
Foto: Apple TV+ / Divulgação
Desde sua estreia, Mythic Quest se destacou como uma das comédias mais consistentes e subestimadas da era do streaming. Ao longo de quatro temporadas, a série da Apple TV+ construiu um universo sólido em torno do desenvolvimento de um MMORPG fictício, sempre alternando entre o absurdo do ambiente de trabalho e momentos inesperadamente tocantes.
Agora, com o fim da quarta temporada, chega “Side Quest”, antologia derivada da Apple TV+ que se propõe a explorar os cantos menos iluminados desse universo — uma série de histórias paralelas sobre personagens que orbitam o mundo do jogo e de sua comunidade.
A premissa tem tudo para dar certo. Contudo, ao limitar-se a apenas quatro episódios, “Side Quest” entrega mais um aperitivo do que um verdadeiro banquete — e, por mais saboroso que seja, deixa a sensação de que faltou sustância.
Sinopse da série Side Quest (2025)
Desenvolvida por roteiristas veteranos de Mythic Quest — Ashly Burch, John Howell Harris e Katie McElhenney —, “Side Quest” propõe uma estrutura de antologia: cada episódio foca em um novo personagem e contexto, sempre ligados de alguma forma ao universo do jogo-título.
O episódio de estreia, “Som e Dança”, acompanha Phil (Derek Waters), diretor de arte da Mythic Quest Studios, tentando tirar férias ao lado da namorada (Anna Konkle), apenas para ser constantemente interrompido pelo chefe invasivo Ian Grimm (Rob McElhenney).
A seguir, “A Lista” mergulha em uma loja de quadrinhos e debate identidade nerd com uma perspectiva afro-americana. Já “Fuga” acompanha a jornada emocional de uma jovem violoncelista em turnê com uma orquestra que toca a trilha sonora do jogo. Por fim, “O Último Ataque” acontece inteiramente dentro do universo do MMORPG, acompanhando um grupo de adolescentes em sua última missão juntos.
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Crítica de Side Quest, da Apple TV+
“Som e Dança” é o episódio que mais se aproxima da série original — não apenas por trazer personagens já conhecidos, mas por repetir a estrutura de conflito entre vida pessoal e profissional. Ainda assim, há algo de novo no foco dado à vida interior de Phil, um personagem que antes era apenas uma piada recorrente.
Com o apoio de uma atuação sensível de Anna Konkle, o episódio consegue dar mais humanidade ao coadjuvante. É um bom começo, mas também o mais previsível dos quatro.
A Lista: o ponto alto da antologia
O segundo episódio, “A Lista”, representa o momento mais inspirado de “Side Quest”. Ambientado em uma loja de quadrinhos dirigida por uma mulher negra (Shalita Grant), ele se debruça sobre o conceito de “fandom” e quem tem o direito de reivindicar esse espaço.
O episódio é engraçado, afiado, e cheio de diálogos que ressoam tanto com fãs antigos quanto com novos públicos. É também uma raridade: uma representação genuína da comunidade nerd negra, com todos os seus conflitos e nuances. Poderia facilmente sustentar uma série própria.
Fuga: sensível, mas pouco impactante
No terceiro episódio, a série assume um tom mais contemplativo ao seguir Sylvie (Annamarie Kasper), uma jovem musicista que se junta a uma orquestra dedicada a interpretar a trilha sonora de Mythic Quest ao redor do mundo.
Visualmente, é o episódio mais elegante, com direção que lembra um filme de prestígio. Contudo, sua mensagem sobre paixão artística versus profissionalização soa familiar demais. Apesar da performance delicada de Kasper, falta força narrativa para deixar uma marca duradoura.
O Último Ataque: emoção pixelada e um adeus silencioso
Encerrando a temporada, “O Último Ataque” transporta a narrativa para dentro do jogo. Em estilo screenlife, acompanhamos um grupo de amigos de longa data enfrentando sua última missão juntos — e, simbolicamente, o fim da adolescência.
O episódio brilha ao mostrar como mundos virtuais podem ser espaços de conexão profunda, mas também evidencia os limites dessas relações quando a vida real começa a cobrar espaço. A metáfora é poderosa, e a execução visual surpreende.
Conclusão
“Side Quest” é, acima de tudo, uma extensão carinhosa do universo de Mythic Quest — e isso, por si só, já a torna válida. Seus episódios são criativos, variados e conseguem explorar diferentes aspectos da experiência criativa, do fandom e da busca por pertencimento. No entanto, a série também sofre com a própria brevidade: quatro episódios não são suficientes para estabelecer um verdadeiro ritmo ou criar um grande impacto emocional.
No fim, “Side Quest” é como aquela missão paralela charmosa que te distrai por um tempo no RPG favorito, mas que nunca chega a influenciar o final da história principal. Uma experiência agradável, às vezes tocante, mas que desaparece rapidamente da memória. Ainda assim, se o objetivo era mostrar que há vida fora da sede da Mythic Quest, a missão foi, em parte, cumprida.
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Onde assistir à série Side Quest?
A série está disponível para assistir na Apple TV+.
Trailer de Side Quest (2025)
Elenco de Side Quest, da Apple TV+
- Trisha Simmons
- Shalita Grant
- Derek Waters
- Van Crosby
- Annamarie Kasper
- Esai Morales
- Rome Flynn
- Anna Konkle
- Melanie Brook
- Rob McElhenney
Ficha técnica da série Side Quest
- Título original: Side Quest
- Criação: Ashly Burch, John Harris, Katie McElhenney
- Gênero: comédia
- País: Estados Unidos
- Temporada: 1
- Episódios: 4
- Classificação: 14 anos