Relay Contrato Perigoso crítica do filme 2024 HBO Max - Flixlândia

‘Relay: Contrato Perigoso’: o silêncio vale ouro neste ótimo suspense analógico

Compartilhe

Na era dos blockbusters barulhentos e cheios de efeitos visuais, encontrar um thriller contido e movido pela inteligência é um verdadeiro alívio. Dirigido por David Mackenzie (conhecido por A Qualquer Custo), Relay: Contrato Perigoso é um daqueles filmes que resgatam a clássica paranoia corporativa e a atmosfera de conspiração dos anos 70.

Trazendo ecos de clássicos como A Conversação (1974) e Três Dias do Condor (1975), o filme promete fisgar o espectador com um jogo de gato e rato tenso e misterioso.

➡️ Frete grátis e rápido na AMAZON! Confira o festival de ofertas e promoções com até 80% OFF para tudo o que você precisa: TVs, celulares, livros, roupas, calçados e muito mais! Economize já com descontos imperdíveis!

Sinopse

A trama acompanha Ash (interpretado pelo sempre excelente Riz Ahmed), um “intermediário” que ganha a vida negociando acordos milionários e sigilosos entre grandes corporações corruptas e os funcionários que decidem roubar provas e denunciá-las. Para não deixar rastros e proteger sua identidade a qualquer custo, ele usa um método inusitado: o sistema de “relay” (retransmissão), um serviço de telecomunicação criado originalmente para pessoas com deficiência auditiva.

Tudo corre perfeitamente bem no seu mundo isolado e meticuloso, até que surge Sarah (Lily James), uma cientista que roubou documentos comprometedores sobre os transgênicos de sua empresa e precisa desesperadamente de proteção. A partir daí, as regras vão por água abaixo e Ash se vê alvo de uma caçada implacável liderada por um agente implacável vivido por Sam Worthington.

Crítica do filme Relay: Contrato Perigoso

O charme do mundo analógico e a selva de Nova York

Um dos maiores acertos de Relay: Contrato Perigoso é a forma como ele constrói a sua atmosfera de tensão. Mackenzie transforma as ruas lotadas, os apartamentos e o metrô de Nova York em um verdadeiro tabuleiro de xadrez, onde cada esquina pode esconder uma ameaça ou uma rota de fuga. A câmera do diretor costuma observar os acontecimentos de uma distância fria, o que nos ajuda a mergulhar na mente calculista e paranoica do protagonista.

Além disso, o filme ganha muitos pontos ao apostar no universo analógico: em vez de telas de computador e hackers invadindo sistemas rapidamente, temos um homem que foge da tecnologia rastreável, optando por pagers, correios e cabines telefônicas. É um suspense que nasce do silêncio, da observação e da paciência, e isso funciona de forma espetacular durante a primeira metade da história.

Relay Contrato Perigoso 2024 crítica do filme HBO Max - Flixlândia (1)
Foto: Divulgação

Riz Ahmed domina no silêncio

Se o filme te prende na cadeira, grande parte do mérito é da atuação de Riz Ahmed. Ele entrega uma performance hipnótica, baseada quase inteiramente em microexpressões, movimentos precisos e uma quietude febril. Ash é um cara solitário, metódico e que tenta escapar de seus próprios demônios, como a luta contra o alcoolismo, e Ahmed transmite essa complexidade com uma economia de gestos que impressiona.

Lily James também surpreende com uma energia determinada no papel de Sarah, mas é aqui que o roteiro apresenta uma de suas falhas: ele tenta forçar uma conexão emocional e meio romântica entre os dois personagens que simplesmente não convence. O filme é muito mais interessante quando foca na estratégia de sobrevivência e na espionagem, e perde um pouco o ritmo quando foca nesse romance improvável.

Um terceiro ato que divide opiniões

Apesar de construir um clima de mestre, Relay derrapa nas suas próprias ambições quando chega ao ato final. O roteiro joga na nossa cara uma reviravolta gigantesca que subverte tudo o que achávamos saber até ali (sem dar spoilers, a verdadeira lealdade de Sarah entra em jogo), mas essa escolha foi considerada por muitos como absurda e sem sentido lógico.

Em vez de manter a discrição e os movimentos calculados que guiaram a narrativa perfeitamente, o longa pisa no acelerador, troca a sutileza por cenas genéricas de ação e tenta entregar um desfecho bombástico. Essa pressa em surpreender o público acaba sabotando um pouco da elegância que o filme demorou tanto para construir.

Conclusão

Mesmo perdendo o fôlego no final e se enrolando em suas próprias reviravoltas, Relay: Contrato Perigoso ainda é um thriller bastante competente, criativo e que foge do óbvio. Vale muito a pena dar o play só para conferir a performance fantástica de Riz Ahmed e sentir aquele gostinho de cinema de espionagem onde uma simples ligação telefônica interceptada pode ser infinitamente mais perigosa do que uma explosão.

Onde assistir online ao filme Relay: Contrato Perigoso?

Trailer de Relay: Contrato Perigoso (2024)

YouTube player

Elenco do filme Relay: Contrato Perigoso

  • ⁦⁨Riz Ahmed⁩
  • ⁨Lily James⁩
  • ⁨Sam Worthington⁩
  • ⁨Willa Fitzgerald⁩
  • ⁨Jared Abrahamson⁩⁩
Escrito por
Wilson Spiler

Formado em Design Gráfico, Pós-graduado em Jornalismo e especializado em Jornalismo Cultural, com passagens por grandes redações como TV Globo, Globonews, SRZD e Ultraverso.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Procuram-se colaboradores
Procuram-se colaboradores

Últimas

Artigos relacionados
Parque Lezama crítica do filme argentino da Netflix 2026 - Flixlândia
Críticas

A arte de envelhecer conversando: reflexões sobre ‘Parque Lezama’, a nova comédia da Netflix

Se você é do tipo que gosta de explosões, reviravoltas frenéticas e...

Foi Apenas Um Acidente crítica do filme 2025 - Flixlândia (1)
Críticas

Vingança ou perdão? O dilema moral de ‘Foi Apenas um Acidente’

Sabe aquele tipo de filme que faz muito com pouquíssimo? Essa é...

ReMember A Última Noite crítica do filme da Netflix 2025 - Flixlândia
Críticas

‘Re/Member: A Última Noite’, uma montanha-russa de gêneros (e de decepções?)

E aí, fãs de terror asiático! Se você curtiu o clima tenso...

Minha Namorada Assombrosa 2 crítica do filme da Netflix 2025 - Flixlândia
Críticas

‘Minha Namorada Assombrosa 2’: o amor sobrevive ao tempo (e ao tédio?)

Se você acompanhou o sucesso estrondoso de bilheteria que foi o primeiro...

Máquina de Guerra 2026 crítica do filme da Netflix - Flixlândia
Críticas

Predador encontra Transformers: o pipocão honesto de ‘Máquina de Guerra’

Sabe aqueles filmes de ação das antigas, que não queriam reinventar a...

Mother's Baby crítica do filme 2026 - Marie Leuenberger (Julia) - crédito Autoral Filmes
Críticas

‘Mother’s Baby’ traça linha tênue entre depressão pós-parto e paranoia

A maternidade costuma ser associada à felicidade plena. No entanto, para muitas...

A Noiva 2026 crítica do filme spoilers - Flixlândia (1)
Críticas

‘A Noiva!’: releitura de Frankenstein foca na violência e em manifesto feminista

Esqueça os castelos góticos empoeirados e os cientistas loucos gritando “Está vivo!”....

De Volta à Bahia crítica do filme brasileiro 2026 - Flixlândia
Críticas

‘De Volta à Bahia’: um romance de verão que esqueceu o tempero

Estreia nesta quinta-feira (5) nos cinemas brasileiros o filme “De Volta à...