um exercício de tensão pura, imperdível para quem aprecia o terror simbólico de lento desmoronar da sanidade. Graças à entrega visceral de Dakota Fanning, que transforma a solidão da personagem em uma presença marcante na tela, Presente Maldito consegue ser um terror que vale a experiência, ainda que deixe a sensação agridoce de que havia um clássico mais conciso escondido dentro de um longa-metragem estendido.

Veja o trailer de Presente Maldito (2025)

YouTube player

Onde assistir ao filme Presente Maldito?

O filme “Presente Maldito” está disponível para assistir no Paramount+.

Quem está no elenco de Presente Maldito, do Paramount+?

  • Rachel Blanchard
  • Mary McCormack
  • Dakota Fanning
  • Kristen Pepper
  • Devyn Nekoda
  • Michael Abbott Jr.
  • Emily Mitchell
  • Karen Cliche
  • Kathryn Hunter
  • Klea Scott
  • Devyn Nekoda
  • Kristen Pepper
  • Mary McCormack
Escrito por
Wilson Spiler

Formado em Design Gráfico, Pós-graduado em Jornalismo e especializado em Jornalismo Cultural, com passagens por grandes redações como TV Globo, Globonews, SRZD e Ultraverso.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Procuram-se colaboradores
Procuram-se colaboradores

Últimas

Artigos relacionados
Zafari resenha crítica do filme 2026 Flixlândia
Críticas

Muito além do sobrenatural: o terror claustrofóbico de ‘Zafari’

Zafari é um filme de 2024 dirigido pela cineasta venezuelana Mariana Rondón...

Destruição Final 2 resenha crítica do filme 2026 Flixlândia
Críticas

‘Destruição Final 2’, o Éden lhe aguarda

“O fim do mundo está próximo!”, frase entoada por tantos “profetas” nas...

Os Malditos 2025 explicação do final do filme Flixlândia (1)
Críticas

‘Os Malditos’ transforma o inverno em tribunal moral, e faz do silêncio o mais cruel dos juízes

Todo filme ambientado na neve carrega a tentação de culpar o clima...

Dois Procuradores resenha crítica do filme 2026
Críticas

‘Dois Procuradores’ é um filme onde o silêncio e o papel são tão letais quanto uma arma de fogo

Dois Procuradores é um drama histórico e político dirigido pelo cineasta ucraniano...

Living The Land resenha crítica do filme 2026 (Sheng Xi Zhi Di), de Huo Meng - crédito Autoral Filmes
Críticas

‘Living The Land’ é um um registro poético de um tempo que não retorna

Living the Land é um drama épico chinês dirigido por Huo Meng....

Nossa Vizinhança resenha crítica do filme do Globoplay 2026 Flixlândia (1)
Críticas

A tensão realista e humana de ‘Nossa Vizinhança’

Sabe quando um filme chega na programação da TV aberta, muitas vezes...