Sabe aquele episódio que chega para desacelerar a correria frenética de um pronto-socorro e te obriga a olhar para as pessoas por trás dos jalecos (ou, neste caso, dos uniformes de enfermagem)? O sexto episódio da segunda temporada de The Pitt, intitulado “12:00 PM”, faz exatamente isso.
Abandonando os cliffhangers explosivos por um momento, a série entrega o que talvez seja sua hora mais sóbria e emocional até agora, focando naqueles que realmente fazem o hospital girar: os enfermeiros. É um soco no estômago, mas um soco necessário.
Sinopse
O episódio começa com um balde de água fria: a equipe tenta reanimar Louie, o paciente recorrente e querido por todos, mas ele não resiste a uma hemorragia pulmonar causada por falência hepática. A morte dele define o tom do dia. Enquanto Robby e Langdon lidam com a perda, o foco narrativo muda para a equipe de enfermagem.
Dana ensina a novata Emma a lidar com o pós-morte; Donnie mostra aos estudantes de medicina como se faz uma sutura de verdade; e Princess se desdobra para atender pacientes que os médicos, na pressa, acabam negligenciando.
Paralelamente, temos o drama de Gus, um prisioneiro desnutrido que Robby quer despachar, mas que a equipe tenta manter internado, e a confirmação devastadora do diagnóstico psiquiátrico de Jackson, irmão de Jada.
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Crítica do episódio 6 da temporada 2 de The Pitt
Os “heróis invisíveis” saem das sombras
Este é o episódio de The Pitt que mais tira o foco principal dos médicos famosos (como Robby e Langdon) para destacar os enfermeiros (como Dana, Donnie, Princess e Emma). A câmera, que geralmente persegue os médicos famosos, aqui decide dar palco para quem carrega o piano. E que acerto foi esse.
Ver a Dana (Katherine LaNasa) assumir a postura de “mãezona ursa” protegendo a Emma de um paciente agressivo, ou ensinando com uma delicadeza brutal como preparar o corpo de Louie, reforça por que ela é uma das melhores personagens da série.
A crítica social vem afiada quando a administração manda donuts com tema de 4 de Julho como “agradecimento” pelo trabalho no feriado, e a reação de desprezo da equipe é impagável — e muito real. Eles não querem açúcar, querem segurança e salário. Outro destaque brilha para o enfermeiro Donnie. É quase poético ver ele ensinando o arrogante Ogilvie a costurar um paciente, provando que a técnica dos enfermeiros muitas vezes supera a teoria dos doutores.

A solidão que dói mais que a doença
A morte de Louie não foi apenas triste porque perdemos um personagem recorrente; foi devastadora pelo que descobrimos depois. O roteiro acerta em cheio ao revelar que o contato de emergência dele era o próprio hospital. O homem não tinha ninguém.
A cena em que Robby conta a história de fundo de Louie — que ele perdeu a esposa grávida num acidente de carro e nunca mais se recuperou, caindo no alcoolismo — dá uma profundidade nova a tudo o que vimos antes. A série nos lembra que, para muitos “frequentadores assíduos” do pronto-socorro, a equipe médica é a única família que resta. A falta de um gancho final bombástico, trocado por um velório improvisado e silencioso da equipe, foi a escolha perfeita. Mostrou que o luto, às vezes, é o único desfecho possível.
Ética, tecnologia e o “jeitinho” humanizado
O episódio também brilha ao colocar a eficiência fria contra a humanidade necessária. De um lado, temos a Dra. Santos confiando cegamente em um aplicativo de IA para preencher prontuários e cometendo erros, além de ter uma péssima atitude com uma paciente surda (Harlow) por pura impaciência. Do outro, temos a enfermeira Princess, que não só fala seis línguas como sabe o básico de linguagem de sinais, salvando o dia onde a médica falhou.
Mas o conflito mais interessante é sobre Gus, o prisioneiro. Robby, focado em liberar leitos, quer mandá-lo de volta para a prisão. Al-Hashimi (Baran) e Dana enxergam o óbvio: o cara está desnutrido e precisa de cuidados. A solução da Dana — dar aquela manipulada marota no oxímetro para justificar a internação — é o tipo de “anarquismo do bem” que torna esses personagens tridimensionais. Eles entendem que o sistema é quebrado e, às vezes, você precisa quebrá-lo um pouco mais para fazer o certo.
Conclusão
O episódio 6 da temporada de The Pitt não tenta te ganhar com explosões ou reviravoltas mirabolantes, e é justamente por isso que ele funciona tão bem. Ao focar na perspectiva dos enfermeiros e na dignidade da morte de um paciente solitário, a série prova que sabe ser sutil quando precisa.
Foi um episódio sobre conexões humanas em um lugar desenhado para ser clínico e estéril. Se Robby continua ignorando os sinais do universo sobre sua obsessão por motos (sério, mais um acidente de moto chegando no hospital, Robby?), pelo menos o resto da equipe parece ter aprendido uma lição valiosa sobre empatia. Um capítulo nota A que, ironicamente, nos deixou tristes, mas de alma lavada.
Onde assistir à temporada 2 de The Pitt?
Trailer da 2ª temporada de The Pitt
Elenco da segunda temporada de The Pitt
- Noah Wyle
- Ned Brower
- Patrick Ball
- Katherine LaNasa
- Supriya Ganesh
- Fiona Dourif
- Taylor Dearden
- Isa Briones
- Gerran Howell
- Shabana Azeez














