Salma Solteira, incluído recentemente no catálogo da Netflix, é um filme que ocupa uma posição desafiadora: não chega a ser ruim, mas também não é bom, encaixando-se em uma categoria especial de produções que possuem algo relevante a comunicar, embora falhem repetidamente na maneira como fazem isso.
Em um cinema hindi atual, repleto de grandes espetáculos, franquias e nostalgia reciclada, a ideia de uma comédia dramática centrada em uma mulher solteira de 33 anos poderia parecer um alívio. No entanto, o que poderia ser um reconfortante retorno às narrativas de classe média e de pequenas cidades revela-se um longa-metragem excessivamente prolongado, irregular e, de forma irônica, antiquado.
Sinopse
A narrativa gira em torno de Salma Rizvi (Huma Qureshi), servidora pública em Lucknow e a única responsável pelo sustento da família. Desde a infância, ela abdica de sua própria vida para cuidar de seus pais e irmãos, assumindo obrigações que nunca foram devolvidas. Sob pressão da mãe e do contexto social, aceita se casar com Sikandar (Shreyas Talpade), um homem igualmente sobrecarregado por deveres familiares.
Antes do matrimônio, surge a chance de ir a Londres para um treinamento profissional, onde Salma conhece Meet (Sunny Singh) e começa a questionar suas escolhas. O conflito principal — optar entre dois homens — é, ironicamente, o aspecto menos fascinante de um filme que almejava abordar a autonomia feminina.
➡️ Quer saber mais sobre filmes, séries e streamings? Então acompanhe o trabalho do Flixlândia nas redes sociais pelo INSTAGRAM, X, TIKTOK, YOUTUBE, WHATSAPP, e GOOGLE NOTÍCIAS, e não perca nenhuma informação sobre o melhor do mundo do audiovisual.
Resenha crítica do filme Salma Solteira
Onde Salma solteira realmente se destaca é na sua proposta política. O filme aborda de forma precisa como a moralização do corpo feminino atua em pequenas cidades e como as redes sociais intensificam esse controle, especialmente quando fotos de uma mulher vestindo roupas consideradas “provocantes” se tornam virais.
Também é feito um comentário relevante sobre como as mulheres, condicionadas a priorizar a família, acabam perdendo suas próprias histórias pessoais. O filme defende de maneira clara que ser solteira não implica estar sozinha — pode significar liberdade, autoconhecimento e realização. Essa mensagem é genuína, necessária e, em muitos momentos, a única razão pela qual a obra se sustenta.
Execução frágil prejudica mensagem
O problema é que essa intenção progressista choca-se com uma execução dramaticamente frágil. O roteiro padece de uma estrutura artificial, onde eventos aparecem por conveniência, desprovidos de uma progressão emocional consistente. As convicções de Salma mudam de maneira abrupta durante sua estadia em Londres, tornando a personagem distante e difícil de simpatizar.
O público não discute as escolhas em si, mas a falta de uma base narrativa que as justifique. Assim, a protagonista se torna paradoxalmente antipática, não por suas decisões, mas pela superficialidade com que são apresentadas.

A representação dos personagens e das comunidades também falha em consistência. O filme tenta trazer nuances culturais, mas não consegue mantê-las. Existem inconsistências evidentes, como a figura do pai de Salma — apresentado como rigidamente religioso em um momento e, em outro, visto consumindo álcool sem qualquer explicação.
Não se trata de moralizar comportamentos, mas de como o filme exige que o público aceite o que deseja mostrar, desrespeitando a inteligência do espectador. Os personagens secundários permanecem restringidos a estereótipos, existindo apenas para impulsionar a trama.
Falhas de ritmo e de coesão
A direção de Nachiket Samant acentua as falhas do filme ao falhar em estabelecer um ritmo ou coesão. Com uma duração superior a 2 horas e 20 minutos, Salma Solteira sempre parece mais extenso do que deveria. O que poderia ser sintetizado em duas horas se arrasta com cenas repetitivas, piadas sem sentido e emoções que não se resolvem. O tom varia entre comédia romântica, drama familiar e manifesto ético, mas nenhum desses aspectos é plenamente desenvolvido.
As atuações não contribuem significativamente para elevar a qualidade do material. Huma Qureshi tenta, mas tem dificuldades em dar veracidade aos mannerismos e ao sotaque de Salma. Sunny Singh parece fora de lugar em seu papel como indo-britânico, enquanto Shreyas Talpade, embora traga um toque de luz e leveza, é claramente subaproveitado em um papel que se torna monótono rapidamente. A trilha sonora é totalmente esquecível: as canções aparecem e desaparecem sem causar impacto emocional, sem enriquecer a trajetória da protagonista ou a atmosfera do filme.
Emoções conflitantes
Ao final, Salma Solteira provoca emoções conflitantes. A mensagem de que a felicidade não precisa de um parceiro para ser válida é digna de aplauso, mas a maneira como é apresentada deixa muito a desejar. Como uma experiência cinematográfica, o filme se torna mais exaustivo do que agradável, mais moralista do que cativante.
Talvez tivesse sido mais eficaz como um lançamento exclusivo para streaming, permitindo que os espectadores pulassem as partes arrastadas e ainda assim compreendessem sua essência. Nos cinemas, porém, fica a impressão de que um tema relevante foi abafado por uma execução fraca, exageradamente longa e sem uma convicção dramática convincente.
Conclusão
Não vale a pena assistir Salma Solteira se a ideia for buscar uma boa experiência cinematográfica. Apesar de levantar temas importantes sobre autonomia feminina e pressão social, o filme é excessivamente longo, mal ritmado e marcado por um roteiro conveniente, personagens inconsistentes e decisões dramáticas pouco convincentes.
A direção não sustenta o interesse ao longo de mais de duas horas, as atuações não conseguem compensar as falhas de escrita e a trilha sonora é esquecível. O resultado é um filme cansativo, mais preocupado em transmitir uma lição moral do que em contar uma história envolvente, tornando a experiência mais arrastada do que prazerosa.
Onde assistir ao filme Salma Solteira?
Trailer de Salma Solteira (2025)
Elenco de Salma Solteira, da Netflix
- Huma Qureshi
- Sunny Singh
- Shreyas Talpade
- Kanwaljeet Singh
- Navni Parihar
- Lauren Gottlieb
- Nidhi Singh
- Asif Khan
- Abhishek Singh
- Digvijay Pratap Singh















