E aí, fãs de terror asiático! Se você curtiu o clima tenso do primeiro Re/Member, provavelmente estava na expectativa para saber como a história iria continuar. Re/Member: A Última Noite (Karada Sagashi: The Last Night) chegou ao catálogo da Netflix prometendo expandir o pesadelo do loop temporal escolar sob a direção de Eiichiro Hasumi.
Mas será que o raio cai duas vezes no mesmo lugar ou a maldição acabou perdendo a força? A verdade é que a sequência aposta alto no absurdo, mas tropeça nos próprios pés ao tentar abraçar vários estilos de uma vez só.
Sinopse
O filme se passa três anos após o final do original. Se você achava que Takahiro (Gordon Maeda) e Asuka (Kanna Hashimoto) teriam um final feliz duradouro, o roteiro logo trata de estragar a paz do casal. Asuka misteriosamente desaparece da nossa dimensão, e recortes de jornal antigos passam a noticiar que ela teria morrido quando criança em um parque de diversões.
Para tentar salvá-la, Takahiro se vê puxado de volta para a maldita “Caça ao Corpo”. Dessa vez, ao lado de um novo grupo de estudantes, o cenário de horrores muda da escola para um parque de diversões à meia-noite, onde eles precisam reunir as partes desmembradas para quebrar o ciclo, enquanto são caçados repetidamente pela bizarra “Pessoa Vermelha”.
Crítica do filme Re/Member: A Última Noite
O lore expandido (mas a que custo?)
Um dos maiores acertos do longa é que ele finalmente se aprofunda no mistério. A história foca em explicar a origem do ritual e como a maldição passa de pessoa para pessoa, conectando-se diretamente com a cena pós-créditos do primeiro filme. Para quem gosta de entender a mitologia por trás do monstro, isso é um prato cheio
O grande problema é que as regras do jogo parecem ser inventadas pelo roteiro conforme a trama avança. Em um momento, basta quebrar a “Pedra Vermelha” para acabar com tudo; logo em seguida, a regra muda e é preciso manchar a pedra de sangue para ativar um loop final. Fica difícil levar o perigo a sério quando as leis da maldição mudam de forma tão conveniente e arbitrária.

Crise de identidade: onde foi parar o terror?
Se você procura um filme para não conseguir dormir com as luzes apagadas, talvez saia decepcionado. O maior pecado da obra é a sua total falta de coerência no tom. Em seus pouco mais de 90 minutos de duração, o filme tenta ser um slasher grotesco, um romance adolescente, um drama e uma comédia, tudo ao mesmo tempo.
Essa salada de gêneros acaba estragando a experiência: a comédia corta a tensão do terror, o banho de sangue atrapalha o romance e o drama anula as tentativas de assustar o espectador. No fim das contas, nada se sustenta direito e o filme perde completamente a atmosfera de terror opressivo que tinha no original.
Veteranos carregam o peso, novatos ficam na fila
Temos que dar o braço a torcer para a dupla original. Kanna Hashimoto e Gordon Maeda entregam atuações convincentes e emocionais, mantendo o legado de seus personagens muito vivo. Eles são o coração que tenta manter o filme pulsando.
Em contrapartida, os novos estudantes não têm profundidade nenhuma. Eles estão ali puramente para cumprir tabela, fazer volume e servir de carne fresca para o monstro. Sem desenvolvimento, fica impossível criar qualquer laço ou empatia, e a gente acaba não ligando muito quando eles são estraçalhados na tela.
Estética vibrante e pancadaria no parque
Visualmente, o filme tem seus charmes. A troca dos corredores da escola por um parque de diversões macabro traz uma energia interessante e claustrofóbica, intensificada pelo excelente uso de iluminação vermelha. Porém, o diretor Hasumi liga o modo “caos total” sem nenhum pudor.
As cenas de mortes, que deveriam ser assustadoras, são tão repetitivas que as lutas corpo a corpo com o fantasma beiram o cômico – tem até uma pancadaria em cima de uma montanha-russa!. A trilha sonora pelo menos ajuda a embalar a bagunça, com destaque para a inserção animada da banda Yabai T-Shirts Yasan, que marca o ápice da diversão caótica do filme.
Conclusão
Re/Member: A Última Noite é o clássico exemplo de uma sequência desnecessária que perde a mão ao tentar ser maior que o original. Ao misturar gêneros e focar em uma ação quase absurda, o terror psicológico foi jogado pela janela.
Se você desligar o cérebro e quiser apenas um filme despretensioso e divertido para assistir com os amigos num fim de semana, ele funciona como um entretenimento passageiro e esquecível. Mas, infelizmente, como obra de horror asiático, a sequência morre no próprio loop sem deixar um impacto verdadeiro.
Onde assistir online ao filme Re/Member: A Última Noite?
Trailer de Re/Member: A Última Noite (2025)
Elenco de Re/Member: A Última Noite, da Netflix
- Kanna Hashimoto
- Gordon Maeda
- Kaito Sakurai
- Seira Anzai
- Fuku Suzuki
- Marin Honda
- Takeaki Yoshida
- Yoshino Kimura

















