Dear Killer Nannies Criado por Assassinos crítica da série do Disney+ - Flixlândia

Menos tiroteio, mais terapia: por que ‘Dear Killer Nannies: Criado por Assassinos’ é a série que faltava

Foto: Disney+ / Divulgação
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Sabe aquela sensação de que já vimos tudo o que havia para ser visto sobre Pablo Escobar? Entre livros, filmes de Hollywood e o fenômeno que foi Narcos, parecia que a cultura pop já tinha espremido esse limão até a última gota. Mas a série Dear Killer Nannies: Criado por Assassinos, recém-chegada ao catálogo do Disney+, consegue a proeza de encontrar um ângulo totalmente novo e surpreendente.

Cocriada pelo próprio filho do traficante, Juan Pablo Escobar (que hoje atende por Sebastián Marroquín) e pelo showrunner argentino Sebastián Ortega, a produção de oito episódios não é sobre a ascensão e queda de um império das drogas. Na verdade, é um drama de amadurecimento denso, focado no impacto psicológico de crescer em meio ao caos, provando que o buraco deixado pela violência é muito mais embaixo.

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Sinopse

A trama acompanha a infância e a adolescência de Juan Pablo, carinhosamente apelidado de “Juampi”. Aos sete anos, ele é um menino doce e sensível que vive cercado de um luxo absurdo na Colômbia dos anos 80 e 90. Como o pai está sempre ocupado com os “negócios” e a política, Juampi acaba sendo cuidado por seguranças particulares.

O grande detalhe macabro é que essas “babás” improvisadas são, na verdade, assassinos de aluguel implacáveis do cartel de Medellín. A série mostra a quebra de inocência do garoto à medida que ele percebe que o mundo idealizado em que vive é financiado por sangue, e que seu pai, visto por ele como um herói, é um dos homens mais perigosos do mundo.

Crítica da série Dear Killer Nannies: Criado por Assassinos

O trauma no lugar do espetáculo

O maior acerto de Dear Killer Nannies é se recusar a glamorizar o narcotráfico. Diferente de Narcos, que muitas vezes transforma a violência em um espetáculo atrativo, a série aqui usa a carnificina apenas como pano de fundo para algo muito mais perturbador: o trauma infantil.

Quando Juampi presencia um ato de extrema violência aos sete anos, a câmera e o roteiro se importam menos com o sangue derramado e mais com os pesadelos, os medos e o fato de o garoto voltar a fazer xixi na cama. É uma abordagem que lembra muito a profundidade psicológica de Sopranos, focando em como o caos afeta a mente de quem está no entorno do crime. Os maiores golpes que a série dá no estômago do espectador são silenciosos e sem derramamento de sangue.

Dear Killer Nannies Criado por Assassinos crítica da série do Disney+ - Flixlândia (1)
Foto: Disney+ / Divulgação

Atuações que carregam a série nas costas

Boa parte da carga emocional funciona maravilhosamente bem graças à atuação do ator mirim Miguel Tamayo. Ele entrega a fragilidade e a confusão mental de Juampi de uma forma tão natural que você esquece que está vendo uma série. John Leguizamo, que interpreta Pablo Escobar, faz um trabalho excelente, mas a série acerta em cheio ao deixá-lo como um personagem secundário.

Diferente do protagonismo absoluto de Wagner Moura em outras produções, Leguizamo é mais uma sombra. O verdadeiro foco está nas “babás”, que trazem uma dinâmica quase “scorsesiana” de camaradagem do submundo, misturando afeto e brutalidade de um jeito que dá um nó na nossa cabeça.

O risco da narrativa fragmentada

Para dar um ar mais intimista, quase como uma sessão de terapia, a série conta com a narração em off do verdadeiro Juan Pablo adulto. Visualmente e tecnicamente, as transições entre a infância e a adolescência são fluidas. Porém, vale o aviso: essa escolha de não seguir uma linha do tempo linear, pulando toda hora dos anos 80 para os anos 90, pode causar um certo estranhamento. Em alguns momentos, esse vai e vem quebra um pouco o ritmo da narrativa, o que pode incomodar quem prefere histórias contadas de forma mais tradicional e direta.

Conclusão

No fim das contas, Dear Killer Nannies: Criado por Assassinos é muito mais do que apenas “mais uma série de cartel”. É uma obra crua, melancólica e extremamente humana sobre crescer rápido demais, perder a inocência e ter que lidar com o peso das escolhas de outra pessoa.

A mensagem que Sebastián Marroquín tenta passar fica muito clara: é possível quebrar o ciclo de violência e escolher um caminho diferente, independentemente de onde você veio. Se você gosta de produções com forte carga emocional e não se importa com uma história um pouco menos focada na ação frenética, essa é uma das estreias mais interessantes e corajosas do ano.

Trailer da série Dear Killer Nannies: Criado por Assassinos

YouTube player

Elenco de Dear Killer Nannies: Criado por Assassinos, do Disney+

  • Janer Villareal (Juan Pablo na adolescência)
  • Miguel Tamayo (Juan Pablo na infância)
  • Miguel Ángel García (jovem Juan Pablo)
  • Laura Rodríguez (Victoria Henao)
  • Juanita Molina (Angie)
  • Julián Zuluaga (Rodri)
  • Rafael Zea (El Dorado)
  • Danharry Colorado (Tina)
  • Julián Bustamante (Yerry)
  • Julián Díaz (Lagaña)
  • Melanie Dell’ Olmo (Andrea Ochoa)
  • Ella Becerra (Leonor Vallejo)
  • Victoria Hernández (Mãe de Pablo)
  • Andrés Delgado (Kiss)
  • Carmen Electra (Margarete)
  • John Leguizamo (Pablo Escobar Gaviria)
Escrito por
Wilson Spiler

Formado em Design Gráfico, Pós-graduado em Jornalismo e especializado em Jornalismo Cultural, com passagens por grandes redações como TV Globo, Globonews, SRZD e Ultraverso.

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