Na Solidão da Noite Assassinatos na Mansão Bansal resenha crítica filme Netflix 2025 Flixlândia

[CRÍTICA] ‘Na Solidão da Noite: Assassinatos na Mansão Bansal’: retorno do inspetor tem muito sangue, mas mistério desigual

Foto: Netflix / Divulgação
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Levaram cinco anos para que a equipe por trás do aclamado thriller Na Solidão da Noite (2020) nos entregasse uma sequência. Com o subtítulo Assassinatos na Mansão Bansal, fica claro logo de cara que o diretor Honey Trehan e a roteirista Smita Singh não estavam com pressa apenas para ganhar visualizações fáceis; eles tiraram um tempo para tentar construir algo genuíno.

Embora seja vendido como uma sequência, o filme funciona mais como uma continuação “espiritual”, trazendo de volta o inspetor Jatil Yadav para um território totalmente novo, sem conexão narrativa direta com o caso anterior. Mas será que essa nova empreitada em Lucknow mantém a mesma urgência e inteligência do original?

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Sinopse

A trama nos transporta para o coração de Uttar Pradesh, na região de Lucknow-Kanpur, onde a poderosa e disfuncional família Bansal enfrenta um destino macabro. O filme abre de forma perturbadora com corvos caindo mortos e uma cabeça de porco em um chão ensanguentado, um presságio do que viria a seguir: um massacre noturno onde seis membros da família, incluindo o magnata da mídia Mahendra Bansal, têm suas gargantas cortadas por um facão.

Quem assume o caso é o nosso velho conhecido, o Inspetor Jatil Yadav (Nawazuddin Siddiqui). Ele precisa navegar por um mar de suspeitos que inclui Aarav, um filho viciado em drogas; Meera (Chitrangada Singh), a única sobrevivente e testemunha ocular; Rajat (Sanjay Kapoor), um parente oportunista do ramo da mídia eletrônica; e até uma misteriosa líder de seita, Guru Maa (Deepti Naval). Em meio a pistas falsas e pressão de seus superiores para fechar o caso rápido, Jatil precisa descobrir a verdade antes que ela seja enterrada.

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Resenha crítica do filme Na Solidão da Noite: Assassinatos na Mansão Bansal

O show de um homem só (e suas companhias)

Se há um motivo indiscutível para assistir a este filme, é Nawazuddin Siddiqui. Ele retorna como Jatil — que literalmente significa “complicado” — e ancora a produção com uma performance magnética e contida. É fascinante ver a evolução do personagem: ele ainda é aquele policial de cidade pequena, irritadiço e impaciente, mas não é mais prisioneiro de uma mentalidade retrógrada (como quando julgava as roupas femininas no primeiro filme).

A química dele com o elenco de apoio também merece destaque, especialmente na breve, mas deliciosa participação especial de Radhika Apte como Radha, sua noiva. Eles têm uma naturalidade tão grande que poderiam facilmente sustentar um filme romântico sozinhos. Outro ponto alto é a interação com a Dra. Rosie Panicker (Revathi), uma perita forense direta e sem paciência, que protagoniza uma das melhores cenas ao recriar a matança com um ar clínico quase assustador.

Na Solidão da Noite Assassinatos na Mansão Bansal 2025 resenha crítica filme Netflix Flixlândia (1)
Foto: Netflix / Divulgação

Atmosfera noir e estômago forte

Honey Trehan sabe criar um clima. O filme mergulha numa estética noir que explora a podridão da sociedade, usando símbolos visuais fortes como escavadeiras e covas rasas para criticar dinâmicas de poder. Mas fica o aviso: se você tem estômago fraco, prepare-se. O filme não economiza no sangue. A sequência inicial da perícia varrendo a cena do crime é crua, detalhada e inquietante, estabelecendo um tom muito mais sombrio e gráfico que exige atenção do espectador.

Onde a trama perde o fôlego

Apesar de ter um elenco estelar, o filme peca ao não saber aproveitar todo mundo. Atores do calibre de Deepti Naval e Sanjay Kapoor parecem desperdiçados em papéis que prometem muito, mas entregam pouco desenvolvimento. Além disso, a tentativa de criar inúmeras pistas falsas acaba jogando contra a narrativa.

No meio da investigação, a tensão diminui e a trama fica um pouco confusa com tantos personagens e subtramas. A personagem Meera, vivida por Chitrangada Singh, divide opiniões: para alguns, sua atuação traz uma ambiguidade contida; para outros, é apenas uma “folha em branco” difícil de decifrar.

Outro ponto que quebra o ritmo é a inclusão da mãe de Jatil (Ila Arun) como alívio cômico; embora Ila seja ótima, suas cenas às vezes parecem deslocadas, quebrando a tensão de um drama que deveria ser sério. O roteiro também se apoia em algumas conveniências para fazer a história andar, o que tira um pouco do brilho da inteligência investigativa que esperamos ver.

Conclusão

Na Solidão da Noite: Assassinatos na Mansão Bansal é um whodunit assistível que consegue amarrar suas pontas em um clímax bem resolvido, mas não atinge a mesma potência ou agudeza de seu antecessor. Falta aquela sensação de urgência e a atmosfera perversa que marcou o primeiro filme.

No entanto, ver Nawazuddin Siddiqui no papel de um investigador íntegro lutando contra um sistema corrupto e contra suas próprias falhas é sempre um prazer. O filme pode não ser uma obra-prima do gênero e talvez funcionasse melhor como uma minissérie para explorar melhor seus personagens secundários, mas, se Jatil Yadav decidir voltar para um terceiro caso, eu certamente estarei lá para assistir.

Onde assistir ao filme Na Solidão da Noite: Assassinatos na Mansão Bansal?

Trailer de Na Solidão da Noite: Assassinatos na Mansão Bansal (2025)

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Elenco de Na Solidão da Noite: Assassinatos na Mansão Bansal, da Netflix

  • Nawazuddin Siddiqui
  • Radhika Apte
  • Chitrangada Singh
  • Deepti Naval
  • Ila Arun
  • Revathi
  • Sanjay Kapoor
  • Priyanka Setia
  • S.M. Zaheer
  • Rajat Kapoor
Escrito por
Juliana Cunha

Editora na ESPN Brasil e fã de cultura pop, Juliana se classifica como uma nerd saudosa dos grandes feitos da Marvel.

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