Confira a crítica do episódio 7 da temporada 2 de "The Last of Us", série de 2025 adaptada do jogo disponível para assistir na Max.

‘The Last of Us’ (2×07): final faz um mergulho na dor, mas com tropeços narrativos

Foto: Max / Divulgação
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Enfim chegamos ao final da temporada 2 de “The Last of Us” com o episódio 7 disponibilizado no domingo (25) à noite pela (HBO) Max. O novo ano estreou com a difícil missão de adaptar uma das narrativas mais controversas e impactantes do mundo dos games.

Após o sucesso estrondoso da primeira temporada, a série comandada por Craig Mazin e Neil Druckmann apostou em escolhas narrativas ousadas, mexeu no cânone e buscou explorar, com mais profundidade, os aspectos emocionais de seus personagens.

Porém, se por um lado a entrega é carregada de densidade dramática, por outro, tropeça em ritmo, excesso de diálogos e desvios narrativos que enfraquecem o impacto da trama.

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Sinopse do episódio 7 da temporada 2 de The Last of Us (2025)

O episódio 7 – e último – da temporada 2 de “The Last of Us” marca o encerramento da jornada de Ellie (Bella Ramsey) em Seattle, culminando em um dos cliffhangers mais intensos da série. Após confrontos internos e externos, Ellie persegue sua vingança contra Abby (Kaitlyn Dever), enfrentando não apenas seus inimigos, mas também a corrosão da própria humanidade.

A trama acompanha o colapso emocional da protagonista, a perda de aliados como Jesse (Young Mazino) e o emblemático confronto no teatro, onde Abby surpreende o grupo com uma investida fatal. A temporada termina deixando o público à beira do abismo, com a promessa de revisitar os eventos a partir da perspectiva de Abby no próximo ano.

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Crítica do episódio 7 de The Last of Us (temporada 2), da Max

Um dos aspectos mais marcantes desta segunda temporada é a escolha clara por reduzir a ação em prol do aprofundamento emocional. A série abdicou das longas sequências de combate típicas do jogo e priorizou a angústia interna de Ellie, que vive uma espiral de violência e arrependimento. Bella Ramsey entrega uma performance hipnótica, marcada por olhares vazios e lágrimas contidas, que reforçam a derrocada emocional da personagem.

No entanto, essa escolha nem sempre funciona. A ausência quase completa de confrontos com infectados, criaturas que definem o universo de “The Last of Us”, soa como uma traição ao espírito da obra original. O risco de transformar a série em um drama pós-apocalíptico genérico, sem o terror que a distingue, é real e afeta o equilíbrio da narrativa.

O colapso da estrutura: entre desvios narrativos e a perda de foco

O episódio final sintetiza um dos principais problemas da temporada: a estrutura narrativa dispersa. Sequências como o arco de Ellie na ilha dos Serafitas surgem e desaparecem sem impacto real na trama, funcionando mais como distrações do que como motor dramático. A série se perde em momentos que parecem apenas “encher linguiça”, comprometendo o ritmo e o envolvimento emocional.

A dinâmica entre Ellie e Jesse, que poderia ter sido mais explorada, acaba sacrificada em prol de cenas que não geram aprendizado nem transformação. Jesse, inclusive, tem sua morte tratada de forma abrupta, sem tempo para que o espectador processe a perda ou que os personagens expressem luto. Esse atropelo, infelizmente, repete-se em vários momentos do episódio.

Abby como antagonista: a dificuldade de construir a empatia necessária

Desde o início, a segunda temporada indicava que Abby teria papel central, mas a forma como a série decidiu revelar suas motivações ainda na cena inicial compromete parte da ambiguidade que tornava o jogo tão impactante. O antagonismo entre Ellie e Abby foi transformado em um embate clássico de heroína injustiçada versus vilã cruel, simplificando uma relação que, no jogo, era um dos pilares da sua complexidade moral.

Kaitlyn Dever mostra potencial como Abby, mas ainda não teve espaço suficiente para humanizar a personagem. A cena final, que a mostra acordando no estádio da WLF, promete uma mudança de perspectiva para a terceira temporada. Entretanto, fica a dúvida se o público — especialmente quem não jogou o game — terá paciência e empatia para acompanhar essa virada.

O peso das escolhas: a jornada emocional e a desconstrução da protagonista

Apesar dos tropeços narrativos, o cerne emocional de “The Last of Us” permanece intacto. A série explora de forma sensível o preço da vingança e a desconstrução de sua protagonista. A Ellie de Bella Ramsey é uma jovem quebrada, guiada pelo ódio e consumida pela culpa.

O confronto no aquário é o ápice dessa desconstrução: ao matar Owen e Mel — esta, grávida —, Ellie confronta o abismo de suas escolhas. A cena, embora menos gráfica do que no jogo, é devastadora e marcada por um silêncio que diz mais do que qualquer fala. Ramsey brilha nesse momento, mostrando com sutileza a desumanização progressiva da personagem.

A estética do remake: fidelidade visual ou repetição mecânica?

A série optou por reproduzir algumas cenas do jogo com uma fidelidade quase obsessiva, como o embate no teatro entre Ellie e Abby. Embora tecnicamente impecáveis, essas escolhas, por vezes, tornam-se previsíveis e esvaziam a adaptação de uma identidade própria.

A série oscila entre querer surpreender os fãs e reproduzir o material original, criando uma narrativa que ora soa reverente demais, ora desrespeitosa com as emoções que o jogo cultivou.

A ausência de infectados: uma falha que compromete a tensão

Um dos pontos mais criticados, e com razão, é a ausência quase completa de infectados nesta reta final. Ao decidir focar exclusivamente no drama humano, a série perde uma das suas fontes primordiais de tensão. A falta de encontros com essas criaturas reduz o senso de perigo constante e compromete a atmosfera sufocante que define o universo de “The Last of Us”.

A ausência dos infectados também esvazia o simbolismo da luta pela sobrevivência: o maior inimigo agora é o próprio ser humano, mas, sem o contraponto do horror biológico, o discurso soa repetitivo e, paradoxalmente, menos ameaçador.

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Conclusão

A temporada 2 de “The Last of Us” é uma obra corajosa, mas irregular. Ao priorizar a introspecção e o drama sobre a ação e o terror, a série consegue momentos de profunda humanidade, mas também se perde em desvios narrativos e excesso de diálogos que freiam a narrativa.

Bella Ramsey entrega uma atuação poderosa, mas é prejudicada por um roteiro que não soube equilibrar sua força emocional com a ferocidade que a personagem exige. A promessa da terceira temporada, com o foco na perspectiva de Abby, representa uma oportunidade de corrigir alguns desses desequilíbrios, mas também um risco: será que o público aceitará essa mudança de foco?

Em um mundo onde a linha entre herói e vilão é cada vez mais tênue, “The Last of Us” continua sendo uma reflexão pungente sobre dor, perda e sobrevivência. Mas, ao trocar o horror visceral pela dor contemplativa, a série corre o risco de perder a força que a tornou um fenômeno — tanto nos videogames quanto na televisão.

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Onde assistir à série The Last of Us?

A série está disponível para assistir na Max.

Trailer da temporada 2 de The Last of Us (2025) [LEGENDADO]

YouTube player

Trailer da temporada 2 de The Last of Us (2025) [DUBLADO]

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Elenco de The Last of Us, da Max

  • Pedro Pascal
  • Bella Ramsey
  • Kaitlyn Dever
  • Brendan Rozario
  • Anna Torv
  • Gabriel Luna
  • Samuel Hoeksema
  • Catherine O’Hara

Ficha técnica da série The Last of Us

  • Título original: The Last of Us
  • Criação: Craig Mazin, Neil Druckmann
  • Gênero: ficção científica, ação, aventura, terror, suspense, drama
  • País: Canadá, Estados Unidos
  • Temporada: 2
  • Episódios: 7
  • Classificação: 16 anos
Escrito por
Wilson Spiler

Formado em Design Gráfico, Pós-graduado em Jornalismo e especializado em Jornalismo Cultural, com passagens por grandes redações como TV Globo, Globonews, SRZD e Ultraverso.

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