10DANCE resenha crítica do filme Netflix 2025 Flixlândia

[CRÍTICA] Apesar dos estereótipos latinos, ’10DANCE’ é uma experiência visualmente rica

Foto: Netflix / Divulgação
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A Netflix resolveu apostar alto no universo das adaptações de mangás BL com o live-action de 10Dance. E vamos ser honestos: quando se junta a direção de Keishi Otomo (o mesmo que nos entregou a grandiosidade de Rurouni Kenshin) com a premissa de dois rivais bonitões suando em trajes de gala, a expectativa vai lá no teto.

O filme chega com uma promessa clara: entregar coreografias de cair o queixo, uma tensão palpável e aquele drama de “eles vão ou não vão?” que a gente adora. Mas será que o filme consegue equilibrar a complexidade da dança competitiva com o romance, ou acaba tropeçando nos próprios pés? Já adianto que, visualmente, é um espetáculo, mas o roteiro deixa aquela sensação agridoce de que faltou “alguma coisa” para fechar a performance com nota dez.

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Sinopse

A história gira em torno de dois dançarinos de elite que compartilham o mesmo nome, mas mundos opostos: Shinya Suzuki e Shinya Sugiki. Suzuki (interpretado por Ryoma Takeuchi) é o campeão reinante da dança latina, um homem movido pela paixão, com uma vibe mais rebelde e conexões profundas com Cuba. Do outro lado do salão está Sugiki (interpretado por Keita Machida), o mestre do Ballroom Standard, um cara rígido, disciplinado e focado na perfeição técnica.

Eles nunca competiram diretamente porque dominam estilos diferentes, até que surge o desafio do 10Dance: uma competição brutal onde os pares devem dominar os 10 estilos de dança (5 latinos e 5 standard). Para vencer, os rivais decidem treinar um ao outro. O acordo é simples na teoria, mas complicado na prática: ensinar seus movimentos e segredos um para o outro enquanto tentam não deixar que a atração mútua e a rivalidade atrapalhem o compasso.

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Resenha crítica do filme 10Dance

O peso da atuação e a coreografia impecável

Se tem uma coisa que 10Dance acerta em cheio, é na escalação do elenco. Ryoma Takeuchi e Keita Machida não são dançarinos profissionais, mas você jamais diria isso assistindo ao filme. Eles fizeram a lição de casa com louvor. Takeuchi encarna o “pavão” latino com uma energia suada e física impressionante – a cena em que ele ensina o movimento básico cubano sem camisa é, sem dúvida, um dos pontos altos de atuação física. Já Machida entrega a postura régia e contida exigida pelo Ballroom com precisão.

O filme brilha no conceito de “mostrar, não contar”. As emoções dos personagens transbordam não em diálogos expositivos, mas em microexpressões, no tremor das mãos e na forma como eles conduzem (ou se recusam a ser conduzidos). A dança aqui simula o sexo, a proximidade e a intimidade, substituindo cenas explícitas por uma tensão que você quase pode cortar com uma faca.

10DANCE resenha crítica do filme Netflix 2025
Foto: Netflix / Divulgação

A estética: luz, câmera e música genérica

Visualmente, o filme é um deleite. A direção de arte e a fotografia trabalham pesado para diferenciar os mundos dos protagonistas. Sugiki é cercado por luzes douradas, quentes, ambientes fechados e espelhos que refletem seu controle (e solidão). Suzuki, por outro lado, vive banhado em luz natural ou neons, em espaços abertos que refletem sua alma “livre”.

A trilha sonora também joga nesse time, misturando clássicos como a Valsa do Minuto de Chopin com batidas latinas e faixas como Besame Mucho. No entanto, aqui começamos a ver alguns problemas: enquanto a música serve bem à narrativa na maioria das vezes, em alguns momentos ela parece genérica demais para a grandiosidade dos cenários, o que pode tirar um pouco da imersão de quem espera algo mais autêntico.

Estereótipos e tropeços culturais

Não dá para ignorar o elefante na sala: a representação da cultura latina. Embora o filme tenha suavizado o racismo presente no mangá original, ele ainda escorrega feio nos estereótipos. Como latina, é difícil não revirar os olhos para a forma como a “paixão” e o estilo latino são reduzidos quase exclusivamente ao erotismo ou a uma vulgaridade exótica, seja nas falas em um espanhol duvidoso ou na caracterização dos ambientes.

Eles tentam vender a ideia de que o estilo latino é “sexy e impulsivo” em contraste com o “elegante e nobre” Ballroom, mas acabam caindo em clichês que poderiam ter sido cortados sem prejuízo nenhum à trama. Melhorou em relação ao mangá? Sim. É bom? Definitivamente não.

O romance: rápido demais ou devagar em excesso?

Aqui a audiência vai ficar dividida. Para quem esperava a intensidade física do mangá, o filme pode parecer puritano demais. É um romance muito mais focado na intimidade emocional e no simbolismo da dança do que na ação física. O beijo no trem (apelidado de “dança de Deus” por Suzuki) é lindo e visualmente poético, lembrando a estética de Wong Kar-wai, mas para muitos, a química explosiva dos atores merecia mais tempo de tela focada no romance real.

O problema maior, talvez, seja o ritmo. A introdução do romance no segundo ato parece apressada. Eles vão de rivais que mal se entendem para uma consciência profunda de seus sentimentos muito rápido, enquanto o resto do filme se arrasta em explicações técnicas sobre dança. Fica a sensação de que o filme tenta ser um drama sério sobre esportes e um romance BL ao mesmo tempo, e acaba não se aprofundando o suficiente em nenhum dos dois.

Conclusão

10Dance é, no final das contas, uma experiência visualmente rica, mas narrativamente incompleta. O final é vago, abrupto e deixa um gosto óbvio de “isca para sequência”. Não vemos a competição 10Dance de fato, o que faz o filme parecer um longo episódio piloto ou um tutorial de luxo sobre dança de salão.

Apesar dos pesares – como os estereótipos latinos irritantes e um final que não entrega o clímax prometido – a química entre Takeuchi e Machida e a beleza da produção salvam a obra. É um filme que vale a pena pela estética e pelas performances dedicadas, mas que exige que o espectador diminua as expectativas quanto a um desfecho redondo. Se a Netflix for esperta, nos dará uma sequência onde esses dois possam finalmente competir e, quem sabe, nos dar o romance arrebatador que ficou apenas na promessa.

Onde assistir ao filme 10Dance?

Trailer de 10Dance (2025)

YouTube player

Elenco de 10Dance, da Netflix

  • Ryoma Takeuchi
  • Keita Machida
  • Shiori Doi
  • Anna Ishii
  • Shinya Hamada
  • Oshiro Maeda
  • Nadiya Bychkova
  • Susie Trayling
  • Pasquale La Rocca
Escrito por
Juliana Cunha

Editora na ESPN Brasil e fã de cultura pop, Juliana se classifica como uma nerd saudosa dos grandes feitos da Marvel.

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