A espera acabou, mas se você achava que The Boys ia pegar leve na reta final, pode esquecer. A quinta e última temporada já chega chutando a porta, e sem o menor pedido de desculpas.
Vamos combinar que a produção sempre gostou de abusar do absurdo, mas esses dois primeiros episódios provam que o jogo virou: a série entra em sua fase mais tensa, densa e com uma pegada assustadoramente parecida com o noticiário do nosso mundo real.
Sinopse
A trama dá um salto de mais ou menos um ano desde o caos da quarta temporada e dos eventos do derivado Gen V. Agora, o Capitão Pátria é, de forma não-oficial, o ditador dos Estados Unidos, governando o país inteiro por meio de um presidente fantoche. A situação do nosso esquadrão de anti-heróis é péssima: Hughie, Leitinho e Francês foram jogados nos chamados “Campos de Liberdade”, uma espécie de campo de concentração de supes onde apanham diariamente de guardas sádicos.
Enquanto isso, Billy Bruto, lidando com a saúde destruída pelo V-Temporário, bola um plano suicida para invadir o local e resgatar os amigos ao lado de Kimiko e Trem-Bala. Do outro lado, a Luz-Estrela tenta liderar uma resistência e até consegue vazar o terrível vídeo do Capitão Pátria abandonando os passageiros do Voo 37 para morrer.
O problema? A Vought rapidamente abafa o caso, jurando na TV que o vídeo é uma mentira criada por Inteligência Artificial. Com o cerco se fechando e sua carência atingindo níveis patológicos, o Capitão Pátria descongela o Soldier Boy em busca de aprovação paterna. Em meio a isso, os Garotos sofrem um golpe devastador logo de cara: Trem-Bala é assassinado pelo Capitão Pátria em um sacrifício heroico para salvar Hughie.
Crítica dos episódios 1 e 2 da temporada 5 de The Boys
O fim da comédia pastelão e o peso da realidade
Se você vinha pela galhofa e pelas bizarrices engraçadas, vai sentir um baque. A série abriu mão de boa parte do humor escrachado que era sua marca registrada (embora o Profundo continue hilário espalhando desinformação sobre vacinas em seu podcast incel e fazendo banho de sol no períneo) para dar espaço a uma narrativa sufocante.
A sátira política, que antes nos fazia rir da cara do perigo, agora dá um nó no estômago. A introdução do pastor Oh-Father (Daveed Diggs), que se casa com a vice-presidente Ashley — que agora é capaz de ler mentes após injetar Composto V —, traz para a tela discursos de ódio e fanatismo religioso para demonizar minorias e a base de fãs da Luz-Estrela. É um reflexo tão exato das divisões políticas recentes que, para alguns, a série deixou de ser uma válvula de escape para virar um lembrete cruel da realidade.

Ritmo tropeçando nos próprios excessos
Apesar de a história focar em um embate de fim de mundo, o ritmo ainda sofre com os mesmos soluços da temporada anterior. Em vez de sempre inovar, a série recicla certas provocações que já parecem batidas, como o retorno do Salsicha do Amor balançando sua genitália extensível como arma.
Às vezes fica a sensação de que The Boys quer chocar pelo simples prazer de chocar, rodando em círculos e burocratizando o roteiro como se precisasse ticar uma lista de pautas do Twitter para se manter relevante. O começo demora um pouco para engatar a urgência que se espera de uma temporada final.
Personagens no limite (e sem armadura de roteiro)
A grande compensação fica pelo espetáculo do elenco e a ausência total da tal “armadura de roteiro”. Todo mundo ali corre perigo de verdade, e a morte chocante do Trem-Bala logo na estreia deixa claro que o showrunner Eric Kripke não está blefando quando avisa que ninguém está a salvo.
A dinâmica do grupo central ganha um respiro bem-vindo com Kimiko finalmente falando, o que injeta emoção pura na relação dela com o Francês. Entre os vilões, Antony Starr segue entregando a melhor performance da sua vida: seu Capitão Pátria carente, desesperado por ser idolatrado como um deus, nunca foi tão perigoso. Em paralelo, o Bruto de Karl Urban exala desespero, sustentando brilhantemente o peso emocional de um homem sem nada a perder.
Conclusão
Esses dois primeiros episódios da temporada 5 de The Boys inauguram um adeus caótico, violento e bastante pessimista. Mesmo tropeçando nos próprios excessos e entregando uma crítica social que hoje mais deprime do que faz rir, a série se sustenta por atuações formidáveis e por uma coragem ímpar de destruir o seu universo.
É um retorno imperfeito, mas absurdamente impactante, que promete fazer o espectador prender a respiração até a última gota de sangue derramada.
Trailer da temporada 5 de The Boys
Elenco da 5ª temporada de The Boys
- Karl Urban
- Jack Quaid
- Antony Starr
- Erin Moriarty
- Jessie T. Usher
- Laz Alonso
- Chace Crawford
- Tomer Capone
- Karen Fukuhara
- Nathan Mitchell
- Colby Minifie
- Susan Heyward
- Valorie Curry
- Daveed Diggs
















