Crítica do filme brasileiro Suçuarana (2025) - Flixlândia

‘Suçuarana’ e a busca por pertencimento em um país em movimento

Foto: Embaúba Filmes / Divulgação
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O cinema brasileiro sempre se destacou por sua capacidade de traduzir a vastidão e a complexidade de seu território em narrativas que misturam a geografia do país com a alma de seus personagens. Dentro dessa tradição, o road movie — um gênero em que a jornada é mais relevante que o destino — encontra um campo fértil, transformando a estrada em um palco para as questões sociais e existenciais.

É nesse contexto que se insere o premiado filme “Suçuarana”, dos diretores Clarissa Campolina e Sérgio Borges. O longa-metragem não apenas honra essa herança cinematográfica, mas a ressignifica, propondo uma experiência que vai além da simples narrativa de viagem, unindo realismo social com toques de realismo fantástico. A jornada da protagonista, Dora, se torna um espelho de um Brasil marcado por desigualdades, devastação e a busca incessante por um lugar no mundo.

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Sinopse

Sinara Teles interpreta Dora, uma mulher que vive há anos nas estradas de Minas Gerais, sem raízes ou laços duradouros. A única bússola de sua jornada é uma foto antiga de sua mãe, que aponta para um lugar mítico: o Vale do Suçuarana. Esse lugar, de existência incerta, representa para ela a promessa de um lar e de pertencimento.

Vagando entre caronas e paisagens degradadas pela mineração, Dora enfrenta a solidão e os perigos da estrada. Após um acidente, ela encontra refúgio temporário em uma fábrica abandonada, onde uma comunidade de trabalhadores à margem da sociedade oferece a ela, por um breve momento, a sensação de pertencimento que tanto busca.

Acompanhada por um cachorro que a persegue insistentemente — e a quem ela batiza de Encrenca —, Dora continua sua peregrinação, descobrindo que a busca por seu eldorado particular é, na verdade, uma viagem para dentro de si mesma e para a história de um país.

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Crítica

“Suçuarana” é um filme que se move em ritmo melancólico e contemplativo, mas que nunca se torna arrastado. A sua força reside na forma como aborda temas profundos de maneira sutil e poética. O longa não se limita a contar uma história de busca, ele se aprofunda na alma de seus personagens e do Brasil que os cerca.

A busca como metáfora e a paisagem da alma

O Vale do Suçuarana é uma espécie de paraíso utópico e talvez inalcançável, mas que serve como a mola propulsora da jornada de Dora. Essa busca por um lugar que pode não existir é a grande metáfora do filme, que nos lembra que o significado de uma jornada reside no caminho, e não na chegada.

A paisagem, longe de ser apenas um cenário, se torna um personagem em si. O Brasil devastado pela mineração, com suas cicatrizes visíveis, reflete a desolação e a fragilidade das vidas que ali se desenrolam. O filme, ao nos mostrar essa degradação, nos obriga a confrontar a realidade de um país em que as desigualdades e a destruição ambiental caminham lado a lado.

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Cena do filme brasileiro Suçuarana (2025) - Flixlândia
Foto: Embaúba Filmes / Divulgação

A solidão e os encontros na estrada

A protagonista, Dora, é uma figura de força e resiliência, mas também de uma solidão profundamente enraizada. Clarissa Campolina e Sérgio Borges evitam a pieguice, não transformando a solidão de Dora em um drama patético. Em vez disso, a apresentam como uma escolha — arriscada e libertadora. A excelente atuação de Sinara Teles privilegia a expressão corporal, transmitindo o cansaço e a coragem de uma mulher calejada pela estrada.

No entanto, o filme também é sobre a beleza dos encontros que pontuam essa jornada. Dora cruza com outras mulheres, trabalhadoras e mães solo, que se ajudam não por um senso de grandiosidade moral, mas por um laço de conveniência e de humanidade compartilhada.

O cão Encrenca (que se chama nada mais nada menos do que Tony Stark na vida real) é o símbolo mais claro desse flerte com a poesia. Ele representa o afeto e a possibilidade de criar raízes, mas é, a princípio, rejeitado por Dora, que parece temer a dependência emocional. O drama de ser abandonado e de abandonar perpassa a narrativa, mas é contrabalançado pelo calor de encontros inesperados.

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Poesia visual e sonoridade marcante

A direção de Campolina e Borges flerta com um realismo fantástico discreto, que se manifesta principalmente na figura de Encrenca. O cachorro se torna um companheiro quase mágico, que desafia a lógica e ressurge para Dora, como se fosse um elo que ela insiste em negar, mas que a vida a força a aceitar.

A estética do filme reforça essa dualidade. A belíssima fotografia aérea de paisagens degradadas, aliada a um trabalho sonoro primoroso, cria uma sensação de tensão constante. Os sons e ruídos da estrada, da natureza e das pessoas que Dora encontra dão corpo a uma atmosfera de incerteza e de perigo iminente.

A montagem impecável de Luiz Pretti garante um ritmo fluido, revelando apenas o necessário, o que permite ao espectador projetar suas próprias emoções e reflexões nos espaços deixados intencionalmente abertos.

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Conclusão

“Suçuarana” é um filme que não tem pressa. Ele mergulha na alma do Brasil e de seus personagens de forma delicada, mas com uma força inegável. A jornada de Dora, inspirada pela novela de Henry James e ecoando o cinema contemporâneo brasileiro, se torna uma metáfora universal sobre a busca por um lugar no mundo.

No fim, a busca por Suçuarana pouco importa. O que fica é a constatação de que a estrada, com seus desafios e encontros, é a própria vida. E é nessa jornada contínua que encontramos a força para resistir, reinventar e, talvez, descobrir um tipo de paz que não reside em um destino físico, mas na aceitação do movimento constante da existência. O filme, silencioso e potente, é daqueles que chegam de mansinho e, quando nos damos conta, já se tornaram parte de nós.

Onde assistir ao filme Suçuarana?

O filme estreou nos cinemas brasileiros nesta quinta-feira, 11 de setembro de 2025.

Assista ao trailer de Suçuarana (2025)

YouTube player

Quem está no elenco do filme Suçuarana?

  • Sinara Teles
  • Carlos Francisco
  • Kelly Crifer
  • Tony Stark
  • Hélio Ricardo
Escrito por
Wilson Spiler

Formado em Design Gráfico, Pós-graduado em Jornalismo e especializado em Jornalismo Cultural, com passagens por grandes redações como TV Globo, Globonews, SRZD e Ultraverso.

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